Apocalipse, segundo Nuno

Poema de Primo Levi, do livro “Mil Sóis”, citado em artigo do artista plástico e escritor Nuno Ramos na Folha de São Paulo, onde defende que o impulso destrutivo do bolsonarismo torna urgente a politização da pandemia.

Sentem-se e Negociem

À vontade, velhas raposas prateadas.

Vamos emparedá-las num

[palácio esplêndido

Com comida, vinho, boas camas e fogo

[…]

Aqui fora, no frio, esperaremos nós,

O exército dos mortos em vão,

Nós do Marne e de Montecassino,

De Treblinka, de Dresden e Hiroshima.

[…]

Ai de vocês se saírem em desacordo:

Serão esmagados pelo nosso abraço.

Somos invencíveis porque vencidos.

Invulneráveis porque já extintos:

Nós rimos de seus mísseis.

Sentem-se e negociem

Até que suas línguas sequem:

Se persistirem o dano e a vergonha

Nós as afogaremos em nossa podridão.

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