Um ‘clown’ mineiro

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Hoje completam-se 20 anos de sua morte. Ele foi autor de obras clássicas como A Lua Vem da Ásia (1956), Vaca de Nariz Sutil (1961), A Chuva Imóvel (1963) e O Púcaro Búlgaro (1964), colaborou com jornais como O Pasquim e O Estado de São Paulo e é considerado o maior escritor surrealista brasileiro. Walter Campos de Carvalho (1916-1998) nasceu em Uberaba e, além da qualidade de sua produção literária, se notabilizou também pela aversão à fama e pelo monossilabismo no convívio social.

Abaixo o trecho que abre A Lua Vem da Ásia.

“Aos 16 anos matei meu professor de lógica. Invocando a legítima defesa — e qual defesa seria mais legítima? — logrei ser absolvido por cinco votos a dois, e fui morar sob uma ponte do Sena, embora nunca tenha estado em Paris. Deixei crescer a barba em pensamento, comprei um par de óculos para míope, e passava as noites espiando o céu estrelado, um cigarro entre os dedos. Chamava-me então Adilson, mas logo mudei para Heitor, depois Ruy Barbo, depois finalmente Astrogildo, que é como me chamo ainda hoje, quando me chamo.”

 

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