Celebrando Raimundo Correia

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Para marcar os 107 anos da morte, em Paris, do poeta Raimundo Correia, um de seus clássicos – e hoje quase desconhecido – poemas. Nascido a bordo de um navio ancorado em águas maranhenses em 1859, foi, segundo a Academia Brasileira de Letras (ABL), “um dos mais perfeitos poetas da língua portuguesa, formando com Alberto de Oliveira e Olavo Bilac a famosa Trindade Parnasiana”. Além de poesia, o também magistrado, professor e diplomata deixou obras de crítica, ensaio e crônicas.

As Pombas

Vai-se a primeira pomba despertada…
Vai-se outra mais… mais outra… enfim dezenas
De pombas, vão-se dos pombais, apenas
Raia, sanguínea e fresca, a madrugada…

E, à tarde, quando a rígida nortada
Sopra, aos pombais, de novo, elas serenas,
Ruflando as asas, sacudindo as penas,
Voltam todas em bando e em revoada…

Também dos corações, onde abotoam,
Os sonhos, um por um, céleres voam,
Como voam as pombas dos pombais:

No azul da adolescência as asas soltam,
Fogem… Mas aos pombais as pombas voltam,
E eles ao coração não voltam mais.

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