O bicentenário do monstro

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Frankenstein

Considerada a primeira obra de ficção da história, Frankenstein está fazendo 200 anos. O livro de Mary Shelley (1797-1851) foi lançado pela editora britânica Lackington, Hughes, Harding, Mavor & Jones em 1818. O romance de terror gótico que virou um clássico da literatura mundial foi escrito por Shelley quando ela tinha apenas 19 anos e, dois séculos depois, continua influenciando toda a cultura popular ocidental.

Frankenstein or the Modern Prometheus, no original em inglês, teria surgido de uma espécie de disputa entre Shelley, seu marido Percy (uma história de amor à primeira vista iniciada na livraria do pai de Mary), a meia-irmã Claire Clairmont e George Gordon Byron (Lord Byron), amigo de Shelley e amante de Claire. Era 1816 e naquele “ano sem verão”, o grupo estava em viagem de férias na Suíça. Aprisionados em casa pelas inesperadas tempestades, a atividade predileta do grupo era ler histórias de fantasmas à luz de velas. Foi numa dessas sessões que Byron desafiou cada um a inventar sua própria história. De uma tacada sairam duas  que iriam influenciar toda a cultura ocidental nos séculos seguintes.

Fazia parte do grupo também o médico e escritor John William Polidori, hóspede de Byron que participava das conversas em volta da lareira e que foi quem teve êxito mais rapidamente. Criou um conto inteiro – “The Vampyre”, que apresentou pela primeira vez a personagem literária do vampiro tal e qual como a conhecemos hoje em dia.

Mary, por sua vez, incapaz inicialmente de “apresentar uma ideia” ao grupo, depois de uma noitada de discussões sobre doutrinas filosóficas,  tem enfim a inspiração para sua história. “Aconteceu numa noite sombria de novembro…um jovem estudante de medicina, Victor Frankenstein, decide criar um monstro a partir de cadáveres que roubava de cemitérios e hospitais. Graças a uma máquina por ele criada, consegue dar vida ao ser, que depois se revolta contra a sua triste condição, perseguindo o seu criador até à morte.” Incentivada pelo marido a desenvolver a história,  dois anos depois ela lançava seu Frankenstein. O livro, elogiado por autores do calibre de Walter Scott, foi um grande e imediato sucesso.

Ao longo das últimas décadas,  foi adaptado inúmeras vezes para o cinema e se tornou uma das histórias de terror mais populares de todos os tempos, ao lado de Drácula, que por sua vez teria sido inspirado no “The Vampyre”, de Polidori.  A adaptação mais famosa sobre o monstro (de cor amarela no original de Mary) é a de 1931, com Boris Karloff no papel-título.

Mais que um clássico do terror, o livro, como toda boa ficção científica, trata de questões éticas cada vez mais na pauta do século XXI, como o uso do conhecimento e a criação de vida artificial.

A obra está em domínio público e pode ser lida em vários sites da internet.

 

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