Um homem de idade, uma mulher de azul

The Circus RiderDate, de Marc Chagall – 1927

DIREITO DE PASSAGEM

Ao caminhar sem pensar

em nada deste mundo

a não ser no direito de passagem

desfruto a estrada

virtude da lei –

vi

um homem de idade que

sorriu e desviou o olhar

para o norte, para lá de uma casa –

uma mulher de azul

ria-se e

inclinava-se para diante para ver

o rosto meio voltado

do homem

e um menino de oito anos que

olhava para o meio

da barriga do homem

para uma corrente de relógio –

A suprema importância

de tão anônimo espectáculo

fez-me passar por eles depressa

sem dizer palavra –

Que importa para onde ia?

e lá fui rodando nas

quatro rodas do meu carro

pela estrada molhada até que

vi uma rapariga com uma perna

sobre o parapeito de um balcão

THE RIGHT OF WAY

In passing with my mind

on nothing in the world

but the right of way

I enjoy on the road by

virtue of the law –

I saw

an elderly man who

smiled an looked away

to the north pas a house –

a woman in blue

Who was laughing and

learning forward to look up

into the man’s half

averted face

and a boy of eight who was

looking at the middle of

the man’s belly

at a watchchain –

The supreme importance

of this nameless spectacle

sped me by them

without a word –

Why bother where I went?

for I went spinning on the

four wheels of my car

along the wet road until

I saw a girl with one leg

over the rail of a balcony

Poema de William Carlos Williams, do livro “Antologia Breve”, da editora Assírio e Alvim.

IMS premia ensaios inéditos

Já estão abertas as inscrições para o Terceiro Concurso de Ensaísmo serrote, promovido pela revista de ensaios do Instituto Moreira Salles (IMS). O prazo final para inscrever textos na premiação é o dia primeiro de setembro próximo. Serão selecionados três ensaios inéditos de autores inéditos em livro ou que tenham, no máximo, uma obra publicada. Os ensaios serão publicados na edição da serrote de novembro e os três primeiros colocados receberão, respectivamente, R$ 10 mil, R$ 7 mil e R$ 4 mil. Regulamento completo e outras informações pelo link https://www.revistaserrote.com.br/concurso/.

Ainda e sempre

Tosltói em retrato do pintor Ilya Repin/1901

Em vão milhares e milhares de homens, aglomerados em um pequeno espaço, procuravam maltratar a terra em que viviam, esmagando de pedras o solo, para que nada germinasse; em vão arrancavam impiedosamente o arbusto que crescia e derrubavam as árvores; em vão escureciam o ar com fumaça e petróleo; em vão enxotavam aves e animais: a primavera, mesmo na cidade, era ainda e sempre a primavera. O sol brilhava com esplendor; a vegetação, reverdecida, voltava a crescer, tanto nos gramados como entre as lajes do calçamento, de onde tinha sido arrancada; as bétulas, os alámos, as cerejeiras espalmavam suas folhas úmidas e perfumadas, os botões das tílias, já intumescidos, estavam quase a florescer; pardais, pombas e gralhas trabalhavam alegremente na construção dos ninhos acima dos muros, zumbiam as moscas e as abelhas, radiantes de gozar novamente o calor do sol. Tudo era alegria: plantas, animais, insetos e crianças, em esplêndido concerto. Os homens, somente os homens, continuavam a enganar-se e a torturar a si próprios, e aos outros. Somente os homens desprezavam aquilo que era sagrado e supremo: não viam aquela manhã de primavera, nem a beleza divina do mundo, criado para a alegria de todos os seres vivos, e para a todos dispor à união, à paz e ao amor. Para eles só era importante e sagrado aquilo que haviam inventado para instrumento de mútuo engano e tortura.

Trecho inicial de “Ressurreição”, último romance escrito por Liev Tolstói, lançado pela primeira vez em 1899. Em novembro completam-se 110 anos da morte do autor de outros marcos históricos da literatura mundial como “Guerra e Paz” (1869) e “Anna Kariênina”.

Em recuperação

Imagem: Freepick

Segundo notícia do site Publishnews, pesquisa recente da Nielsen mostra que os números do mercado varejista de livros no país entre os dias 18 de maio e 14 de junho voltaram a patamares próximos ao registrado no mesmo período do ano passado. Foram vendidos 2,85 milhões de exemplares, gerando faturamento estimado em R$ 112 milhões. Ainda de acordo com o site, em números relativos, houve queda de 5,5% em volume de vendas e de 3,16% em valor. Quando comparados com os números do período anterior, foram registrados crescimento de 32% em número de exemplares e de 31,4% no faturamento do setor. Segundo o presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros, Marcos da Veiga Pereira, a quase totalidade das vendas vêm sendo realizadas por meio do comércio eletrônico.