Uma mulher imbatível

Marie Curie em foto do site http://www.biography.com

A cientista Marie Curie (1867-1934) é tema de entrevista da escritora Rosa Montero publicada pela Folha de SP (link para assinantes: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2019/05/livro-apresenta-uma-marie-curie-sentimental-por-tras-do-jeito-durao.shtml?loggedpaywall). Montero é um dos principais nomes da literatura contemporânea da Espanha e autora de “A Ridícula Ideia de Nunca Mais te Ver”, lançado no Brasil pela Todavia.

O livro, segundo a matéria, surgiu do contato da escritora com o diário de luto mantido por Marie Curie durante o período de um ano a partir da morte do marido, o também físico Pierre Curie (1859-1906), e de uma triste sintonia com a história da própria Rosa Montero, que também perdeu prematuramente o companheiro, vítima de um câncer.

Perdas que geraram, segundo a editora, um “livro vertiginoso e tocante a respeito da morte, mas sobretudo dos laços que nos unem ao extremo da vida”. Mistura de ficção e memória, a obra de Rosa Montero traz como apêndice o impressionante diário de Curie.

Abaixo, em trecho do livro publicado no site da editora, Montero fala sobre Marie Curie:

“Sempre a achei uma mulher fascinante, algo com que quase todo mundo concorda, aliás, porque é um personagem incomum e romântico que parece maior do que sua própria vida. Uma polonesa espetacular que foi capaz de ganhar dois prêmios Nobel: um de Física, em 1903, em parceria com o marido, Pierre Curie; outro de Química, em 1911, sozinha. Com efeito, em toda a história do Nobel só houve outras três pessoas que ganharam duas distinções: Linus Pauling, Frederick Sanger e John Bardeen, e apenas Pauling em duas categorias distintas, como Marie. Mas Linus levou um prêmio de Química e outro da Paz, e é preciso reconhecer que este último vale bem menos (como se sabe, até Henry Kissinger tem um). Ou seja, Madame Curie permanece imbatível. Além disso, Marie descobriu e mediu a radioatividade, esse atributo aterrador da Natureza, fulgurantes raios sobre-humanos que curam e matam, que fritam tumores cancerígenos na radioterapia ou calcinam corpos depois de uma deflagração atômica. É dela também a descoberta do polônio e do rádio, dois elementos muito mais ativos do que o urânio. O polônio, o primeiro que ela encontrou (por isso o batizou com o nome do seu país), foi logo ofuscado pela relevância do rádio, embora recentemente tenha virado moda como uma forma eficiente de assassinar: lembremos a terrível morte do espião russo Alexander Litvinenko em 2006, depois de ingerir polônio 210, ou o polêmico caso de Arafat (outro Nobel da Paz inacreditável). De modo que as mãos de Marie Curie chegaram até mesmo a essas sinistras aplicações. Mas, bem ou mal, essa força devastadora está na própria base da construção do século XX, e provavelmente também do XXI. Vivemos tempos radioativos.”

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