Agatha imortal

Há exatos 43 anos falecia, em decorrência de uma pneumonia, aos 85 anos de idade, a escritora inglesa Agatha Christie. Passado quase meio século, os números envolvendo a “Dama do Crime” continuam impressionando. Sua obra, de mais de oitenta livros escritos em 56 anos de carreira, segue no pódio das vendas mundiais, atrás apenas da Bíblia e do conjunto de peças de William Shakespeare. Estimam-se que sejam 4 bilhões de exemplares de obras da autora vendidos em mais de 100 idiomas. Nos EUA ela ocupa, há dez anos, a posição de oitava maior vendagem; as adaptações de suas obras somam mais de 160 produções. “A Ratoeira”, mais famosa de suas 18 peças teatrais, está em cartaz ininterruptamente desde sua estreia em 1952 com mais de 27 mil apresentações.

Abaixo alguns dos mais populares títulos da autora no Brasil:

O Assassinato de Roger Ackroyd – 1926

Assassinato no Expresso do Oriente – 1934

Morte no Nilo – 1937

O Caso dos Dez Negrinhos – 1939

Os Três Ratos Cegos e Outras Histórias – 1950

Depois do Funeral – 1953

A Aventura do Pudim de Natal – 1960

Noite sem Fim – 1967

Nêmesis – 1971

Cai o Pano – 1975

Fragmento de Anderson

…Eu costumava passar pela casa com algo estranhamente vivo em mim. Isso eu havia percebido. Um velho de barba e uma mulher de rosto pálido moravam lá. Havia uma cerca-viva alta e certa vez olhei através dela. Vi o homem andando nervosamente para cima e para baixo, num trecho do jardim, sob uma árvore. Ele apertava e desapertava as mãos, balbuciando palavras. As portas e as venezianas da casa misteriosa ficavam todas fechadas. Enquanto eu olhava, a velha com o rosto pálido abriu a porta um pouco e olhou para o homem. Então a porta se fechou novamente. Ela nada lhe disse. Será que ele o olhou com amor ou medo os olhos? Como eu saberia? Não pude ver.

Outra vez escutei a voz de uma jovem, embora eu jamais tenha visto uma jovem naquele lugar. Era noite e a mulher cantava – uma doce voz jovem.

Ai está. É tudo. A vida é mais próxima disso do que a maioria das pessoas supõe. Pequenos fragmentos de coisas. Isso é tudo que conseguimos….

Trecho do conto “Numa Cidade Estranha”, de Sherwood Anderson, do livro “Morte nos Bosques”, traduzido por Nils Skare em edição da curitibana L-Dopa Publicações.

Tudo é opinião

“Os deuses não revelaram aos homens desde o início todas as coisas; mas por meio da procura eles com o tempo encontram o melhor. […] Pois jamais houve nem haverá quem possua a verdade plena sobre os deuses e sobre todas as coisas das quais eu falo. E, mesmo se, por acaso, um homem conseguisse expressar a verdade inteira, ainda assim ele próprio não se aperceberia disso. A opinião tudo permeia.”

Xenófanes (Século V A.C.)

Para vencer a bárbarie

Literatura pode ser um antídoto para quase qualquer mal. Dessa vez, a recomendação para quem quer aprender a lidar com políticos intolerantes é ler a obra de Voltaire. A receita para recuperar a sáude da atmosfera pública globalmente contaminada é do professor emérito da Universidade de Harvard, Robert Darnton, em artigo publicado originalmente no The New York Times e republicado aqui pela Folha (íntegra no link https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2019/01/para-lidar-com-politicos-intolerantes-inspire-se-em-voltaire.shtml para assinantes).

Para quem, como o filósofo francês do Século XVIII, acredita na vitória da civilidade sobre a bárbarie, fica a dica.

Inscrições abertas

Começam hoje, 9/1, e prosseguem até 14 de fevereiro as inscrições para o Prêmio Sesc de literatura. Serão premiadas obras inéditas nas categorias romance ou conto. Regulamento no sesc.com.br/portal/site/premiosesc. Na edição 2018, os grandes premiados foram: Juliana Leite, com o romance “Entre as Mãos” e Tobias Carvalho, com o livro de contos “As Coisas”.