Os milionários dos livros

A Forbes acaba de publicar a lista dos 11 autores mais bem pagos do mercado americano em 2018. Juntos eles venderam 24,5 milhões de livros impressos nos EUA, faturando US$ 283 milhões. A pesquisa é da NPD BookScan, que acompanha 85% do mercado de impressão no país.

James Patterson (US$ 86 mi)

J. K. Rowling (US$ 54 mi)

Stephen King (US$ 27 mi)

John Grisham (US$ 21 mi)

Dan Brown (US$ 18,5 mi)

Jeff Kinney (US$ 18,5 mi)

Michael Wolff (US$ 13 mi)

Nora Roberts (US$ 12 mi)

Danielle Steel (US$ 12 mi)

E. L James (US$ 10,5 mi)

Rick Riordan (US$ 10,5 mi)

Rosa inventou a verdade, diz Clarice

Em 1956, morando com a família nos Estados Unidos, Clarice Lispector escreve a Fernando Sabino sobre seu estado de encantamento com o récem-lançado “Grande Sertão: Veredas”.

Carta publicada no Correio IMS, do site do Instituto Moreira Salles.  

Fernando,

Estou lendo o livro de Guimarães Rosa, e não posso deixar de escrever a você. Nunca vi coisa assim! É a coisa mais linda dos últimos tempos. Não sei até onde vai o poder inventivo dele, ultrapassa o limite imaginável. Estou até tola. A linguagem dele, tão perfeita também de entonação, é diretamente entendida pela linguagem íntima da gente – e nesse sentido ele mais que inventou, ele descobriu, ou melhor, inventou a verdade. Que mais se pode querer? Fico até aflita de tanto gostar. Agora entendo o seu entusiasmo, Fernando. Já entendia por causa de Sagarana, mas este agora vai tão além que explica ainda mais o que ele queria com Sagarana. O livro está me dando uma reconciliação com tudo, me explicando coisas adivinhadas, enriquecendo tudo. Como tudo vale a pena! A menor tentativa vale a pena. Sei que estou meio confusa, mas vai assim mesmo, misturado. Acho a mesma coisa que você: genial. Que outro nome dar? Esse mesmo.

Me escreva, diga coisas que você acha dele. Assim eu ainda leio melhor.

Um abraço da amiga,

Clarice

Leda seduzida

Poema do irlandês William Butler Yeats (1865-1939) em tradução de Jorge de Sena.  

Leda e o Cisne

Um golpe: asas ainda adejam sobre a presa
Que é ela vacilante, acariciadas ancas
Por membranas sombrias, bico agarra as tranças:
Segura ele contra si o seio sem defesa.

Com dedos aterrados, afastar-se a glória
Que se adentra emplumada às pernas já se abrindo?
Neste rompante branco, o corpo, pressentindo,
Do estranho coração pode ignorar vitória?

das um tremor dos lombos nesse instante gera
A muralha abatida, o tecto e a torre ardendo,
Agamémnon morto.
Enlaçada como era,
E do sangue brutal dos ares possuída,
Juntou dele o saber ao poder del tremendo,
Antes de lasso o bico a abandonar caída?

(Leda, na mitologia grega, era a rainha de Esparta e a esposa de Tíndaro. Ela foi seduzida por Zeus transformado em cisne e da união dos dois nasceram Clitemnestra, Helena, Castor e Pólux, adotados por Tíndaro como filhos de sangue.)

Neruda e Mistral em disputa no Chile

Uma controvérsia envolvendo dois prêmios Nobel do país – Pablo Neruda (1971) e Gabriela Mistral (1945) – vem marcando o debate público no Chile, conforme notícia recente do El País. Segundo o jornal, uma antiga moção parlamentar foi retomada para rebatizar o aeroporto internacional de Santiago – atualmente Aeroporto Comodoro Arturo Merino Benítez, pai da aviação chilena – com o nome de Neruda. Porém, grupos feministas vêm se posicionando contra a proposta em função de atitudes do poeta como um assumido abuso sexual e o abandono de uma filha, vítima de hidrocefalia. Para os críticos, o aeroporto deveria ser batizado com o nome da também poeta Gabriela Mistral.