Stevens e a neve

O Homem de Neve

Há que se ter mente hibernal

Para observar a geada e os galhos

Dos pinheiros encrostados de neve;

E estar ao frio há muito tempo

Para ver os zimbros com beirais de gelo,

Os abetos ásperos no brilho distante

Do sol de janeiro; e não pensar

Em nenhuma aflição ao som do vento,

Ao som de umas poucas folhas,

Que é o som da terra

Cheia do mesmo vento

Que venta no mesmo lugar árido

Para o que ouve, que escuta na neve

E, ele próprio nada, contempla

Nada que não esteja ali e o nada que lá está.

The Snow Man

One must have a mind of winter

To regard the frost and the boughs

Of the pine-trees crusted with snow;

And have been cold a long time

To behold the junipers shagged with ice,

The spruces rough in the distant glitter

Of the january sun; and not to think

Of any misery in the sound of the Wind,

In the sound of a few leaves,

Which is the sound of the land

Full of the same wind

That is blowing in the same bare place

For the listener, who listens in the snow,

And, nothing himself, beholds

Nothing that is not there and the nothing that is.

Do livro “O Imperador do Sorvete e Outros Poemas”, de Wallace Stevens (1879-1955), em tradução de Paulo Henriques Britto e edição da Companhia das Letras.

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