3×4 da Bienal de SP

BIENAL-2018

Matéria recente do “Caderno 2” do Estadão faz um balanço da Bienal Internacional de São Paulo, encerrada domingo passado, e mostra que além de mais pessoas circulando nos corredores do Anhembi, o evento teve menos expositores (197 este ano contra 280 na edição de 2016) e maior valor do gasto médio dos visitantes (cerca de R$ 160 contra R$ 121). Entre outros participantes ouvidos pela reportagem, a editora Sextante estimava, naquele momento, vendas 50% superiores às registradas em 2016; a Record falava em crescimento da ordem de 20% nas vendas e a Melhoramentos, de 57%. Entre as que apostavam num empate com relação à Bienal anterior estavam Autêntica e Sesc. Comentou ainda a ausência da Livraria Saraiva e da editora Fundamento, conhecida pelo catálogo voltado para aquele que foi o maior público do evento: o infanto-juvenil.

Literatura perde Naipaul

Naipaul

Para um ano que começou com a morte de Carlos Heitor Cony e continuou levando nomes como Philip Roth e Tom Wolfe, uma nova baixa é lamentada no mundo inteiro. A morte, no sábado passado, do Nobel de Literatura de 2001, V. S. Naipaul. Autor, entre outros de Uma Casa para o Sr. Biswas – escrito quando tinha 29 anos, Naipaul morreu aos 85 anos em Londres.

Abaixo outros títulos de ficção, de Naipaul, em português:

-O Sufrágio de Elvira

-Miguel Street

-Num País Livre

-Guerrilheiros

-A Curva do Rio

-O Enigma da Chegada

-Uma Vida pela Metade

-Sementes Mágicas

Os brasileiros do Século XXI

Mal entramos no XXI e já temos listas dos melhores do século. Abaixo a seleção da Revista Bula, que realizou uma enquete entre seus leitores para indicar os “Melhores romances brasileiros” publicados nestes quase 18 anos recentes. Segundo a Revista, foram lembrados autores de diferentes regiões do Brasil, em especial a Sudeste. “São Paulo foi o estado com o maior número de autores citados, com sete indicações, seguido do Rio de Janeiro, com seis autores indicados, e de Minas Gerais, com quatro. Entre os escritores cujas obras foram selecionadas, apenas quatro não estão vivos: João Ubaldo Ribeiro, Elvira Vigna, Bartolomeu Campos de Queirós e Victor Heringer.”

Os livros com mais de 100 indicações:

1-Pornopopéia, Reinaldo Moraes – 2009

2-O Filho Eterno, Cristóvão Tezza – 2007

Mais de 80 indicações:

3-Cinzas do Norte, Milton Hatoum – 2005

4-Eu Receberia as Piores Notícias dos seus Lindos Lábios, Marçal Aquino – 2005

Mais de 60 indicações:

5-Barba Ensopada de Sangue, Daniel Galera – 2012

6-O Drible, Sérgio Rodrigues – 2013

7-Sinfonia em Branco, Adriana Lisboa – 2001

Mais de 40 indicações

8-Nove Noites, Bernardo Carvalho – 2002

9-O Amor dos Homens Avulsos, Victor Heringer – 2016

10-Como se Estivéssemos em Palimpsesto de Putas, Elvira Vigna – 2016

11-Eles eram Muitos Cavalos, Luiz Ruffato – 2001

12-Budapeste, Chico Buarque – 2003

Mais de 30 indicações:

13-O Azul do Filho Morto, Marcelo Mirisola – 2002

14-O Cheiro do Ralo, Lourenço Mutarelli – 2002

15-O Albatroz Azul, João Ubaldo Ribeiro – 2009

Mais de 20 indicações:

16-Vermelho Amargo, Bartolomeu Campos de Queirós – 2011

17-Noite Dentro da Noite, Joca Reiners Terron – 2017

18-Naqueles Morros, Depois da Chuva, Edival Lourenço – 2011

19-A Máquina de Madeira, Miguel Sanches Neto – 2012

20-K: Relato de uma Busca, Bernardo Kucinski – 2014

21-Fé na Estrada, Dodô Azevedo – 2012

22-Antiterapias, Jacques Fux – 2012

23-Presos no Paraíso, Carlos Marcelo – 2017

24-Minúsculos Assassinatos e Alguns Copos de Leite, Fal Azevedo – 2008

25-Pelo Fundo da Agulha, Antônio Torres – 2006

Elizabeth no Rio

Bishop

Considerada uma das maiores poetas de língua inglesa do Século XX, a americana Elizabeth Bishop (1911-1979) viveu por um período no Brasil, principalmente em Petrópolis, onde morava com a arquiteta brasileira Lota de Macedo Soares. Em 1956, enquanto ainda vivia no país, recebeu o Prêmio Pulitzer pelo livro North & South — A Cold Spring. 

Cadela Rosada

Sol forte, céu azul. O Rio sua.
Praia apinhada de barracas. Nua,
passo apressado, você cruza a rua.

Nunca vi um cão tão nu, tão sem nada,
sem pêlo, pele tão avermelhada…
Quem a vê até troca de calçada.

Têm medo da raiva. Mas isso não
é hidrofobia — é sarna. O olhar é são
e esperto. E os seus filhotes, onde estão?

(Tetas cheias de leite.) Em que favela
você os escondeu, em que ruela,
pra viver sua vida de cadela?

Você não sabia? Deu no jornal:
pra resolver o problema social,
estão jogando os mendigos num canal.

E não são só pedintes os lançados
no rio da Guarda: idiotas, aleijados,
vagabundos, alcoólatras, drogados.

Se fazem isso com gente, os estúpidos,
com pernetas ou bípedes, sem escrúpulos,
o que não fariam com um quadrúpede?

A piada mais contada hoje em dia
é que os mendigos, em vez de comida,
andam comprando bóias salva-vidas.

Você, no estado em que está, com esses peitos,
jogada no rio, afundava feito
parafuso. Falando sério, o jeito

mesmo é vestir alguma fantasia.
Não dá pra você ficar por aí à
toa com essa cara. Você devia

pôr uma máscara qualquer. Que tal?
Até a quarta-feira, é Carnaval!
Dance um samba! Abaixo o baixo-astral!

Dizem que o Carnaval está acabando,
culpa do rádio, dos americanos…
Dizem a mesma bobagem todo ano.

O Carnaval está cada vez melhor!
Agora, um cão pelado é mesmo um horror…
Vamos, se fantasie! A-lá-lá-ô…!

PINK DOG

The sun is blazing and the sky is blue.
Umbrellas clothe the beach in every hue.
Naked, you trot across the avenue.

Oh, never have I seen a dog so bare!
Naked and pink, without a single hair…
Startled, the passersby draw back and stare.

Of course they’re mortally afraid of rabies.
You are not mad; you have a case of scabies
but look intelligent. Where are your babies?

(A nursing mother, by those hanging teats.)
In what slum have you hidden them, poor bitch,
while you go begging, living by your wits?

Didn’t you know? It’s been in all the papers,
to solve this problem, how they deal with beggars?
They take and throw them in the tidal rivers.

Yes, idiots, paralytics, parasites
go bobbing int the ebbing sewage, nights
out in the suburbs, where there are no lights.

If they do this to anyone who begs,
drugged, drunk, or sober, with or without legs,
what would they do to sick, four-legged dogs?

In the cafés and on the sidewalk corners
the joke is going round that all the beggars
who can afford them now wear life preservers.

In your condition you would not be able
even to float, much less to dog-paddle.
Now look, the practical, the sensible

solution is to wear a fantasía.
Tonight you simply can’t afford to be a-
n eyesore… But no one will ever see a

dog in máscara this time of year.
Ash Wednesday’ll come but Carnival is here.
What sambas can you dance? What will you wear?

They say that Carnival’s degenerating
 radios, Americans, or something,
have ruined it completely. They’re just talking.

Carnival is always wonderful!
A depilated dog would not look well.
Dress up! Dress up and dance at Carnival!