Melancólico Augusto

“The Storm” (1893), de Edvard Munch

Abaixo poema do paraibano Augusto dos Anjos (1884-1914), publicado no livro “Eu e Outras Poesias”. No link, biografia resumida e primeiros poemas do autor, em post de Murilo Rafael, no portaldalinguagem ( http://portodalinguagem.com.br/biografia-de-augusto-dos-anjos-e-primeiros-poemas/ )

Noturno

Chove. Lá fora os lampiões escuros

Semelham monjas a morrer…Os ventos

Desencadeados vão bater, violentos,

De encontro às torres e de encontro aos muros.

Saio de casa. Os passos mal seguros

Trêmulo movo, mas meus movimentos

Susto, diante do vulto dos conventos,

Negro, ameaçando os séculos futuros!

De São Francisco no plangente bronze

Em badaladas compassadas onze

Horas soaram…Surge agora a Lua.

E eu sonho erguer-me aos páramos etéreos

Enquanto a chuva cai nos cemitérios

E o vento apaga os lampiões da rua!

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