Adélia inconsolável

Construir um relógio de sol | Educar e inspirar | Space Awareness
Foto: Space Awareness

A QUE NÃO EXISTE

Meus pais morreram,

posso conferir na lápide,

nome, data e a inscrição: SAUDADES!

Não me consolo dizendo

‘em minha lembrança permanecem vivos’,

é pouco, é fraco, frustrante como o cometa

que ninguém viu passar.

De qualquer língua, a elementar gramática

declina e conjuga o tempo,

nos serve a vida em fatias,

a eternidade em postas.

Daí acharmos que se findam as coisas,

os espessos cabelos, os quase verdes olhos.

O que chamamos morte

é máscara do que não há.

Pois apenas repousa

o que não pulsa mais.

Adélia Prado – “Miserere”

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