O oráculo de Meirelles

“Para mim, “Grande Sertão: Veredas” funciona até como um oráculo. Abre-se uma página ao acaso, lê-se o que está à frente e ali estará uma pequena revelação. Dificilmente outra obra me tocará tanto na vida.” Fernando Meirelles em depoimento a Walter Porto, do “Ilustríssima”, da FSP.

Além do encantamento pela obra de Guimarães Rosa, o cineasta comenta também sobre seu sonho de mais de 20 anos de filmar a história de Riobaldo e Diadorim em uma versão “mais clássica”. Meirelles é diretor de vasta filmografia adaptada de livros. Caso, entre outros de “Cidade de Deus”, “Ensaio sobre a a Cegueira” e “O Jardineiro Fiel”. Seu mais recente filme, “Dois Papas”, com Anthony Hopkins e Jonathan Pryce, estreia na Netflix no próximo dia 20. Matéria completa, para assinantes, pelo link: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2019/12/adaptar-grande-sertao-para-cinema-e-sonho-ha-20-anos-diz-fernando-meirelles.shtml. No vídeo abaixo, Bethânia lê trecho do livro.

Clarice na memória

Amanhã, dia 9, completam-se 42 anos da morte de Clarice Lispector. Na terça, 99 anos do nascimento da escritora. Nascida em Chechelnyk, na Ucrânia, Clarice chegou ao Brasil em 1922, acompanhada dos pais e de duas irmãs. Inicialmente em Maceió e em seguida em Recife. Aos 14 anos, muda-se para o Rio de Janeiro, onde mais tarde se consagra, primeiramente como tradutora, e depois como escritora, jornalista, contista e ensaista. Estreou como escritora aos 24 anos, com o romance “Perto do Coração Selvagem”. Morreu em 1977, vítima de câncer de ovário, um dia antes de completar 57 anos. Abaixo, vídeo comemorativo do programa “Hora de Clarice”, produzido pelo Instituto Moreira Salles.

Sem livraria, sem museu, sem teatro

Pesquisa divulgada essa semana pelo IBGE revela que o número de cidades brasileiras com ao menos uma livraria caiu de 42,7% em 2001 para 17,7% em 2018. Ainda sobre o acesso a equipamentos culturais no país, o mesmo estudo mostra que em 2018, 32,2% da população brasileira morava em municípios sem museu; 30,9%, sem teatro ou sala de espetáculo; 39,9%, sem cinema; 18,8% sem rádio AM ou FM local e 14,8%, sem provedor de internet.

Bishop sob ataque

Intensificou-se nos últimos dias o embate em torno da escolha da Flip para homenageada da edição do ano que vem: a poeta norte-americana Elizabeth Bishop. Além da opção por um nome estrangeiro, o evento vem sendo criticado pelo posicionamento (privado) da escritora – que morou no Brasil de 1951 a 71 – “simpática” ao governo militar. Parece haver mágoas também pela “visão ácida” da poeta sobre a cidade do Rio de Janeiro e também sobre a arte brasileira de modo geral.

Em função da polêmica, os organizadores da Flip publicaram comunicado onde, conforme o jornal Folha de SP, afirmam que “a campanha lançada contra a poeta nas redes sociais logo após o anúncio foi bastante expressiva e chamou nossa atenção e escuta. Estamos ouvindo as manifestações de todos e pensando em seu significado com a serenidade que essa questão merece”

Nos vídeos abaixo, o poema “A Arte de Perder” por Antonio Abujamra e, em sua versão original em inglês, por Miranda Otto. Partes, respectivamente, do programa “Provocações”, de 2011, e do filme “Flores Raras”, de Bruno Barreto, de 2013.

Destaques do ano

Sessenta colaboradores da revista “Quatro cinco um” listaram os destaques editoriais de 2019. Confira os mais votados:

FICÇÃO

“A Literatura Nazista na América”, Roberto Bolaño – Companhia das Letras

“A Fúria e Outros Contos”, Silvina Ocampo – Companhia das Letras

“Torto Arado”, Itamar Vieira Junior – Todavia

“Marrom e Amarelo”, Paulo Scott – Companhia das Letras

“Sombrio Ermo Turvo”, Veronica Stigger – Todavia

NÃO FICÇÃO

“Verifique se o Mesmo”, Nuno Ramos – Todavia

“Ideias para Adiar o Fim do Mundo”, Ailton Krenak – Companhia das Letras

“Memórias da Plantação”, Grada Kilomba – Cobogó

POESIA

“O Livro dos Jardins”, Ana Martins Marques – Quelônio

“Mil Sóis”, Primo Levi – Todavia

“Ou o Silêncio Contínuo”, Marcelo Ariel – Kotter

INFANTOJUVENIL

“A Mulher da Guarda”, Sarah Bertrand – Emília/Solisluna

“A Menina que Morava no Chuveiro”, Antonio Prata – Ubu

“Da Minha Janela”, Otávio Júnior – Companhia das Letrinhas

DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA

“O Oráculo da Noite”, Sidarta Ribeiro – Companhia das Letras

“Outras Mentes: O Polvo e a Origem da Consciência”, Peter Godfrey-Smith, Todavia

“A Terra Inabitável”, David Wallace Wells – Companhia das Letras