Tristeza e descrença

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Da série porque me envergonho do meu país. Estamos conseguindo destruir, em média, um grande acervo da nossa memória e cultura a cada ano. Nos últimos dez anos foram sete e agora, com o incêndio na noite de domingo (2/9) do Museu Nacional, no Rio, a estatística atinge oito grandes tragédias. Sem falar na situação de penúria das outras (poucas) grandes instituições culturais do país, como a Biblioteca Nacional, no mesmo Rio de Janeiro, ou o Museu do Ipiranga, fechado há cinco anos, em São Paulo, ou ainda o caso do Museu de Arte Moderna em 1978. O incêndio do MAM reduziu um acervo de mais de mil peças a apenas 50 e foi tão emblemático que, além de queimar telas de Picasso e Miró, entre centenas de outros artistas, colocou o Brasil na lista negra das grandes instituições internacionais, que só nos Anos 90, voltaram a confiar no país como capaz de sediar exposições de grande porte.

A lista da vergonha nacional:

Teatro Cultura Artística (2008) – Inaugurado em 1950 com um concerto de Heitor Villa-Lobos, foi consumido pelas chamas e até hoje não se sabe o que causou o incêndio.

Instituto Butatan (2010) – Mais de cem anos de história e de conhecimento acumulado foram destruídos pelo fogo, bem como um dos principais acervos de répteis do mundo.

Memorial da América Latina (2013) – Um curto-circuito provocou um incêndio que destruiu, entre outros patrimônios, o auditório Simón Bolívar e uma tapeçaria de 800 metros de Tomie Ohtake.

Museu de Ciências Naturais da PUC Minas (2013) – Outro prejuízo científico e cultural incalculável atingiu réplicas, cenários e pisos de uma instituição dona de um dos maiores acervos de fósseis e mamíferos do país.

Centro Cultural Liceu de Artes e Ofícios (2014) – Fundado em 1873, em São Paulo, teve seu galpão centenário destruído pelas chamas e só reabriu suas portas, como centro cultural, no mês passado.

Museu da Língua Portuguesa (2015) – Inaugurado em 2006 e um dos museus mais visitados do continente, teve seus três andares completamente destruídos pelo fogo. Ainda em reconstrução e com previsão de reabertura total no ano que vem.

Cinemateca Brasileira (2016) – Um incêndio destruiu de forma definitiva 270 títulos do acervo da instituição, localizada na capital paulista. Os rolos de filme feitos de nitrato de celulose contribuíram para a tragédia.

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