Um homem de idade, uma mulher de azul

The Circus RiderDate, de Marc Chagall – 1927

DIREITO DE PASSAGEM

Ao caminhar sem pensar

em nada deste mundo

a não ser no direito de passagem

desfruto a estrada

virtude da lei –

vi

um homem de idade que

sorriu e desviou o olhar

para o norte, para lá de uma casa –

uma mulher de azul

ria-se e

inclinava-se para diante para ver

o rosto meio voltado

do homem

e um menino de oito anos que

olhava para o meio

da barriga do homem

para uma corrente de relógio –

A suprema importância

de tão anônimo espectáculo

fez-me passar por eles depressa

sem dizer palavra –

Que importa para onde ia?

e lá fui rodando nas

quatro rodas do meu carro

pela estrada molhada até que

vi uma rapariga com uma perna

sobre o parapeito de um balcão

THE RIGHT OF WAY

In passing with my mind

on nothing in the world

but the right of way

I enjoy on the road by

virtue of the law –

I saw

an elderly man who

smiled an looked away

to the north pas a house –

a woman in blue

Who was laughing and

learning forward to look up

into the man’s half

averted face

and a boy of eight who was

looking at the middle of

the man’s belly

at a watchchain –

The supreme importance

of this nameless spectacle

sped me by them

without a word –

Why bother where I went?

for I went spinning on the

four wheels of my car

along the wet road until

I saw a girl with one leg

over the rail of a balcony

Poema de William Carlos Williams, do livro “Antologia Breve”, da editora Assírio e Alvim.

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