Risério e as moradias

Resposta de Antonio Risério à pergunta do repórter do Estadão, Guilherme Evelin, sobre o “problema” do programa Minha Casa, Minha Vida, duramente criticado pelo antropólogo. Entrevista completa, publicada na última edição do caderno “Aliás” no link abaixo (para assinantes): https://alias.estadao.com.br/noticias/geral,minha-casa-minha-vida-constroi-hoje-as-favelas-de-amanha-diz-antonio-riserio,70002940746

“Como o BNH, o Minha Casa, Minha Vida nasceu principalmente não para atender a uma demanda popular, mas para injetar dinheiro na veia do empresariado, num momento de crise. Mais: o governo cedeu o controle do chão da cidade à burguesia da construção civil, monopolização fundiária que impede planejamentos socialmente justos e de médio e longo prazos. Dona do solo citadino, a burguesia decide onde vai implantar isso ou aquilo: um shopping aqui, um bairro de luxo ali, um conjunto habitacional popular adiante. Reserva para si as melhores fatias do chão da cidade e joga os conjuntos populares nas pirambeiras da periferia, carentes dos serviços públicos mais elementares. Com isso, esses núcleos distantes se favelizam. Foi o que aconteceu, no passado, com a Cidade de Deus, no Rio de Janeiro. É o que começa a acontecer com os assentamentos do programa petista. É por isso que digo que o Minha Casa, Minha Vida constrói, hoje, as favelas de amanhã.”

Autor de vasta obra na área musical e na poesia e mais de 20 livros publicados, Antonio Risério (1953) lançou recentemente, pela TopBooks, “A Casa no Brasil”, parte da trilogia que já teve publicados “A Cidade no Brasil” (2012) e “Mulher, Casa e Cidade” (2015).

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