História de Baldwin é destaque no Oscar 2019

“Se a Rua Beale Falasse” foi um dos grandes destaques entre as indicações do Oscar 2019 anunciadas recentemente. Adaptado do romance homônimo de James Baldwin (1924-1987), lançado aqui pela Companhia das Letras – editora também de “Terra Estranha” e “O Quarto de Giovanni”, o filme é dirigido por Barry Jenkins (Moonlight) e concorrerá em três categorias: Melhor Roteiro Adaptado (Jenkins), Melhor Atriz Coadjuvante (Regina King) e Melhor Trilha Sonora (Nicholas Britell).

O livro de Baldwin foi publicado originalmente em 1974 e chega aqui agora em versão de Jorio Dauster (diplomata, ex-presidente da Vale e consagrado tradutor de escritores como J. D. Salinger e Nabokov). A primeira tiragem, segundo o blog da Companhia das Letras, sai com sobrecapa especial baseada no pôster do filme, que, por sua vez, estreia nos cinemas do país a partir do dia 7 próximo.

Marie Kondo na mira dos amantes de livros

Ela é autora de livros traduzidos em mais de 40 idiomas e com mais de 7 milhões de cópias vendidas, já figurou na lista das 100 pessoas mais influentes do mundo publicada pela Revista Time e é protagonista de um reality show de sucesso mundial no Netflix.

Agora a japonesa, especialista em organização pessoal, Marie Kondo ganhou ainda mais destaque ao despertar a ira dos amantes dos livros. Em um episódio do seu programa – no Brasil chamado “Ordem na Casa com Marie Kondo”, ela aconselha um jovem casal a abrir mão da quase totalidade de seus livros em nome da organização. “Pegue cada livro em suas mãos e veja se ele traz alegria para você” é uma das recomendações da especialista duramente criticada na imprensa e nas mídias sociais.

Em artigo recente no Washington Post, Ron Charles afirma que “este é o conselho fundamental de Kondo, que ela aplica a tudo, desde meias incompatíveis até o antigo Tupperwares”. Para ele, o método Kondo pressupõe uma espécie de autoconsciência que nenhum verdadeiro amante da literatura realmente tem. “Nós não mantemos livros porque sabemos que ‘tipo de informação e importante para nós neste momento’. Nós os mantemos porque não sabemos”, defende Ron Charles, dono de uma biblioteca com milhares de volumes, sobre os quais diz: “Eles são uma mistura de boas lembranças, desafios intelectuais e prazeres futuros que não apenas acendem, mas aquecem toda a casa.”

Lello dá a volta por cima e bate recorde de vendas

Depois de quase fechar as portas por dificuldades financeira, aquela que figura em nove de cada dez listas das “livrarias mais bonitas do mundo”, a Lello e Irmão, localizada há 113 anos (completados no último dia 13) na cidade do Porto, não só voltou a dar lucro como já é recordista em vendas em Portugal. A informação é da blogueira, do UOL, Giuliana Miranda.

A mágica se deu a partir de 2015 quando a Lello passou a cobrar entrada na livraria (5 euros que podem ser revertidos em compras). Explica-se: a livraria é um dos principais pontos turísticos da cidade e nos últimos anos viu uma horda de Harry Potter-maníacos literalmente invadirem suas instalações para sessões de fotos. É que a escritora J. K. Rowling, autora do maior fenômeno editorial dos tempos modernos teria morado na cidade do Porto e se inspirado nas belíssimas escadarias da Lello para compor a atmosfera da biblioteca de magia de Hogawarts.

Segundo a direção da livraria, cerca de 40% dos visitantes acabam comprando livros, o que em 2017 (os números de 2018 ainda não foram divulgados) representou uma média de 1.300 volumes vendidos diariamente. Antes do início da cobrança de entrada, a média era de 190 livros/dia.

Bons livros chegando às telas

Como de praxe, a literatura segue como uma das grandes fontes para o cinema. Em 2019 não será diferente. A Veja listou alguns dos bons livros que chegarão às telas em breve.

-Boy Erased: Uma Verdade Anulada, Garrard Conley – Intrínseca

Segundo a revista, a adaptação da obra deve estrear nos próximos dias no Brasil e traz, entre outros nomes, Lucas Hedges, Nicole Kidman e Russel Crowe no elenco.

 -Minha Fama de Mau, Erasmo Carlos – Objetiva

Cinebiografia do cantor com Chay Suede como protagonista que deve estrear nos cinemas em meados do próximo mês de fevereiro.

-O Dia Seguinte, Rhidian Brook – Intrínseca

O longa é estrelado por Keira Knightley e Alexander Skarsgard e tem estreia prevista para 15 de março nos EUA. Sem previsão para o Brasil.

-Cemitério Maldito, Stephen King – Suma

Remake de filme já lançado em 1989 com previsão de lançamento em abril próximo.

-Cadê Você, Bernadette?, Maria Sample – Companhia das Letras

Adaptação estrelada por Cate Blanchett com direção de Richard Linklater, de Boyhood, com previsão de estreia no Brasil no final de abril.

-Artemis Fowl, o Menino Prodígio do Crime, Eion Colfer – Galera Record

Adaptação dos estúdios Disney com direção de Kenneth Branagh com estreia prevista no Brasil para 8 de agosto.  

-A Mulher na Janela, A. J. Finn – Arqueiro

Com estreia prevista para início de outubro, longa terá Amy Adams e Gary Oldman no elenco.

-O Pintassilgo, Donna Tartt – Companhia das Letras

A adaptação do livro ganhador do Pulitzer de 2014 chega aos cinemas em outubro com Nicole Kidman, Sarah Paulson e Ansel Elgort no elenco.

-Morte no Nilo, Agatha Christie – Várias Editoras

Livro de 1937 e um dos maiores sucessos da escritora britânica ganha nova versão para o cinema com Gal Gadot e a volta de Kenneth Branagh como o detetive Hercule Poirot. Estreia prevista para dezembro nos EUA.

-Mulherzinhas, Louisa May Alcott – Várias Editoras

Clássico da literatura terá versão para o cinema dirigida por Greta Gerwig, de Lady Bird, e elenco com nomes como Meryl Streep, Emma Watson e Louis Garrel. Lançamento previsto para dezembro nos EUA.

-Brooklyn sem Pai nem Mãe, Jonathan Lethem – Companhia das Letras

Adaptação de clássico da investigação dirigida, protagonizada e escrita por Edward Norton ainda sem previsão de estreia. Trama terá ainda participação de Bruce Willis, Willem Dafoe e Alec Baldwin.

Morte e erotismo, por Eliot

Sussuros de imortalidade

Webster vivia com a morte,

Li a caveira sob o rosto;

E bichos cavos sob o chão

Sorriam com seu dente exposto.

Bulbos de flores e não olhos

Iam nos globos oculares!

Via a ideia, que em membros mortos,

Aguça gozos e prazeres.

Donne, suponho, era mais um

Que não sabia outra ciência

Além de ter e penetrar;

Expert além da experiência.

Sabia a angústia da medula

O sofrimento da estrutura;

Contato algum de carne e carne

Continha a febre da ossatura.

…..

Gosto de Grishkin: olho russo

Sublinhado para dar ênfase;

Sem corpete, seu busto amigo

Promete pneumáticos êxtases.

À espreita, a onça brasileira,

Compele o lépido sagui

Com leves eflúvios felinos;

Já Grishkin tem casa em Paris;

Lustrosa, a onça brasileira,

Nos ramos, não vai destilar

Mais fétido, felino, aroma

Que Grishkin na sala de estar.

Até Abstratas Entidades

Só entreouvem sua música;

Nós lá, entre costelas secas,

Acalentando a metafísica.

T. S. Eliot (Poemas/1920), em tradução de Caetano W. Galindo e edição da Companhia das Letras.