Beleza que resiste no Rio

Dois dos maiores patrimônios brasileiros surgidos na então capital do império, embora um tanto combalidos e corroídos pelos maus tratos e pelo descaso das nossas autoridades ao longo de dois séculos, seguem pulsando na região central do Rio de Janeiro, a Biblioteca Nacional e o Real Gabinete Português de Leitura.
bibliotecanacional
Maior biblioteca da América Latina, a Biblioteca Nacional é um dos principais patrimônios do país e já foi considerada pela UNESCO uma das dez maiores bibliotecas nacionais do mundo. O núcleo original de seu acervo, calculado hoje em cerca de dez milhões de itens, é a antiga livraria de D. José organizada para substituir a Livraria Real, cuja origem remontava às coleções de livros de D. João I e de seu filho D. Duarte, e que foi consumida pelo incêndio que se seguiu ao terremoto de Lisboa em 1755.
O acervo inicial chegou ao Brasil em 1808 trazido por um D. João VI em fuga das tropas de Napoleão Bonaparte. Junto com a comitiva desembarcaram cerca de 60 mil peças, entre livros, manuscritos, mapas, estampas, moedas e medalhas. Dois anos depois, por força de decreto do governo imperial, a Real Biblioteca é aberta a estudiosos. Passada pouco mais de uma década, dá-se início ao que é hoje a Lei do Depósito Legal. A partir dessa data, a BN passa a receber um exemplar de todas as obras, folhas periódicas e volantes impressos na Tipografia Nacional.

 

Com a proclamação da República, D. Pedro II retorna a Portugal e, antes de partir, doa um conjunto de aproximadamente 100 mil obras à Biblioteca. A “Collecção D. Thereza Christina Maria” reúne livros, publicações seriadas, mapas, partituras, desenhos, estampas, fotografias, litografias e outros documentos impressos e manuscritos.

Em 1905 é lançada a pedra fundamental do atual prédio da Biblioteca Nacional, localizado na então majestosa Avenida Central, hoje Avenida Rio Branco.  Dois anos depois, em 1907, é promulgado pelo presidente da República Afonso Augusto Moreira Pena o Decreto de Contribuição Legal, que obriga o envio à Biblioteca de um exemplar de todas as publicações produzidas em território nacional. A legislação está até hoje em vigor, sob a forma da Lei nº 10.994 de 14 de dezembro de 2004.

Em 1910 é inaugurado o novo prédio da BN, um edifício de estilo eclético, no qual se mesclam elementos neoclássicos e de art nouveau.

 

REal Gabinete de Leitura

Real Gabinete Português de Leitura foi fundado em 1837 por um grupo de quarenta e três imigrantes portugueses refugiados políticos, para promover a cultura entre a comunidade portuguesa na então capital do Império.  A atual sede, erguida entre os anos de 1880 e 1887 em estilo manuelino, foi projetada pelo arquiteto português Rafael da Silva e Castro.

D. Pedro II (1831–1889) lançou a pedra fundamental do edifício em 10 de junho de 1880, e sua filha, a princesa Isabel e seu marido, o conde d´Eu inauguraram o Gabinete em 10 de setembro de 1887.  A fachada, inspirada no Mosteiro dos Jerónimos de Lisboa e trazida de lá de navio para o Rio, conta com quatro estátuas, de Pedro Álvares Cabral, Luís de Camões, do Infante D. Henrique e de Vasco da Gama, e medalhões retratando os escritores Fernão Lopes, Gil Vicente, Alexandre Herculano e Almeida Garret.

O interior também segue o estilo neomanuelino nas portadas, estantes de madeira para os livros e monumentos comemorativos. O teto do Salão de Leitura tem um belo candelabro  e uma claraboia em estrutura de ferro, o primeiro exemplar desse tipo de arquitetura no Brasil.  Aberta ao público desde 1900, a biblioteca do Real Gabinete possui a maior coleção de obras portuguesas fora de Portugal. Entre os cerca de 350 mil volumes,  obras raras como uma edição “princeps” de  Os Lusíadas de Camões (1572).

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