Marc Ferrez no IMS

Pão de Açúcar, visto de Niterói. RJ, c. 1890. Coleção Jennings Hoffenberg/Acervo IMS

Prossegue até o dia 25 de agosto próximo, na sede paulistana do Instituto Moreira Salles, a exposição “Marc Ferrez: Território e Imagem”. Principal fotógrafo brasileiro do Século XIX, Ferrez teve seu acervo de 15 mil imagens adquirido pelo IMS em 1998.

A exposição mostra 300 itens do acervo próprio e de outras instituições – fotografias, negativos de vidro, estereoscopias, autocromos, câmeras e equipamentos, documentos e correspondências – e se propõe a discutir “o papel da imagem fotográfica no processo de exploração do território nacional, em suas diversas regiões, e de sua construção e consolidação como ideia de nação, em especial durante o Segundo Império e início da República”.

Ferrez (1843-1923) e sua obra são tema, também, de coletâneas de fotografia e ensaio publicados pelo mesmo IMS. As edições de “Rio de Marc Ferrez” e “O Brasil de Marc Ferrez” seguem indisponíveis no momento. Já “Marc Ferrez: Uma Cronologia da Vida e da Obra”, organizado por Ileana Pradilla Ceron, pode ser adquirido no site lojadoims.com.br. O livro é fruto da mais extensa pesquisa biográfica realizada até hoje sobre o fotógrafo.

Nelson para inglês ler

Em matéria publicada pela TV Folha em 2012, por ocasião do centenário de nascimento do escritor, Ruy Castro fala sobre a importância de Nelson para a literatura brasileira

Conforme notícia que chega pelo Estadão, a quinta-feira e o sábado passados foram dias de celebrações em torno da obra do dramaturgo Nelson Rodrigues (1912-1980) em Londres. O autor, como lembra a matéria assinada por Ubiratan Brasil, é pouco conhecido em outras línguas, mas foi tema de um “festival” na capital britânica, marcado, entre outras iniciativas, pelo lançamento de sete de suas peças traduzidas pela primeira vez para o inglês britânico. Reunidas num único volume, foram traduzidas as peças “Vestido de Noiva”, “Perdoa-me por Me Traíres”, “Toda Nudez Será Castigada”, “Os Sete Gatinhos”, “Valsa Número 6”, “Anjo Negro” e “Álbum de Família”.

Salinger nas prateleiras

Começam hoje as vendas da nova edição de “O Apanhador no Campo de Centeio”, de J. D. Salinger (1919), agora no catálogo da Todavia. O livro já vendeu mais de 70 milhões de cópias desde seu lançamento em 1951 e marcou as gerações seguintes pela sua visão crua da adolescência, pela prosa ágil e desbocada e pelo humor anárquico. A nova edição em português do Brasil foi traduzida por Caetano W. Galindo e, pela primeira vez, traz a capa original de seu lançamento.

Fãs de Joyce comemoram o Bloomsday 2019

Imagem: The Octopus Literary Salon

Data comemorada desde 1924, o Bloomsday mobiliza hoje leitores de Joyce no mundo inteiro – inclusive em cidades brasileiras como São Paulo e Florianópolis – em torno de uma série de atividades que vão de palestras à exibição de filmes e apresentações de música irlandesa. 16 de junho é o dia em que, em 1904, o personagem Leopold Bloom realiza uma viagem de um dia por Dublin na história de “Ulysses”, escrito por James Joyce e considerado um dos mais importantes romances do Século XX.

A solidão de Caio

Foto: pantagruelista.com

Carta do escritor Caio Fernando Abreu (1948-1996) publicada pela revistaprosaversoearte.com.

A Nair e Zaél Abreu

São Paulo, 12 de agosto de 1987

Querida mãe, querido pai,

Não sei mais conviver com as pessoas. Tenho medo de uma casa cheia de pais e mães e irmãos e sobrinhos e cunhados e cunhadas. Tenho vivido tão só durante tantos — quase quarenta — anos. Devo estar acostumado.

Dormir 24 horas foi a maneira mais delicada que encontrei de não perturbar o equilíbrio de vocês — que é muito delicado. E também de não perturbar o meu próprio equilíbrio — que é tão ou mais delicado.

Estou me transformando aos poucos num ser humano meio viciado em solidão. E que só sabe escrever. Não sei mais falar, abraçar, dar beijos, dizer coisas aparentemente simples como “eu gosto de você”. Gosto de mim. Acho que é o destino dos escritores. E tenho pensado que, mais do que qualquer outra coisa, sou um escritor. Uma pessoa que escreve sobre a vida — como quem olha de uma janela — mas não consegue vivê-la.

Amo vocês como quem escreve para uma ficção: sem conseguir dizer nem mostrar isso. O que sobra é o áspero do gesto, a secura da palavra. Por trás disso, há muito amor. Amor louco — todas as pessoas são loucas, inclusive nós; amor encabulado — nós, da fronteira com a Argentina, somos especialmente encabulados. Mas amor de verdade. Perdoem o silêncio, o sono, a rispidez, a solidão. Está ficando tarde, e eu tenho medo de ter desaprendido o jeito. É muito difícil ficar adulto.

Amo vocês, seu filho

Caio