Morte e erotismo, por Eliot

Sussuros de imortalidade

Webster vivia com a morte,

Li a caveira sob o rosto;

E bichos cavos sob o chão

Sorriam com seu dente exposto.

Bulbos de flores e não olhos

Iam nos globos oculares!

Via a ideia, que em membros mortos,

Aguça gozos e prazeres.

Donne, suponho, era mais um

Que não sabia outra ciência

Além de ter e penetrar;

Expert além da experiência.

Sabia a angústia da medula

O sofrimento da estrutura;

Contato algum de carne e carne

Continha a febre da ossatura.

…..

Gosto de Grishkin: olho russo

Sublinhado para dar ênfase;

Sem corpete, seu busto amigo

Promete pneumáticos êxtases.

À espreita, a onça brasileira,

Compele o lépido sagui

Com leves eflúvios felinos;

Já Grishkin tem casa em Paris;

Lustrosa, a onça brasileira,

Nos ramos, não vai destilar

Mais fétido, felino, aroma

Que Grishkin na sala de estar.

Até Abstratas Entidades

Só entreouvem sua música;

Nós lá, entre costelas secas,

Acalentando a metafísica.

T. S. Eliot (Poemas/1920), em tradução de Caetano W. Galindo e edição da Companhia das Letras.

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