Cidadania para Kundera

Kundera
Kundera, Veronica Geng e Philip Roth em Connecticut, EUA, em 1980

Notícia veiculada pela Folha de São Paulo informa que o governo da República Tcheca anunciou no sábado (10/11) que está propondo devolver a cidadania tcheca ao escritor, hoje naturalizado francês, Milan Kundera. O autor de “A Insustentável Leveza do Ser”, entre vários outros títulos de alcance mundial, e sua mulher tiveram a cidadania retirada pelo governo comunista da antiga Thecoslóvaquia, em 1979.  Segundo o primeiro-ministro Andrej Babis, há 22 anos Kundera não visita o país.

Aprendendo com os gregos

Mythos

Lançamento da Editora Planeta para ficar no radar, “Mythos” é o novo livro do também ator, diretor, comediante, roteirista e apresentador de televisão britânico, Stephen Fry – fenômeno recente na internet brasileira em função de entrevista feita com o então candidato e hoje presidente eleito Jair Bolsonaro.

Artigo na Veja destaca que Fry “narrador culto e elegante, adiciona cores literárias sem corromper as fontes consagradas de um apanhado de episódios que se iniciam na tumultuada criação do cosmos, passam pela feroz Titanomaquia – guerra mitológica em que os deuses derrotaram seus antepassados titãs (entre eles, o cruel Cronos, que devorava a própria prole) – e culminam na vida do rei Midas, que transformava tudo o que tocava em ouro”.’

Para a Amazon, o livro é “um novo olhar – mais honesto e muito mais divertido – sobre heróis, deuses e titãs, nas palavras de um dos maiores atores britânicos da atualidade”.

Atualíssimo Euclides da Cunha

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Já tem data – 10 a 14 de julho – e homenageado – Euclides da Cunha – o evento literário mais badalado do país: a Festa Literária Internacional de Paraty – Flip 2019. Afora a qualidade literária indiscutível, a obra de Euclides, é defendida pela curadora Fernanda Diamant, em recente entrevista à Folha, também pela atualidade assombrosa com que ainda contribui para o debate nacional em torno de temas como política, história, jornalismo, racismo, religião, ecologia, violência etc. etc.

Autor de um dos mais aclamados títulos brasileiros, Euclides da Cunha era engenheiro e membro do Exército Nacional, mas foi como jornalista que fez história. Escrevendo para o jornal “A Província de São Paulo”, mais tarde “O Estado de São Paulo”, Euclides foi, no final de 1890, para o interior da Bahia com o objetivo de cobrir a Revolta de Canudos. Lá, presenciou o bárbaro massacre promovido pelos militares, com a benção do Estado, contra os membros do movimento liderado por Antônio Conselheiro, pondo em xeque suas ideias e sua fé no governo republicano. Dois anos depois, publicava seu grande clássico “Os Sertões”.

O autor morreu no Rio de Janeiro, em 1909, aos 43 anos, assassinado pelo amante da sua mulher Ana, Dilermando de Assis, a quem tentara também balear. Dilermando, como se sabe, acabou sendo absolvido por um júri popular, alegando legítima defesa. Fato também lembrado na entrevista, pela atualidade do momento em que parte da sociedade sai em defesa de menores restrições ao porte de armas no país.

O modernismo de Eliot

Undated and unlocated picture of American British-
O poeta modernista Thomas Stearns Eliot , Nobel de Literatura de 1948 e considerado um dos poetas mais influentes do século XX, em foto do Huffington Post

A Terra Desolada

T. S. Eliot

Abril é o mais cruel dos meses, germina

Lilases da terra morta, mistura Memória e desejo, aviva

Agônicas raízes com a chuva da primavera.

O inverno nos agasalhava, envolvendo

A terra em neve deslembrada, nutrindo

Com secos tubérculos o que ainda restava de vida.

O verão; nos surpreendeu, caindo do Starnbergersee

Com um aguaceiro.

Paramos junto aos pórticos

E ao sol caminhamos pelas aleias de Hofgarten,

Tomamos café, e por uma hora conversamos.

Big gar keine Russin, stamm’ aus Litauen, echt deutsch.

Quando éramos crianças, na casa do arquiduque,

Meu primo, ele convidou-me a passear de trenó.

E eu tive medo.

Disse-me ele, Maria, Maria, agarra-te firme.

E encosta abaixo deslizamos.

Nas montanhas, lá, onde livre te sentes.

Leio muito à noite, e viajo para o sul durante o inverno.

Que raízes são essas que se arraigam, que ramos se esgalham

Nessa imundície pedregosa? Filho do homem,

Não podes dizer, ou sequer estimas, porque apenas conheces

Um feixe de imagens fraturadas, batidas pelo sol,

E as árvores mortas já não mais te abrigam, nem te consola o canto dos grilos,

E nenhum rumor de água a latejar na pedra seca. Apenas

Uma sombra medra sob esta rocha escarlate.

(Chega-te à sombra desta rocha escarlate),

 

E vou mostrar-te algo distinto

De tua sombra a caminhar atrás de ti quando amanhece

Ou de tua sombra vespertina ao teu encontro se elevando;

Vou revelar-te o que é o medo num punhado de pó.