Mais dicas do Estadão

Nova seleção de 10 livros recomendados pela Aliás, do Estadão, para se ter na estante. A lista tem de ensaios à obra inédita em português da poeta argentina Alfonsina Storni, de autores clássicos contemporâneos como Vonnegut à escritora brasileira Giovana Madaloso.

“Imagem Apesar de Tudo”, Georges Didi-Huberman – Editora 34

“O Encanto de Narciso”, Boris Kossoy – Ateliê Editorial

“Crises da Democracia”, Adam Przeworski – Hahar

“Uma Terra Feita Réfem”, Roger Scruton – É Realizações

“Narciso em Férias”, Caetano Veloso – Companhia das Letras

“Rosa & Rónai”, Paulo Rónai – Bazar do Tempo

“Sou uma Selva de Raízes Vivas”, Alfonsina Storni – Iluminuras

“Uma Breve História das Mentiras Fascistas”, Federico Finchelstein – Autêntica

“Piano Mecânico”, Kurt Vonnegut – Intrínseca

“Suíte Tóquio”, Giovana Madaloso – Todavia

O que virá?

Noam Chomsky: ''existe o risco iminente de uma guerra civil nos Estados  Unidos'' - Carta Maior
Foto: cartamaior.com.br

O que muda no mundo pós-pandemia segundo um dos mais conhecidos intelectuais norte-americanos da atualidade, o filósofo e linguista Noam Chomsky. A resposta abaixo faz parte de entrevista ao repórter André Cáceres, de O Estado de SP, publicada no Aliás.

“Cabe a nós determinar. Há forças trabalhando por objetivos muito diversos. A pandemia, como outras crises com as quais nos deparamos, tem profundas raízes em instituições de poder, em particular na ordem neoliberal que foi imposta pelos últimos 40 anos pelo poder privado e pelos governos que servem aos seus interesses. Eles estão trabalhando duro para garantir que o que emergirá será uma versão mais austera e autoritária do que eles criaram. Forças populares por todo o mundo estão tendo dificuldades para superar a crise e criar uma ordem social mais livre e justa. Quem vai prevalecer é uma questão de ação, não de especulação.”

Shakespeare chega à Espanha

Foto divulgada em 24 de setembro de 2020, pela cortesia do The Royal Scots College e tirada em Salamanca, mostra uma rara edição da peça de Shakespeare "Os Dois Nobres Parentes"
Foto: John Stone/AFP

Encontrado por acaso nos arquivos de um seminário na Espanha, o livro acima é uma edição da tragicomédia “The Two Noble Kinsmen” e, segundo especialistas, pode ser o primeiro exemplar de William Shakespeare a ter chegado ao país. A obra, publicada em 1634, conforme o pesquisador da Universidade de Barcelona, John Stone, “provavelmente chegou à Espanha entre 1635 e 1640”.

Relato de um confinado do Século XVIII

A dica vem da escritora, roteirista e articulista da Folha, Tati Bernardi, e traz o relato de um confinado de outros tempos. “Viagem ao Redor do Meu Quarto” foi lançado originalmente por aqui em 1975 e acaba de ser reeditado pela Editora 34. “Confinado em seu quarto após se envolver num imbroglio pré-carnavalesco (devidamente seguido de duelo), um oficial de família nobre vinga-se do aperto castrense e do despeito amoroso escrevendo um pequeno prodígio de leveza verbal e garantindo seu posto ― singular, vale dizer ― nas letras francesas”, afirma a editora.  Redigido na fortaleza de Turim e publicado pela primeira vez em 1795, o livrinho do tenente (e conde) Xavier de Maistre (1763-1852) é um exercício de risonha subversão de hierarquias, sejam elas militares, metafísicas ou literárias. Zombando das circunstâncias, o autor transforma os quarenta e dois dias de castigo em ponto de partida para uma paródia dos relatos de viagem, das dissertações eruditas e dos tratados de filosofia, confrontados aqui ao zigue-zague dos caprichos, ao curso errático dos pensamentos ou ainda às inclinações incontornáveis do corpo. 

As cartas de Clarice

TODAS AS CARTAS

Lançado oficialmente ontem pela Rocco,“Todas as Cartas” é uma reunião de correspondências de Clarice Lispector trocadas ao longo da vida com nomes como João Cabral de Melo Neto, Rubem Braga e Mário de Andrade. São 284 cartas no total, parte delas inéditas. Segundo matéria do Estadão, o livro foi organizado por décadas, dos anos 1940 aos 1970, e recebeu notas da biógrafa Teresa Montero, que contextualizam os fatos. A vasta correspondência da escritora, como lembra a matéria (https://cultura.estadao.com.br/noticias/literatura,livro-traz-valiosa-correspondencia-inedita-de-clarice-lispector,70003451632, para assinantes), já inspirou a publicação de outras três obras: “Cartas Perto do Coração”, de 2001, organizada por Fernando Sabino, “Correspondências”, de 2002, e “Minhas Queridas”, de 2007, estabelecidas pela mesma biógrafa Teresa Montero.

Abaixo, trecho de carta de Clarice a João Cabral de Melo Neto, enviada a partir de Berna em 12/2/1949 e publicada pelo Estadão.

“Meu coração bateu de alegria quando vi que você tinha entendido que eu pedia ajuda. Disfarcei como pude o pedido, não por amor-próprio, mas porque, não sei, encabulamento. Ainda me lembro, quando eu era pequena, resolvi um dia me encher de coragem e pedi a uma menina um bracelete que ela usava. Resposta espantada e ofendida: ‘Tá doida, bichinha, isso é de ouro!’ E se você me respondesse assim? porque é de ouro também. Mas, já que você não usou a humilhante fórmula, peço-lhe explicitamente ajuda… A coisa está ruim mesmo. Renovar-se está bem. Mas como? Renovar-se não é sobretudo matéria de vida? então nada. Não, não tenho riqueza nenhuma, não tenho nenhuma escolha. E você não tem pobreza. Só que o que eu ‘invento’ vem cercado de mil bobagens com boa aparência, e o que você ‘inventa’ já é o essencial. Meu luxo é triste, sua pobreza é farta.”