Essenciais de novembro

A cada final de mês, o Aliás, do Estadão, vem publicando a lista dos títulos “essenciais” do período. Abaixo os selecionados de novembro.

“Rasputin”, Douglas Smith – Companhia das Letras

Biografia do monge que se tornou uma das figuras mais próximas do czar Nicolau II, da Rússia.

“Hesse, The Wanderer and his Shadow”, Gunnar Decker – Harvard

Biografia do escritor alemão Herman Hesse. Em inglês. 

“Grimm”, Jacob e Wilhelm Grimm – Editora 34

Coletânea de fábulas dos irmãos Grimm.

“Tchekhov e os Palcos Brasileiros”, Rodrigo do Nascimento – Perspectiva

Aborda as montagens feitas no Brasil das peças do dramaturgo russo.

“Morrer Sozinho em Berlim”, Hans Fallada – Estação Liberdade

Romance pioneiro ao abordar, em 1947, a vida real de um casal de operários na Alemanha de Hitler.

“As Horas Vermelhas”, Leni Zumas – Planeta

Segundo romance da autora americana tida como uma das mais promissoras do país.

“O Ano do Dilúvio”, Margaret Atwood – Rocco

Segundo livro de uma trilogia que inclui ainda “Oryx e Crake” e “MaddAdão”.

“O Amor, esse Obstáculo”, Micheliny Verunschk  – Patuá

Misto de romance histórico, realismo mágico e prosa poética.

“Beren e Lúthien”, J. R. R. Tolkien – Harper Collins

Um dos poucos escritos inéditos do criador de “O Senhor dos Anéis”, surgiu no rastro da reedição da sua obra completa.

“O Portão do Obelisco”, N. K. Jemisin – Morro Branco

O livro rendeu  um dos três prêmios “Hugo” – o mais importante da área de literatura fantástica – recebidos sequencialmente pela escritora.

O apelo de Schwarcz

Carta de Amor aos Livros*

O livro no Brasil vive seus dias mais difíceis. Nas últimas semanas, as duas principais cadeias de lojas do país entraram em recuperação judicial, deixando um passivo enorme de pagamentos em suspenso.Mesmo com medidas sérias de gestão, elas podem ter dificuldades consideráveis de solução a médio prazo. O efeito cascata dessa crise é ainda incalculável,mas já assustador. O que acontece por aqui vai na maré contrária do mundo.Ninguém mais precisa salvar os livros de seu apocalipse, como se pensava em passado recente. O livro é a única mídia que resistiu globalmente a um processo de disrupção grave. Mas no Brasil de hoje a história é outra. Muitas cidades brasileiras ficarão sem livrarias e as editoras terão dificuldades de escoar seus livros e de fazer frente a um significativo prejuízo acumulado.

As editoras já vêm diminuindo o número de livros lançados, deixando autores de venda mais lenta fora de seus planos imediatos,demitindo funcionários em todas as áreas. Com a recuperação judicial da Cultura e da Saraiva, dezenas de lojas foram fechadas, centenas de livreiros foram despedidos, e as editoras ficaram sem 40% ou mais dos seus recebimentos—gerando um rombo que oferece riscos graves para o mercado editorial no Brasil.

Na Companhia das Letras sentimos tudo isto na pele, já que as maiores editoras são, naturalmente, as grandes credoras das livrarias, e, nesse sentido, foram muito prejudicadas financeiramente. Mas temos como superar a crise: os sócios dessas editoras têm capacidade financeira pessoal de investir em suas empresas, e muitos de nós não só queremos salvar nossos empreendimentos como somos também idealistas e, mais que tudo, guardamos profundo senso de proteção para com nossos autores e leitores.

Passei por um dos piores momentos da minha vida pessoal e profissional quando, pela primeira vez em 32 anos, tive que demitir seis funcionários que faziam parte da Companhia há tempos e contribuíam com sua energia para o que construímos no nosso dia a dia. A editora que sempre foi capaz de entender as pessoas em sua diversidade, olhar para o melhor em cada um e apostar mais no sentimento de harmonia comum que na mensuração da produtividade individual, teve que medir de maneira diversa seus custos, ou simplesmente cortar despesas. Numa reunião para prestar esclarecimentos sobre aquele triste e inédito acontecimento, uma funcionária me perguntou se as demissões se limitariam àquelas seis. Com sinceridade e a voz embargada, disseque não tinha como garantir.

Sem querer julgar publicamente erros de terceiros,mas disposto a uma honesta autocrítica da categoria em geral, escrevo mais esta carta aberta para pedir que todos nós, editores, livreiros e autores,procuremos soluções criativas e idealistas neste momento. As redes de solidariedade que se formaram, de lado a lado, durante a campanha eleitoral talvez sejam um bom exemplo do que se pode fazer pelo livro hoje. Cartas, zaps, e-mails, posts nas mídias sociais e vídeos, feitos de coração aberto, nos quais a sinceridade prevaleça, buscando apoiar os parceiros do livro, com especial atenção a seus protagonistas mais frágeis, são mais que bem-vindos: são necessários. O que precisamos agora, entre outras coisas, é de cartas de amora os livros.

Aos que, como eu, têm no afeto aos livros sua razão de viver, peço que espalhem mensagens; que espalhem o desejo de comprar livros neste final de ano, livros dos seus autores preferidos, de novos escritores que queiram descobrir, livros comprados em livrarias que sobrevivem heroicamente à crise, cumprindo com seus compromissos, e também nas livrarias que estão em dificuldades, mas que precisam de nossa ajuda para se reerguer. Divulguem livros com especialíssima atenção ao editor pequeno que precisa da venda imediata para continuar existindo, pensem no editor humanista que defende a diversidade, não só entre raças, gêneros, credos e ideais, mas também a diversidade entre os livros de ambição comercial discreta e os de ambição de venda mais ampla. Todos os tipos de livro precisam sobreviver. Pensem em como será nossa vida sem os livros minoritários, não só no número de exemplares, mas nas causas que defendem, tão importantes quanto os de larga divulgação. Pensem nos editores que, com poucos recursos, continuam neste ramo que exige tanto de nós e que podem não estar conosco em breve. Cada editora e livraria que fechar suas portas fechará múltiplas outras em nossa vida intelectual e afetiva.

Presentear com livros hoje representa não só a valorização de um instrumento fundamental da sociedade para lutar por um mundo mais justo como a sobrevivência de um pequeno editor ou o emprego de um bom funcionário em uma editora de porte maior; representa uma grande ajuda à continuidade de muitas livrarias e um pequeno ato de amor a quem tanto nos deu,desde cedo: o livro.

*Luiz Schwarcz, editor da Companhia das Letras e escritor.

Sesc reedita tesouro de Mário de Andrade

Índios Pankaruru, de Pernambuco, etnia visitada por missão chefiada por Mário de Andrade, em foto da Fundação Joaquim Nabuco.

Há oitenta anos, o escritor e, naquele momento, chefe do Departamento de Cultura da Prefeitura de São Paulo, Mário de Andrade, liderou uma expedição que percorreu os rincões de diversos estados brasileiros para registrar manifestações culturais espontâneas das comunidades desses lugares.

O resultado desse trabalho desenvolvido por uma equipe muldisciplinar ficou registrado em 21 cadernetas, 14 filmes curtos, cerca de 1.200 fonogramas, 33 horas de gravação, 856 objetos e 600 fotografias. Um tesouro que, conforme matéria recente da Folha de SP, foi colocado ao alcance do público em 2006 na forma de CDs e livro e que rapidamente se esgotou.

O material será novamente disponibilizado por meio de uma parceria do Sesc com o Centro Cultural São Paulo (CCSP). Segundo informou o Sesc na reportagem, o lançamento estava inicialmente previsto para este ano, para marcar os 80 anos da missão, mas acabou ficando para 2019.

“Fenômeno australiano” lança novo livro de ficção

Edição australiana do novo livro de Zusak

Depois de 13 anos de “A Menina que Roubava Livros”, o “arrasa quarteirão” lançado em 2005 e com mais de 16 milhões de cópias vendidas (cerca de 3 milhões delas, no Brasil), o australiano Markus Zusak chega com nova obra ao mercado: “O Construtor de Pontes”. O livro deve estar nas lojas brasileiras no início do ano que vem. Para os assinantes do Clube do Livro da Intrínseca (www.intrinsecos.com.br), estará disponível já no mês que vem. 

São 528 páginas na edição brasileira de uma narrativa que mistura relatos de diferentes gerações da família Dunbar, da infância dos pais dos meninos, Penélope e Michael, à vida adulta dos cinco.

Anne para as novas gerações

Estante que dava acesso à área secreta onde se escondeu, por dois anos, a família Frank

A Casa de Anne Frank, onde a adolescente judia se escondia durante o período do nazismo em Amsterdã e onde escreveu um diário que mais tarde se tornaria um best-seller mundial, acaba de ser reinaugurada após dois anos em obras de modernização. O endereço, na Prinsengracht 263, recebe cerca de 1,2 milhão de pessoas anualmente e foi reformado para atender as novas gerações de visitantes. 

O enredo envolvendo Anne é um fato único na históriada literatura. Ela e sua irmã Margot morreram no campo de concentração de Bergen-Belsen – provavelmente de tifo e, por esforço do seu pai Otto Frank –único sobrevivente da família, seu diário foi publicado após o fim da Segunda Guerra Mundial. Virou um dos livros mais vendidos da história e a casa uma atração turística que está hoje entre as mais visitadas de uma cidade que tem, entre outros concorrentes, um museu inteiro dedicado ao astro pop das artes plásticas Vincent van Gogh.