Não podes deixar de ser

Imagem: correio.news

Poema de Ricardo Reis, heterônomino de Fernando Pessoa, de 1921.

Tornar-te-ás só quem tu sempre foste

Tornar-te-ás só quem tu sempre foste.
O que te os deuses dão, dão no começo.
De uma só vez o Fado
Te dá o fado, que és um.

A pouco chega pois o esforço posto
Na medida da tua força nata —
A pouco, se não foste
Para mais concebido.

Contenta-te com seres quem não podes
Deixar de ser. Ainda te fica o vasto
Céu p’ra cobrir-te, e a terra,
Verde ou seca a seu tempo.

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