Cidade mineira adota “delivery” de livros

Imagem divulgada pelo site G1. Foto: Clube Tamboril/ Divulgação

Em meio a mobilização de todos no enfrentamento à pandemia da Covid-19, a novidade vem da cidade mineira de Pirapora. Segundo o site de notícias da Globo, o G1, um serviço de entrega em domicílio foi a alternativa encontrada por voluntários de uma biblioteca comunitária da cidade do Norte de Minas, para levar livros até a casa dos moradores durante o período de isolamento social. Segundo a matéria, a biblioteca foi criada há um ano e conta com um acervo de mais de 4 mil títulos. Para receber os livros em casa, os leitores cadastrados podem fazer o pedido por meio de um aplicativo. Cada um pode solicitar até dois livros por vez e é cobrada uma taxa de R$ 2 por entrega para contribuir com os custos de combustível.

Ainda de acordo com o G1, o bibliotecário Jean Matheus é o responsável pelas entregas, que são feitas sempre nas terças-feiras pela manhã. Em entrevista ao site, ele afirma que “os livros são higienizados com álcool e seguimos os protocolos do Sistema Estadual de Bibliotecas, e eu uso luvas e máscaras no momento da entrega. A demanda tem sido grande e, às vezes, preciso estender as entregas para o período da tarde”.

Mais dicas para a quarentena

Não há como resistir a uma boa lista de sugestões de leitura. Se você não viu, essa foi feita pelo site G1 e traz dicas de jornalistas da GloboNews. Os comentários são recortes dos originais publicados pelo site. Matéria na íntegra pelo link https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2020/04/07/direto-da-estante-jornalistas-da-globonews-dao-dicas-de-livros.ghtml.

ANDRÉIA SADI

“She Said”, Jodi Kantor e Megan Twohey

“O livro é obrigatório em tempos em que discutimos a cultura do assédio, machismo, sexismo. As jornalistas do ‘New York Times’ que publicaram a primeira investigação sobre as denúncias de abusos contra o ex-produtor Harvey Weinstein trazem detalhes sobre caso. Imperdível.”

“A História de Mora: a Saga de Ulysses Guimarães”, Jorge Bastos Moreno

“..um retrato da história recente do país por um jornalista que respirava bastidor político noite e dia. O livro conta a saga do doutor diretas na visão de sua mulher. Moreno misturou realidade e ficção para contar a história recente do país.”

“O Livro de Jô”, Jô Soares e Matinas Suzuki Jr.

“…leitura obrigatória para quem gosta de gigantes, mestres e histórias de A a Z.”

“O Anjo Pornográfico”, Ruy Castro

“…a história de vida de Nelson Rodrigues foi mais espantosa do que qualquer uma de suas histórias. Clássico, leitura obrigatória.”

ARIEL PALACIOS

“Um Espelho Distante”, Barbara Tuchman

“…se passa no século 14 marcado pela peste negra e por guerras. Depois disso, o mundo acabou chegando ao renascimento. É um relato do século 14, é um livro de história.”

“Outras Inquisições”, Jorge Luis Borges

“Livro de ensaios em que ele fala um pouco de tudo, desde Kafka, Oscar Wilde, desde a cultura chinesa. Ele fala sobre a inquisição, fala sobre filosofia, faz um apanhado de um monte de coisas.”

-“A série Fundação”, Isaac Asimov

“É a história da humanidade. Tem muita ironia política, frases fantásticas e ele é muito sarcástico, irônico.”

“A Queda de Berlim 1945”, Antony Beevor

“É um livraço que conta as tropas indo e vindo, os tramas dos berlinenses, o desespero geral. É daqueles livros que você pega e não larga até que termine.”

“Guerra e Paz”, Tolstói

“É fenomenal. Tolstói é um dos grandes escritores da literatura mundial e da literatura russa. Ele consegue descrever desde os campos de batalha, com canhões disparando, até uma coisa totalmente diferente, como a aristocracia russa num salão de festas em Moscou, dançando valsa.”

“Os Canhões de Agosto”, Barbara Tuchman

“É a história do primeiro mês da Primeira Guerra Mundial. O livro conta como foi uma guerra que poderia ter sido impedida, mas as diplomacias e os exércitos dos países envolvidos começaram a mobilizar tudo para que a guerra começasse.”

CRISTIANA LÔBO

“As Fábulas de La Fontaine” e “As Fábulas de Esopo”

“São dois livros que talvez nem entrassem na categoria de livros, mas de coletâneas, que têm muito significado em minha família. Eu fazia leitura para meus filhos e faço agora para meus netos.”

“Como as Democracias Morrem”, Steven Levitsky e Daniel Ziblatt

“Para os momentos atuais, esse livro é recomendável. Foi escrito por dois professores de Harvard que explicam muito do que estamos vivendo hoje em várias partes do mundo.”

“Carmen: uma Biografia”, Ruy Castro

“Vale a pena também ler. A importância que teve a pequena notável, a riqueza de detalhes e a maravilha da pena de Ruy Castro.”

A jornalista recomenda ainda as “Obras Completas” de Jorge Luis Borges e o livro “Jacaré, não”, de Antônio Prata.

ELIANE CANTANHÊDE

“Fogo e Fúria”, Michael Wolff

“O jornalista Wolff cobriu de dentro a campanha presidencial de Donald Trump e não apenas relata fatos como também desvenda com clareza e perspicácia a psicologia do homem mais poderoso do mundo, do seu governo e do seu entorno.”

“Tormenta”, Thaís Oyama

“Como Wolff fez com Trump e a Casa Branca, a também jornalista Thaís Oyama mostra com elegância e precisão a personalidade do presidente Jair Bolsonaro e do seu Palácio do Planalto.”

“O Homem que Amava os Cachorros”, Leonardo Padura

“Num livro contundente, dramático e real, o cubano Padura entrelaça as atrocidades stalinistas com a longa e complexa história do assassinato de Leon Trótsky no México. Leitura eletrizante.”

“Como as Democracias Morrem”, Steven Levitsky e Daniel Ziblatt

“Claro, didático, imperdível, esse livro mostra como os golpes toscos e as revoluções sangrentas evoluíram para formas bem mais sofisticadas – e disseminadas – de ataques à democracia.”

-“A trilogia Getúlio”, Lira Neto

“A monumental biografia de Getúlio Vargas, em três volumes, não descreve apenas a trajetória de um dos líderes mais complexos do Brasil, mas mostra também como foram construídas a engrenagem e a cultura políticas no país.”

-“A coleção Ditadura”, Elio Gaspari

“Mais tempo, mais sossego? É hora de ler a obra de um dos maiores jornalistas e especialistas em regime militar do Brasil. São cinco volumes imperdíveis…”

JORGE PONTUAL

 –“The Mirror and the Light”, Hilary Mantel

Estou lendo no momento o genial último volume da trilogia que começou com Wolf Hall.”

“A Peste”, Albert Camus

“Estou relendo. É um clássico. Uma cidade fechada, isolada, vítima de uma praga terrível. É outro romance para refletir sobre nossa situação.”

“The Coming Plague”, Laurie Garret

“Em 1995, ela alertou para a pandemia que viria inevitavelmente. Não foi só ela, tem muitos livros sobre isso. Saiu nova edição atualizada. Os governos ignoraram.”

“The Three Body Problem, Remembrance of Earth’s Past”, Liu Cixin

“Para quem gosta de ficção científica e até para quem não gosta. A mais genial obra no meu gênero favorito.”

-Os sete volumes de “A la Recherche du Temps Perdu”, Marcel Proust

“Eu sempre disse que iria reler Proust quando tivesse tempo e nunca tive. Agora não tem desculpa. Um universo de emoção e inteligência.”

MÔNICA WALDVOGEL

 -Os romances de Andrea Camilleri

“As histórias do Comissário Montalbano se passam na Sicília, as personagens são impagáveis, têm humor e têm enigma, a narrativa é deliciosa.”

“Corpo” e “Breve História de Quase Tudo”, Bill Bryson

“Os livros de Bill Bryson são empolgantes. Em breve história de quase tudo o autor nos pega pela mão para nos conduzir pela formidável aventura do conhecimento científico que a humanidade acumulou.”

“Falando de Música”, Leandro Oliveira

“O músico e maestro Leandro Oliveira nos delicia neste livro com ensaios sobre o mundo infinito da música. Da mesma forma que a ciência, é maravilhoso ver como a arte musical produziu tanto com apenas doze notas.”

“O Som e o Sentido”, José Miguel Wisnik

“Outro livro bom de ler nesses dias acinzentados sobre a profunda marca que a música produz em nosso espírito e cultura.”

“Dom Casmurro”, Machado de Assis

“Releio esse livro quase todo ano e sempre descubro algo que não tinha reparado em leituras anteriores. A ironia e o humor, o estilo da escrita, as personagens laterais, a misteriosa Capitu e o cínico narrador Bentinho valem cada investida neste livro inesgotável.”

“A Educação pela Pedra”, João Cabral de Melo Neto

“Para não fechar esta listinha sem poesia, escolho o grande João Cabral de Melo Neto. Dois ou três poemas para cada dia de quarentena…”

O mar de Fernando Pessoa

Poster do site chicorei.com

Poema da segunda parte do livro “Mensagem”.

X. MAR PORTUGUÊS

Ó mar salgado, quanto do teu sal

São lágrimas de Portugal!

Por te cruzarmos, quantas mães choraram,

Quantos filhos em vão rezaram!

Quantas noivas ficaram por casar

Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena?

Tudo vale a pena

Se a alma não é pequena.

Quem quer passar além do Bojador

Tem que passar além da dor.

Deus ao mar o perigo e o abismo deu,

Mas nele é que espelhou o céu.

Os melhores começos

Mais uma lista surgida das pesquisas que a revistabula.com realiza periodicamente com seus leitores e colaboradores. Essa seleciona “Os 15 melhores começos de livros da literatura universal” na opinião dos 2,4 mil participantes. A lista foi formada com os que obtiveram mais citações. Os trechos iniciais dos livros podem variar de acordo com as traduções e diferentes edições.   

“Moby Dick”, Herman Melville

Chamem-me simplesmente Ismael. Aqui há uns anos não me peçam para ser mais preciso —, tendo-me dado conta de que o meu porta-moedas estava quase vazio, decidi voltar a navegar, ou seja, aventurar-me de novo pelas vastas planícies líquidas do Mundo. Achei que nada haveria de melhor para desopilar, quer dizer, para vencer a tristeza e regularizar a circulação sanguínea. Algumas pessoas, quando atacadas de melancolia, suicidam-se de qualquer maneira. Catão, por exemplo, lançou-se sobre a própria espada. Eu instalo-me tranquilamente num barco.

“Anna Kariênina”, Lev Tolstói

Todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua maneira. Tudo era confusão na casa dos Oblónski. A esposa ficara sabendo que o marido mantinha um caso com a ex-governanta francesa e lhe comunicara que não podia viver com ele sob o mesmo teto. Essa situação já durava três dias e era um tormento para os cônjuges, para todos os familiares e para os criados. Todos, familiares e criados, achavam que não fazia sentido morarem os dois juntos e que pessoas reunidas por acaso em qualquer hospedaria estariam mais ligadas entre si do que eles.

“Notas do Subsolo”, Dostoiévski

Sou um homem doente… Sou mau. Não tenho atrativos. Acho que sofro do fígado. Aliás, não entendo bulhufas da minha doença e não sei com certeza o que é que me dói. Não me trato, nunca me tratei, embora respeite os médicos e a medicina. Além de tudo, sou supersticioso ao extremo; bem, o bastante para respeitar a medicina. (Tenho instrução suficiente para não ser supersticioso, mas sou.) Não, senhores, se não quero me tratar é de raiva. Isso os senhores provavelmente não compreendem.

“Cem Anos de Solidão”, Gabriel García Márquez

Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o Coronel Aureliano Buendía havia de recordar aquela tarde remota em que seu pai o levou para conhecer o gelo. Macondo era então uma aldeia de vinte casas de barro e taquara, construídas à margem de um rio de águas diáfanas que se precipitavam por um lei­to de pedras polidas, brancas e enormes como ovos pré-históricos. O mundo era tão recente que muitas coisas careciam de nome e para mencioná-las se precisava apontar com o dedo.

-“Grande Sertão: Veredas”, Guimarães Rosa

Nonada. Tiros que o senhor ouviu foram de briga de homem não, Deus esteja. Alvejei mira em árvores no quintal, no baixo do córrego. Por meu acerto. Todo dia isso faço, gosto; desde mal em minha mocidade. Daí, vieram me chamar. Causa dum bezerro: um bezerro branco, erroso, os olhos de nem ser — se viu —; e com máscara de cachorro. Me disseram; eu não quis avistar. Mesmo que, por defeito como nasceu, arrebitado de beiços, esse figurava rindo feito pessoa. Cara de gente, cara de cão: determinaram — era o demo.

-“A Metamorfose”, Franz Kafka

Certa manhã, ao acordar de sonhos intranquilos, Gregor Samsa encontrou-se, em sua cama, metamorfoseado num inseto monstruoso. Estava deitado sobre suas costas duras como couraça e, ao levantar um pouco a cabeça, viu seu ventre abaulado, marrom, dividido por nervuras arqueadas, no topo de qual a coberta, prestes a deslizar de vez, ainda mal se sustinha. Suas numerosas pernas, lastimavelmente finas em comparação com o volume do resto do corpo, tremulavam desamparadas diante dos seus olhos.

-“O Complexo de Portnoy”, Philip Roth

Ela estava tão profundamente entranhada em minha consciência que, no primeiro ano na escola, eu tinha a impressão de que todas as professoras eram minha mãe disfarçada. Assim que tocava o sinal ao fim das aulas, eu voltava correndo para casa, na esperança de chegar ao apartamento em que morávamos antes que ela tivesse tempo de se transformar. Invariavelmente ela já estava na cozinha quando eu chegava, preparando leite com biscoitos para mim. No entanto, em vez de me livrar dessas ilusões, essa proeza só fazia crescer minha admiração pelos poderes dela.

-“A Lua vem da Ásia”, Campos de Carvalho

Aos 16 anos matei meu professor de lógica. Invocando a legítima defesa — e qual defesa seria mais legítima? — logrei ser absolvido por cinco votos a dois, e fui morar sob uma ponte do Sena, embora nunca tenha estado em Paris. Deixei crescer a barba em pensamento, comprei um par de óculos para míope, e passava as noites espiando o céu estrelado, um cigarro entre os dedos. Chamava-me então Adilson, mas logo mudei para Heitor, depois Ruy Barbo, depois finalmente Astrogildo, que é como me chamo ainda hoje, quando me chamo.

-“O Apanhador no Campo de Centeio”, J. D. Salinger

Se querem mesmo ouvir o que aconteceu, a primeira coisa que vão querer saber é onde nasci, como passei a porcaria da minha infância, o que os meus pais faziam antes que eu nascesse, e toda essa lenga-lenga tipo David Copperfield, mas, para dizer a verdade, não estou com vontade de falar sobre isso. Em primeiro lugar, esse negócio me chateia e, além disso, meus pais teriam um troço se contasse qualquer coisa íntima sobre eles. São um bocado sensíveis a esse tipo de coisa, principalmente meu pai. Não é que eles sejam ruins — não é isso que estou dizendo — mas são sensíveis pra burro.

-“O Amanuense Belmiro”, Cyro dos Anjos

Ali pelo oitavo chope, chegamos à conclusão de que todos os problemas eram insolúveis. Florêncio propôs, então, um nono, argumentando que outro copo talvez trouxesse a solução geral. Éramos quatro ou cinco, em torno de pequena mesa de ferro, no bar do Parque. Alegre véspera de Natal! As mulatas iam e vinham, com requebros, sorrindo dengosamente para os soldados do Regimento de Cavalaria. No caramanchão, outras dançavam maxixe com pretos reforçados, enquanto um cabra gordo, de melenas, fazia a vitrola funcionar.

-“O Ventre”, Carlos Heitor Cony

Positivamente, meu irmão foi acima de tudo um torturado. Sua tortura seria interessante se eu a explorasse com critério — mas jamais me preocupei com problemas do espírito. Belo para mim é um bife com batatas fritas ou um par de coxas macias. Não sou lido tampouco. A única atração que tive por livro limitou-se à ilustração de um tratado de educação sexual que o vigário do Lins fez o pai comprar para nosso espiritual proveito. Só creio naquilo que possa ser atingido pelo meu cuspe. O resto é cristianismo e pobreza de espírito.

-“Lolita”, Vladimir Nabokov

Lolita, luz de minha vida, labareda em minha carne. Minha alma, minha lama. Lo-li-ta: a ponta da língua descendo em três saltos pelo céu da boca para tropeçar de leve, no terceiro, contra os dentes. Lo. Li. Ta. Pela manhã ela era Lô, não mais que Lô, com seu metro e quarenta e sete de altura e calçando uma única meia soquete. Era Lola ao vestir os jeans desbotados. Era Dolly na escola. Era Dolores sobre a linha pontilhada. Mas em meus braços sempre foi Lolita. Será que teve uma precursora? Sim, de fato teve. Na verdade, talvez jamais teria existido uma Lolita se, em certo verão, eu não houvesse amado uma menina primordial.

-“O Jardim do Diabo”, Luis Fernando Verissimo

Me chame de Ismael e eu não atenderei. Meu nome é Estevão, ou coisa parecida. Como todos os homens, sou oitenta por cento água salgada, mas já desisti de puxar destas profundezas qualquer grande besta simbólica. Como a própria baleia, vivo de pequenos peixes da superfície, que pouco significam mas alimentam. Você talvez tenha visto alguns dos meus livros nas bancas. Todo homem, depois dos quarenta, abdica das suas fomes, salvo a que o mantém vivo. São aqueles livros mal impressos em papel jornal, com capas coloridas em que uma mulher com grandes peitos de fora está sempre prestes a sofrer uma desgraça.

-“As Ondas”, Virginia Woolf

O Sol ainda não nascera. Era quase impossível distinguir o céu do mar, mas este apresentava algumas rugas, como se de um pedaço de tecido se tratasse. Aos pouco, à medida que o céu clareava, uma linha escura estendeu-se no horizonte, dividindo o céu e o mar. Então o tecido cinzento coloriu-se de manchas em movimento, umas sucedendo-se às outras, junto à superfície, perseguindo-se mutuamente, sem parar.

“Dom Quixote”, Miguel de Cervantes

Desocupado leitor: sem juramento meu embora, poderás acreditar que eu gostaria que este livro, como filho da razão, fosse o mais formoso, o mais primoroso e o mais judicioso e agudo que se pudesse imaginar. Mas não pude eu contravir a ordem da natureza, que nela cada coisa engendra seu semelhante. E, assim, o que poderá engendrar o estéril e mal cultivado engenho meu, senão a história de um filho seco, murcho, antojadiço e cheio de pensamentos díspares e nunca imaginados por ninguém mais, exatamente como quem foi engendrado num cárcere, onde toda a incomodidade tem assento e onde todo o triste barulho faz sua habitação?