Orwell, quem diria, já esteve na pior

SHELTER PHOTOGRAPHS TAKEN IN LONDON BY BILL BRANDT, NOVEMBER 1940 |  Imperial War Museums
Foto de Bill Brandt feita em abrigo londrino e reproduzida na edição de livro de Orwell

Ele que voltou a ser um sucesso global de vendas no cenário da pandemia com sua distopia “1984”, enfrentou seus próprios pesadelos há quase um século. Foi uma temporada de privações extremas como passar fome em Paris, onde se instalou na primavera de 1928 num hotel barato do Quartier Latin. Foi lá que ele escreveu, em 15 meses, dois romances e vários contos, todos rejeitados pelas editoras. Sem dinheiro, arranjou emprego em hotel e restaurante, mas não aguenta o ritmo e volta à Inglaterra. Em Londres enfrenta mais uma temporada de mendicância, vivendo de albergue em albergue. É essa experiência que George Orwell narra no seu “Na Pior em Paris e Londres”, lançado aqui em 2006 pela Companhia das Letras. Abaixo um trecho do livro:

“Meu dinheiro evaporou – para oito francos, quatro francos, um franco, 25 cêntimos; e 25 cêntimos são inúteis, pois não compram nada mais que um jornal. Passamos vários dias a pão seco e depois fiquei dois dias e meio sem comer coisa alguma. Foi uma experiência feia. Existem pessoas que, em busca de curas, fazem um jejum de três semanas ou mais, e dizem que jejuar é bem agradável depois do quarto dia; não posso confirmar, pois nunca fui além do terceiro. É provável que seja diferente quando o jejum é voluntário e não se está subnutrido desde o início.”

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