Música e poesia para Orfeu

Na mitologia grega, ele era poeta e médico, filho da musa Calíope e de Apolo ou Éagro, rei da Trácia. “Era o poeta mais talentoso que já viveu. Quando tocava sua lira que seu pai lhe deu, os pássaros paravam de voar para escutar e os animais selvagens perdiam o medo. As árvores se curvavam para pegar os sons no vento.”

Orfeu na obra do compositor alemão Christoph Willibald Gluck (1714-1787) – executada pelo pianista brasileiro Nelson Freire – e nos versos de Olavo Bilac (1865-1918).

A Morte de Orfeu

“Em vão as bacantes da Trácia procuram
consolá-lo. Mas Orfeu, fiel ao amor de
Eurídice, encarcerada no Averno, repeliu
o amor de todas as outras mulheres.
E estas, despeitadas, esquartejaram-no.”
Houve gemidos no Ebro* e no arvoredo,
Horror nas feras, pranto no rochedo;
E fugiras as Mênadas**, de medo,
Espantadas da própria maldição.

Luz da Grécia, pontífice de Apolo,
Orfeu, despedaçada a lira ao colo,
A carne rota ensangüentando o solo,
Tombou… E abriu-se em músicas o chão…

A boca ansiosa em nome disse, um grito,
Rolando em beijos pelo nome dito;
“Eurídice”, e expirou… Assim Orfeu,

No último canto, no supremo brado,
Pelo ódio das mulheres trucidado,
Chorando o amor de uma mulher, morreu…

 

*Um dos maiores rios da Península Ibérica.

**Ninfas seguidoras do culto de Dioniso (ou Baco, na mitologia romana). Eram conhecidas como selvagens e endoidecidas, de quem não se conseguia um raciocínio claro.

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