Cortázar em nova edição

Chega às lojas no próximo dia 7, uma nova edição em português, pela Companhia das Letras, de “O Jogo da Amarelinha”, do argentino Julio Cortázar. Com tradução de Eric Nepomuceno e projeto gráfico de Richard McGuire, a nova edição, além do texto original, traz cartas relativas à obra, algumas do próprio Cortázar e textos de Haroldo de Campos, Mario Vargas Llosa, Davi Arrigucci Jr. e Julio Ortega sobre o livro, um clássico da literatura latino-americana, escrito em Paris e publicada pela primeira vez na Espanha em outubro de 1963.

Livros flutuantes

Foto: logoshope.org

Segundo informação divulgada recentemente, o Logos Hope terá o Brasil na sua rota deste ano. Autointitulado, a maior livraria flutuante do mundo, o navio – hoje atracado no Uruguai, chega aos portos brasileiros com mais de 5 mil livros a bordo a partir de agosto. O roteiro brasileiro inclui as cidades de Santos, Rio de Janeiro, Vitória, Salvador e Belém. Segundo os responsáveis pela iniciativa, a empresa alemã GBA Ships, a meta ao atracar nos portos mundo afora é promover projetos sociais e de ajuda humanitária com o apoio de 400 voluntários. A empresa afirma ainda que cerca de 47 milhões de pessoas em 150 países já visitaram a embarcação em quase quatro décadas de atividades do hoje conhecido como Logos Hope. A maioria das obras disponíveis é em inglês.

Inconstância

“The False Mirror”, de René Magritte

“Não somente o vento dos acontecimentos me agita conforme o rumo de onde vem, como eu mesmo me agito e perturbo em consequência da instabilidade da posição em que esteja. Quem se examina de perto raramente se vê duas vezes no mesmo estado. Dou à minha alma ora um aspecto ora outro, segundo o lado para o qual me volto. Se falo de mim de diversas maneiras, é porque me olho de diferentes modos. Todas as contradições em mim se deparam, no fundo como na forma. Envergonhado, insolente, casto, libidinoso, tagarela, taciturno, trabalhador, requintado, engenhoso, tolo, aborrecido, complacente, mentiroso, sincero, sábio, ignorante, liberal, avarento, pródigo, assim me vejo de acordo com cada mudança que se opera em mim. E quem quer que se estude atentamente reconhecerá igualmente em si, e até em seu julgamento, essa mesma volubilidade, essa mesma discordância. Não posso aplicar a mim mesmo um juízo completo, simples, sólido, sem confusão nem mistura, nem o exprimir com uma só palavra.”

Do jurista, filósofo, político e precursor do gênero Ensaio, Michel de Montaigne (1533-1592).

As cartas de dois mestres da literatura japonesa

A boa dica de lançamento vem em matéria de Antonio Gonçalves Filho, publicada no final de semana pelo O Estado de SP. É “Kawabata-Mishima Correspondência 1945-1970”, que acaba de sair pela Estação Liberdade e mostra a longa e intensa relação intelectual e afetiva entre dois dos principais nomes da literatura japonesa contemporânea: Yasunari Kawabata (1899-1972) e Yukio Mishima (1925-1970).

Kawabata foi o primeiro escritor do país a ganhar o Nobel de Literatura, em 1968, e Mishima, o escritor japonês mais conhecido no mundo ocidental. Ambos morreram de maneira trágica. Em 25 de novembro de 1970 Mishima recorre ao seppuku (ritual suicida praticado por samurais) e, dois anos depois, inconsolável com a perda do discípulo e amigo, Kawabata se mata, inalando gás em casa, no dia 16 de abril de 1972.

Confira alguns títulos dos dois autores lançados no Brasil. Fontes: Livraria da Folha (Kawabata), Companhia das Letras e Estante Virtual (Mishima)

Yasunari Kawabata

-“A Dançarina de Izu”

De 1926, é a primeira obra de destaque do autor, traz temas como o amor impossível, a solidão e a sexualidade velada.

 –“Contos da Palma da Mão”

Reúne textos escritos entre 1923 e 1964 traduzidos diretamente do japonês por Meiko Shimon.

-“A Casa das Belas Adormecidas”

Lançado em 1961, busca desvendar o universo do corpo feminino em um culto ao belo e ao inalcançável.

“A Gangue Escarlate de Asakusa”

Publicada num jornal de Tóquio entre 1929 e 1930, é uma das raras narrativas urbanas do autor.

“Beleza e Tristeza”

Obra de 1965, aborda a sublimação do amor frente ao medo e aos preconceitos da sociedade japonesa.

“Mil Tsurus”

Escrito entre os anos de 1949 e 1951, resgata valores do Japão, fazendo da cerimônia do chá o pano de fundo para a história.

“O País das Neves”

Marco na obra de Kawabata, expõe a densidade e as contradições das relações humanas.

“Kyoto”

De 1962, foi uma das últimas obras finalizadas pelo autor e traz uma narrativa rica em descrições da capital imperial do Japão.

“O Som da Montanha”

Aborda a sociedade japonesa e reflete sobre a vida e a morte, especialmente sobre a possibilidade do suicídio.

Yukio Mishima

“Cores Proibidas”

Lançado pela Companhia das Letras em 2002, narra a história de Shunsuke e sua profunda misoginia.

“Mar Inquieto”

Fábula de inspiração shakespeariana, narra o amor proibido entre um jovem pescador e a filha de um poderoso morador da ilha de Utajima.

 –“Confissões de uma Máscara”

Considerada sua obra-prima, o romance autobiográfico conta a história de um adolescente que descobre sua homossexualidade no Japão da Segunda Guerra.

“O Pavilhão Dourado”

Narrado de forma densa e original, mostra que a beleza absoluta pode ser tão opressiva e enlouquecedora quanto qualquer imperfeição.

“Neve de Primavera”

As tensões entre a velha e a nova aristocracia na Tóquio de 1912.

“O Marinheiro que Perdeu as Graças do Mar”

Uma das mais breves e belas novelas do autor, é visto como uma representação simbólica da sociedade japonesa do pós-guerra.

“Morte em Pleno Verão”

Lançado aqui em 1986 pela Rocco, reúne alguns dos melhores e inspiradores contos de Mishima.

Para crianças mais saudáveis

O que já era voz corrente entre os pediatras, agora foi oficializado pela Organização Mundial de Saúde: crianças saudáveis precisam de menos celular, tablet e tv e mais atividade física, música, quebra-cabeças e…livros. Em guia lançado recentemente a OMS traz orientações para famílias com crianças de até 5 anos contribuírem adequadamente com o desenvolvimento motor e cognitivo dos pequenos. Para crianças de até 2 anos, a recomendação é vetar totalmente o acesso às telas e, a partir dessa idade o acesso deve ser limitado a 1 hora diária.