A poesia do “Boca do inferno”

Caetano canta “Triste Bahia”, do álbum “Transa”, de 1972, em apresentação no Circo Voador

À CIDADE DA BAHIA

Triste Bahia! oh, quão dessemelhante
Estás e estou do nosso antigo estado,
Pobre te vejo a ti, tu a mim empenhado,
Rica te vi eu já, tu a mim abundante.

A ti trocou-te a máquina mercante,
Que em tua larga barra tem entrado,
A mim foi-me trocando e tem trocado
Tanto negócio e tanto negociante.

Deste em dar tanto açúcar excelente
Pelas drogas inúteis, que abelhuda
Simples aceitas do sagaz Brichote.

Oh, se quisera Deus que, de repente,
Um dia amanheceras tão sizuda
Que fora de algodão o teu capote!

De Gregório de Matos, o “Boca do Inferno” – tema de romance histórico assinado pela pesquisadora e poeta Ana Miranda, lançado em 1989 pela Companhia das Letras.

Nascido em Salvador em 20 de dezembro de 1636, faleceu em Fortaleza em data imprecisa de 1695, segundo a Academia Brasileira de Letras. Ganhou o apelido pela mordacidade de seu poemas, ainda conforme a ABL, uma inesgotável fonte satírica que “não poupava ao governo, à falsa nobreza da terra e nem mesmo ao clero. Não lhe escaparam os padres corruptos, os reinóis e degredados, os mulatos e emboabas, os ‘caramurus’, os arrivistas e novos-ricos, toda uma burguesia improvisada e inautêntica, exploradora da colônia”.

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