As dicas de Ruffato

As dicas vêm do escritor Luiz Ruffato em artigo publicado na página do Itaú Cultural. Segundo ele, “neste momento em que nos pegamos a pensar na nossa sobrevivência, não mais como indivíduos, mas como espécie, vale a pena olhar para trás e buscar na literatura algumas narrativas emblemáticas que, ao mesmo tempo que nos proporcionam prazer na leitura, nos fornecem elementos para refletir e seguir em frente”.

O escritor lista então oito opções de romances e um conto de fadas que tematizam, direta ou indiretamente, o enfrentamento, por parte do indíviduo, de um mal que ele desconhece – e, por isso, teme.

Luiz Ruffato em foto de André Seiti/Itaú Cultural

-“Desta Terra Nada Vai Sobrar, a Não Ser o Vento que Sopra sobre Ela”, Ignácio de Loyola Brandão

Publicado em 2018, é de uma distopia terrivelmente antecipatória do Brasil contemporâneo – do mundo contemporâneo, para ser mais preciso.

“O Deserto dos Tártaros”, Dino Buzzati

Publicado em 1940, é para Ruffato uma das metáforas mais poderosas destes tempos de angústia em que vivemos.

“A Peste”, Albert Camus

Publicado em 1947, este romance descreve a mudança na vida dos habitantes de Orã, na Argélia, no momento em que a cidade é atingida por uma terrível peste transmitida por ratos.

“Um Diário do Ano da Peste”, Daniel Defoe

Lançado em 1722, misto de ficção e jornalismo, este livro descreve os horrores causados pela epidemia de peste bubônica que grassou em Londres em 1665, deixando entre 70 mil e 100 mil mortos.

“A Aranha Negra”, Jeremias Gottheld

Lançado em 1842, conta a tragédia que se abate sobre os habitantes da aldeia de Sumiwald, nos Alpes suíços, no século XV.

“O Castelo”, Franz Kafka

Publicado postumamente em 1926, não tem como tema uma epidemia, mas certamente se trata de uma metáfora da impotência humana diante do poder tirânico de algo desconhecido – que se constitui em épocas de exceção.

“Os Noivos”, Alessandro Manzoni

Lançado em 1827, conta a história de Renzo e Lucia. O ano é 1628 e o lugar é Milão.

“Ensaio sobre a Cegueira”, José Saramago

Lançado em 1995, narra a chegada de uma treva branca, uma cegueira que rapidamente se alastra sobre toda a população.

“A Bela Adormecida”, versão dos Irmãos Grimm

A história é bem conhecida – mas, trata-se de uma metáfora realista. Por mais que o rei e a rainha tentem resguardar a princesa, vítima de uma maldição, ela acaba sendo contaminada pela peste – o fuso da roca.

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