Livros na rede

Com poucos toques no teclado do computador pode-se ter acesso à obras incríveis que, muitas vezes, não estão nem nas melhores livrarias nem nas maiores bibliotecas. Em português, tem da obra completa de Machado de Assis a manuscritos de José Saramago passando pela Biblioteca Brasiliana do casal Guita e José Mindlin doada à USP. São milhares de obras, ilustrações, fotos e documentos que podem ser lidos de maneira legal e gratuita.  Abaixo os cinco mais de lista  publicada no site Catraca Livre.

Brasiliana – Livros raros e documentos históricos, manuscritos e imagens.

Casa de José de Alencar –Download gratuito 14 obras, incluindo romances e peças de teatro.

Portal Domínio Público – Download gratuito de mais de 350 obras. De livros de Fernando Pessoa à Divina Comédia em português.

Biblioteca Nacional de Portugal – O site da BNP traz biblioteca digital com milhares de romances, poemas, dicionários, mapas, partituras e muito mais.

Machado de Assis – Criado pelo MEC, disponibiliza a obra completa do escritor.

Foto Aqueduto RJ - Marc Ferrez
Aqueduto do Rio de Janeiro em foto de 1896 do fotógrafo Marc Ferrez, disponível no site Domínio Público.

O máximo no mínimo

Basho_by_Kinkoku_c1820.jpg

Haikai é uma forma de poesia que, como de resto a maioria das manifestações culturais japonesas, valoriza a concisão e a objetividade. É a arte de dizer o máximo com o mínimo de palavras.  Brevidade e simplicidade em três linhas que ganhou adeptos em diferentes idiomas mundo afora. No Brasil, a arte foi exercida com maestria por nomes como Millôr Fernandes, Paulo Leminski, Mário Quintana e Alice Ruiz.  Na imagem, o poeta do período Edo que consagrou o haikai, Matsuo Bashō (1644-1694).

Quintana 

“Silenciosamente

sem um cacarejo

a Noite põe o ovo da lua…”

 

“Deus tirou o mundo do nada.

Não havia nada mesmo…..

Nem Deus!”

 

Millôr  

“Você pode crer

O pior cego

É o que quer ver.”

 

“Viva o Brasil

onde o ano inteiro

é primeiro de abril.”

 

“Eu sofro de mimfobia

tenho medo de mim mesmo

mas me enfrento todo dia.”

 

 

Vou-me embora

Portinari Meninos+soltando+pipas

O pernambucano Manuel Bandeira (1886-1968) foi poeta. crítico literário, cronista, professor e tradutor de Shakespeare a Brecht. Abaixo a clássica “Vou-me embora pra Pasárgada”, publicada no livro Libertinagem, de 1930.

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d’água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.

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