O espetáculo dos colibris

Lançado este ano pela Editora Marte, “Beija-Flores do Brasil” é pauta de edição recente da revista Época. Com textos de Luís Fábio Silveira e ilustrações do mineiro de Ponte Nova, Eduardo Parentoni Bretas – considerado um dos melhores pintores de aves do país, o livro aborda a “dura vida” de uma ave que voa quase ininterruptamente durante todo o dia, atinge quase 80 quilômetros por hora e cujo coração alcança 1.200 batimentos por minuto. Para efeito de comparação , como lembra a matéria assinada por Ana Lucia Azevedo, o o coração humano bate de 60 a 100 vezes por minuto.

Para ilustrar todo o esplendor das 87 espécies encontradas na natureza brasileira, Bretas lançou mão de uma paleta composta por mais de 2 mil cores. Abaixo um “book trailer” do livro.

 

Extermínio de leitores em SP

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Notícia (triste) que chega pelo UOL. O número de acesso a livros despencou na maior cidade do país graças à interrupção de um projeto que levava livro de maneira gratuita aos quatro cantos da cidade. Criados pelo escritor Mário de Andrade em 1936 quando era diretor do Departamento de Cultura da Prefeitura de São Paulo, os ônibus-bibliotecas foram mantidos em circulação de maneira ininterrupta até o final de 2015, quando  garantiram o acesso de cerca de 628 mil pessoas a livros, revistas e jornais, num total de 4 mil itens. Naquele  momento, eram 12 ônibus percorrendo 72 diferentes rotas.

Em 2015, somado às consultas nas bibliotecas públicas, o número de acessos foi de cerca de 1,5 milhão. Segundo a reportagem, no ano passado, primeiro período inteiro de paralisação total da iniciativa, as consultas, agora restritas às bibliotecas, caíram para cerca de 648 mil. Ou seja, reduziu-se praticamente pela metade o acesso gratuito e facilitado aos livros para pessoas que precisaram deles até para prestar concursos. Os mandatários locais garantiram à reportagem que a suspensão é uma questão orçamentária/burocrática/etc. etc. mas que os ônibus voltarão a circular.

A Odisseia em argila

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Conforme anúncio feito essa semana pelo ministro da Cultura da Grécia, arqueólogos descobriram o que acreditam ser o mais antigo fragmento do poema épico “Odisseia”, de Homero. Uma equipe de pesquisadores gregos e alemães teriam encontrado o fragmento em uma placa de argila entalhada na antiga Olímpia, berços dos jogos olímpicos localizado na península do Peloponeso. A placa contém 13 versos do Canto 14 da “Odisseia”. A obra tem 12.109 linhas de poesia contando a história de Ulisses, rei de Ítaca, que vaga durante 10 anos tentando voltar para casa após a queda de Tróia. A “Odisseia”, conforme assinalado nas notícias divulgadas pela imprensa mundial, é o segundo grande poema atribuído a Homero. O outro é a “Ilíada”. Ambos são considerados duas das maiores obras da literatura mundial em todos os tempos.

Lições de Malala no Brasil

Malala

Cercada não só por seguranças – eram pelo menos 16 deles armados acompanhando a jovem Prêmio Nobel da Paz (2014) em uma ida a um restaurante no Rio, mas também por marcas e projetos promocionais do Banco Itaú à sua editora no país, a Companhia das Letras, Malala Yousafzai visitou o Brasil nesta semana.

A paquistanesa, de 21 anos,  foi a pessoa mais jovem a ganhar o Nobel da Paz em toda história do prêmio, tinha 17 anos à época, e virou referência global da luta por educação e igualdade de gênero.

Militante desde os 11 anos,  aos 15 foi alvo de um atentado do grupo extremista islâmico Taleban, que proibia garotas de frequentar a escola. Um taleban invadiu um ônibus procurando por ela e atirou em sua cabeça.

É a primeira visita de Malala ao Brasil, onde veio promover o trabalho de sua Malala Fund, em expansão na América Latina. A organização, fundada por ela e por seu pai em 2013 para promover a educação de meninas no mundo, movimenta US$ 10 milhões (R$ 39 milhões) ao ano e deve investir US$ 700 mil (R$ 2,7 milhões) em três jovens ativistas pela educação de diferentes partes do Brasil. O objetivo é incluir na vida escolar os cerca de 1,5 milhão de meninas que não têm acesso a educação no Brasil.

Abaixo trechos de falas de Malala:

“O governo e as autoridades do país têm de se posicionar para assegurar o acesso dos brasileiros à educação, sem medo e sem riscos. A gente subestima o poder de nossas vozes, e essa é a primeira barreira que temos de enfrentar.” Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo.

“Eles acharam que as balas nos silenciariam, mas falharam. E, do silêncio, surgiram milhares de vozes.” Em discurso nas Nações Unidas dez mesesapós o atentado e um ano antes do Nobel da Paz.

“A minha melhor vingança será educar a todos, inclusive as filhas e irmãs daqueles que me atacaram.” Na entrevista à Folha.