Novas biografias no forno

Uma das melhores notícias que se podia ler no final de semana estava no Eu&Fim de Semana, do Valor Econômico. Depois dos episódios medievais ocorridos na história recente envolvendo biografados e/ou familiares de personalidades públicas do país, como o cantor Roberto Carlos, uma nova safra de biografias deve sair do forno em 2018. Segundo matéria assinada por Daniel Salles, estimulados pela decisão do STF, de 2015, que, por unanimidade, considerou inconstitucional a exigência de autorização prévia de biografados ou herdeiros para publicação comercial de biografias, as editoras resolveram tirar da gaveta diversos projetos que vinham sendo adiados pela insegurança que cercava esse mercado. Ou que ainda cerca, uma vez que a Lei das Biografias ainda tramita no Congresso Nacional.

Entre as novas biografias anunciadas estão a do desenhista, humorista, dramaturgo, escritor, poeta, tradutor e, ufa, jornalista, Millôr Fernandes, morto em 2012, prometida pela editora Todavia; a nova versão da biografia do Rei, escrita pelo jornalista Paulo Cesar Araújo – a primeira foi tirada de circulação pelo biografado – com lançamento previsto para o segundo semestre pela Planeta; e quatro outras de peso, todas pela Companhia das Letras: Carlos Drummond de Andrade, do jornalista Humberto Werneck (autor de outra celebrada biografia, do compositor Jayme Ovalle, editada pela extinta Cosac Naify); Silvio Santos, de autoria de Ricardo Valladares; Tiradentes, de Lucas Figueiredo e Samuel Weiner, de Karla Monteiro.

Que venham muitas outras.

 

 

Beleza que resiste no Rio

Dois dos maiores patrimônios brasileiros surgidos na então capital do império, embora um tanto combalidos e corroídos pelos maus tratos e pelo descaso das nossas autoridades ao longo de dois séculos, seguem pulsando na região central do Rio de Janeiro, a Biblioteca Nacional e o Real Gabinete Português de Leitura.
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Maior biblioteca da América Latina, a Biblioteca Nacional é um dos principais patrimônios do país e já foi considerada pela UNESCO uma das dez maiores bibliotecas nacionais do mundo. O núcleo original de seu acervo, calculado hoje em cerca de dez milhões de itens, é a antiga livraria de D. José organizada para substituir a Livraria Real, cuja origem remontava às coleções de livros de D. João I e de seu filho D. Duarte, e que foi consumida pelo incêndio que se seguiu ao terremoto de Lisboa em 1755.
O acervo inicial chegou ao Brasil em 1808 trazido por um D. João VI em fuga das tropas de Napoleão Bonaparte. Junto com a comitiva desembarcaram cerca de 60 mil peças, entre livros, manuscritos, mapas, estampas, moedas e medalhas. Dois anos depois, por força de decreto do governo imperial, a Real Biblioteca é aberta a estudiosos. Passada pouco mais de uma década, dá-se início ao que é hoje a Lei do Depósito Legal. A partir dessa data, a BN passa a receber um exemplar de todas as obras, folhas periódicas e volantes impressos na Tipografia Nacional.

 

Com a proclamação da República, D. Pedro II retorna a Portugal e, antes de partir, doa um conjunto de aproximadamente 100 mil obras à Biblioteca. A “Collecção D. Thereza Christina Maria” reúne livros, publicações seriadas, mapas, partituras, desenhos, estampas, fotografias, litografias e outros documentos impressos e manuscritos.

Em 1905 é lançada a pedra fundamental do atual prédio da Biblioteca Nacional, localizado na então majestosa Avenida Central, hoje Avenida Rio Branco.  Dois anos depois, em 1907, é promulgado pelo presidente da República Afonso Augusto Moreira Pena o Decreto de Contribuição Legal, que obriga o envio à Biblioteca de um exemplar de todas as publicações produzidas em território nacional. A legislação está até hoje em vigor, sob a forma da Lei nº 10.994 de 14 de dezembro de 2004.

Em 1910 é inaugurado o novo prédio da BN, um edifício de estilo eclético, no qual se mesclam elementos neoclássicos e de art nouveau.

 

REal Gabinete de Leitura

Real Gabinete Português de Leitura foi fundado em 1837 por um grupo de quarenta e três imigrantes portugueses refugiados políticos, para promover a cultura entre a comunidade portuguesa na então capital do Império.  A atual sede, erguida entre os anos de 1880 e 1887 em estilo manuelino, foi projetada pelo arquiteto português Rafael da Silva e Castro.

D. Pedro II (1831–1889) lançou a pedra fundamental do edifício em 10 de junho de 1880, e sua filha, a princesa Isabel e seu marido, o conde d´Eu inauguraram o Gabinete em 10 de setembro de 1887.  A fachada, inspirada no Mosteiro dos Jerónimos de Lisboa e trazida de lá de navio para o Rio, conta com quatro estátuas, de Pedro Álvares Cabral, Luís de Camões, do Infante D. Henrique e de Vasco da Gama, e medalhões retratando os escritores Fernão Lopes, Gil Vicente, Alexandre Herculano e Almeida Garret.

O interior também segue o estilo neomanuelino nas portadas, estantes de madeira para os livros e monumentos comemorativos. O teto do Salão de Leitura tem um belo candelabro  e uma claraboia em estrutura de ferro, o primeiro exemplar desse tipo de arquitetura no Brasil.  Aberta ao público desde 1900, a biblioteca do Real Gabinete possui a maior coleção de obras portuguesas fora de Portugal. Entre os cerca de 350 mil volumes,  obras raras como uma edição “princeps” de  Os Lusíadas de Camões (1572).

A lua de Baudelaire

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Charles Baudelaire – 1849 por Gustave Courbet

Tristezas da lua

Divaga em meio à noite a lua preguiçosa;
Como uma bela, entre coxins e devaneios,
Que afaga com a mão discreta e vaporosa,
Antes de adormecer, o contorno dos seios.

No dorso de cetim das tenras avalanchas,
Morrendo, ela se entrega a longos estertores,
E os olhos vai pousando sobre as níveas manchas
Que no azul desabrocham como estranhas flores.

Se às vezes neste globo, ébria de ócio e prazer,
Deixa ela uma furtiva lágrima escorrer,
Um poeta caridoso, ao sono pouco afeito,

No côncavo das mãos toma essa gota rala,
De irisados reflexos como um grão de opala,
E bem longe do sol a acolhe no seu peito.

 

Tristesses de la lune

Ce soir, la lune rêve avec plus de paresse ;
Ainsi qu’une beauté, sur de nombreux coussins,
Qui d’une main distraite et légère caresse
Avant de s’endormir le contour de ses seins,

Sur le dos satiné des molles avalanches,
Mourante, elle se livre aux longues pâmoisons,
Et promène ses yeux sur les visions blanches
Qui montent dans l’azur comme des floraisons.

Quand parfois sur ce globe, en sa langueur oisive,
Elle laisse filer une larme furtive,
Un poète pieux, ennemi du sommeil,

Dans le creux de sa main prend cette larme pâle,
Aux reflets irisés comme un fragment d’opale,
Et la met dans son coeur loin des yeux du soleil.

 

 Charles Baudelaire – 1821 – 1867

As livrarias mais incríveis

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Para estrear a pauta livrarias, duas já visitadas e uma na lista de espera.

Dizia-se há algum tempo que Buenos Aires sozinha tinha mais lojas de livros que em todo território brasileiro. Não importa. A cidade tem sim a livraria mais bela do continente, El Ateneo Gran Splendid. Há alguns anos, o londrino The Guardian a elegeu a segunda livraria mais bonita do mundo, perdendo apenas para a holandesa Selexyz Dominicanen Boekhandel. El Ateneo ocupa um antigo teatro, mantendo ainda a cúpula e os balcões originais, e um estoque de cerca de 120 mil livros em suas prateleiras, até alguns anos atrás pouquíssimos de escritores brasileiros. No palco que já recebeu celebridades do porte de Carlos Gardel agora é possível tomar um café a apreciar um ângulo de visão até então restrito aos artistas que se apresentavam no local. Com a vantagem de que, se quiser, você pode passar a tarde inteira ali diante de uma xícara sem ser abordado.

Como há outras lojas da Ateneo na cidade, vale ressaltar que a Grand Splendid fica na Avenida Santa Fe onde dá para chegar facilmente de metrô. 

Um pouco mais distante, na cidade do Porto, em Portugal, outra obrigatória em todas as listas das mais incríveis, a Lello e Irmão (www.livrarialello.pt). A história da livraria teve início em 1869 com o editor francês Ernest Chardron – o primeiro a publicar um livro de Camilo Castelo Branco. Mais tarde, adquirida por José Pinto de Sousa Lello passou a ocupar, em 1906, o atual endereço num edifício neogótico cujo interior mistura art nouveau e art déco e  impressiona com elementos como a monumental escada de madeira (que teria inspirado as escadarias de  Hogwarts dos livros da escritora J. K. Rowling, que morou na cidade onde sobrevivia dando aulas de inglês enquanto rascunhava o best-seller A Pedra Filosofal) e os  magníficos vitrais do teto. A partir do “fenômeno Harry Potter”, o local que já era uma das principais atrações da cidade, passou a receber um fluxo estimado de até 4 mil visitantes dia. Para garantir um mínimo de “ambiente de livraria”, a Lello passou a cobrar uma taxa de entrada dos visitantes.

Por fim, mas não menos importante, a Selexyz Dominicanen Boekhandel. A livraria ocupa a Igreja Dominicana de Maastricht, na Holanda, cuja construção no estilo gótico foi iniciada em 1260. Depois de guerras, ocupações e usos diversos – o local chegou a ser estacionamento de bicicletas – a igreja foi restaurada e, a partir de 2006, a Selexyz comprou o prédio e transformou em livraria. O projeto arquitetônico, do escritório Merkx-Girod ganhou o maior prêmio holandês de arquitetura em 2007 e a Selexyz de Maastricht é hoje considerada em muitas listas como a mais bela livraria da Europa. No mosaico a fachada da igreja e o interior com as estantes de livros e o café com a mesa em formato de cruz.

 

A Carta do Descobrimento

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Obra do pintor Victor Meirelles retrata a Primeira Missa no Brasil, celebrada por Henrique de Coimbra, frade e bispo português, na praia da Coroa Vermelha, em Santa Cruz Cabrália, litoral sul da Bahia.

Primeiro documento escrito da história do Brasil, a Carta de Pero Vaz de Caminha ao rei Dom Manuel (1469-1521) comunica a descoberta de novas terras e registra as primeiras impressões sobre o lugar e os primeiros contato com as centenas de índios que habitavam a região. Escrivão da frota de Pedro Álvares Cabral, Caminha assinou a carta direto “deste Porto Seguro” no dia 1 de maio de 1500. O documento foi levado para Portugal por Gaspar de Lemos, comandante do navio de mantimentos da frota e ficou inédita por mais de dois séculos no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, em Lisboa. .

Apesar da extensão quilométrica da carta para os padrões modernos da comunicação em tempo real e de um português de mais de 500 anos atrás, o “esforço” de vencer os 35.345 caracteres pode ser recompensado pelos vislumbres do que nos transformaríamos alguns séculos depois a partir do que herdamos tanto dos indígenas “pardos…sem coisa alguma que lhes cobrisse suas vergonhas” quanto dos portugueses como o próprio Vaz de Caminha, que aproveitou a Carta para tentar livrar um familiar do exílio na África por ter roubado uma igreja católica e agredido um padre. Com a oportunidade de escrever ao rei de Portugal  informando sobre a nova terra, ele não perde a chance de pedir ao rei um jeitinho para garantir o retorno do genro Jorge de Osório a Portugal.

Abaixo trechos da Carta e link para o texto na íntegra.

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A CARTA DE PERO VAZ DE CAMINHA

A Carta do Descobrimento

Senhor:

Posto que o Capitão-mor desta vossa frota, e assim os outros capitães escrevam a Vossa Alteza a nova do achamento desta vossa terra nova, que ora nesta navegação se achou, não deixarei também de dar disso minha conta a Vossa Alteza, assim como eu melhor puder, ainda que — para o bem contar e falar — o saiba pior que todos fazer.

Neste dia, a horas de véspera, houvemos vista de terra! Primeiramente dum grande monte, mui alto e redondo; e doutras serras mais baixas ao sul dele; e de terra chã, com grandes arvoredos: ao monte alto o capitão pôs nome – o Monte Pascoal e à terra – a Terra da Vera Cruz.

Eram pardos, todos nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse suas vergonhas. Nas mãos traziam arcos com suas setas. Vinham todos rijos sobre o batel; e Nicolau Coelho lhes fez sinal que pousassem os arcos. E eles os pousaram.

A feição deles é serem pardos, maneira de avermelhados, de bons rostos e bons narizes, bem-feitos. Andam nus, sem nenhuma cobertura. Nem estimam de cobrir ou de mostrar suas vergonhas; e nisso têm tanta inocência como em mostrar o rosto. Ambos traziam os beiços de baixo furados e metidos neles seus ossos brancos e verdadeiros, de comprimento duma mão travessa, da grossura dum fuso de algodão, agudos na ponta como um furador. Metem-nos pela parte de dentro do beiço; e a parte que lhes fica entre o beiço e os dentes é feita como roque de xadrez, ali encaixado de tal sorte que não os molesta, nem os estorva no falar, no comer ou no beber.

Mostraram-lhes um papagaio pardo que o Capitão traz consigo; tomaram-no logo na mão e acenaram para a terra, como quem diz que os havia ali. Mostraram-lhes um carneiro: não fizeram caso. Mostraram-lhes uma galinha, quase tiveram medo dela: não lhe queriam pôr a mão; e depois a tomaram como que espantados.

Muitos deles ou quase a maior parte dos que andavam ali traziam aqueles bicos de osso nos beiços. E alguns, que andavam sem eles, tinham os beiços furados e nos buracos uns espelhos de pau, que pareciam espelhos de borracha; outros traziam três daqueles bicos, a saber, um no meio e os dois nos cabos. Aí andavam outros, quartejados de cores, a saber, metade deles da sua própria cor, e metade de tintura preta, a modos de  azulada; e outros quartejados de escaques. Ali andavam entre eles três ou quatro moças, bem moças e bem gentis, com cabelos muito pretos, compridos pelas espáduas, e  suas vergonhas tão altas, tão cerradinhas e tão limpas das cabeleiras que, de as muito bem olharmos, não tínhamos nenhuma vergonha.

Ao domingo de Pascoela pela manhã, determinou o Capitão de ir ouvir missa e pregação naquele ilhéu. Mandou a todos os capitães que se aprestassem nos batéis e fossem com ele. E assim foi feito. Mandou naquele ilhéu armar um esperavel, e dentro dele um altar mui bem corregido. E ali com todos nós outros fez dizer missa, a qual foi dita pelo padre frei Henrique, em voz entoada, e oficiada com aquela mesma voz pelos outros padres e sacerdotes, que todos eram ali.  

Também andava aí outra mulher moça com um menino ou menina ao colo, atado com um pano (não sei de quê) aos peitos, de modo que apenas as perninhas lhe apareciam. Mas as pernas da mãe e o resto não traziam pano algum.

Além do rio, andavam muitos deles dançando e folgando, uns diante dos outros, sem se tomarem pelas mãos. E faziam-no bem. Passou-se então além do rio Diogo Dias, almoxarife que foi de Sacavém, que é homem gracioso e de prazer; e levou consigo um gaiteiro nosso com sua gaita. E meteu-se com eles a dançar, tomando-os pelas mãos; e eles folgavam e riam, e andavam com ele muito bem ao som da gaita. Depois de dançarem, fez-lhes ali, andando no chão, muitas voltas ligeiras, e salto real, de que eles se espantavam e riam e folgavam muito. E conquanto com aquilo muito os segurou e afagou, tomavam logo uma esquiveza como de animais monteses, e foram-se para cima.

Mandou o Capitão aquele degredado Afonso Ribeiro, que se fosse outra vez com eles. Ele foi e andou lá um bom pedaço, mas à tarde tornou-se, que o fizeram eles vir e não o quiseram lá consentir. E deram-lhe arcos e setas; e não lhe tomaram nenhuma coisa do seu. Antes – disse ele – que um lhe tomara umas continhas amarelas, que levava, e fugia com elas, e ele se queixou e os outros foram logo após, e lhas tomaram e tornaram-lhas a dar; e então mandaram-no vir. Disse que não vira lá entre eles senão umas choupaninhas de rama verde e de fetos muito grandes, como de Entre Douro e Minho.

E, segundo diziam esses que lá foram, folgavam com eles. Neste dia os vimos mais de perto e mais à nossa vontade, por andarmos quase todos misturados. Ali, alguns andavam daquelas tinturas quartejados; outros de metades; outros de tanta feição, como em panos de armar, e todos com os beiços furados, e muitos com os ossos neles, e outros sem ossos.

Estavam na praia, quando chegamos, obra de sessenta ou setenta sem arcos e sem nada. Tanto que chegamos, vieram logo para nós, sem se esquivarem. Depois acudiram muitos, que seriam bem duzentos, todos sem arcos; e misturaram-se todos tanto conosco que alguns nos ajudavam a acarretar lenha e a meter nos batéis. E lutavam com os nossos e tomavam muito prazer.

Andavam já mais mansos e seguros entre nós, do que nós andávamos entre eles.

Ali ficamos um pedaço, bebendo e folgando, ao longo dela, entre esse arvoredo, que é tanto, tamanho, tão basto e de tantas prumagens, que homens as não podem contar. Há entre ele muitas palmas, de que colhemos muitos e bons palmitos.

E portanto, se os degredados, que aqui hão de ficar aprenderem bem a sua fala e os entenderem, não duvido que eles, segundo a santa intenção de Vossa Alteza, se hão de fazer cristãos e crer em nossa santa fé, à qual praza a Nosso Senhor que os traga, porque, certo, esta gente é boa e de boa simplicidade. E imprimir-se-á ligeiramente neles qualquer cunho, que lhes quiserem dar. E pois Nosso Senhor, que lhes deu bons corpos e bons rostos, como a bons homens, por aqui nos trouxe, creio que não foi sem causa. 

Águas são muitas; infindas. E em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo, por bem das águas que tem.

E pois que, Senhor, é certo que, assim neste cargo que levo, como em outra qualquer coisa que de vosso serviço for, Vossa Alteza há de ser de mim muito bem servida, a Ela peço que, por me fazer singular mercê, mande vir da ilha de São Tomé a Jorge de Osório, meu genro – o que d’Ela receberei em muita mercê.

Beijo as mãos de Vossa Alteza.

Deste Porto Seguro, da Vossa Ilha de Vera Cruz, hoje, sexta-feira, primeiro dia de maio de 1500.

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