Para formar adultos melhores

Em tempos sombrios, quando a censura e a postura retrógrada das autoridades públicas do país rondam até mesmo os livros infantis, vale a pena resgatar lista de livros infanto-juvenis, de 2016, publicada pelo jornal espanhol El País, para “dar a largada em uma conversa franca com crianças sobre quase tudo”.

 –“A Democracia pode ser Assim”, Marta Pina – Boitempo

Aborda tema como o que são eleições, partidos políticos e a importância do voto, passando pelos direitos humanos e pela livre circulação de informação, que ajuda a manter as liberdades.  

“Migrar”, José Manuel Mateo – Pallas

Mostra a realidade de milhares de meninas e meninos que viajam a outro país, muitas vezes desacompanhados, em busca de trabalho ou de uma vida melhore e mais pacífica. Ilustrado pelo mestre mexicano Javier Martinez Pedro.

“O Pássaro Amarelo”, Olga de Dios – Boitempo

A partir da história de um pássaro impedido de voar, aborda temas como superação e compartilhamento de saberes.

“Frida Kahlo para Meninas e Meninos”, Nadia Fink – Sudestada

A pintora mexicana é retratada como a autêntica antiprincesa em livro que faz parte de coleção criada por editora argentina e é considerado ideal para debater temas como feminismo, luta de classes e arte.

“Quem Manda Aqui?”, Larissa Ribeiro, André Rodrigues, Paula Desgualdo e Pedro Markun – Companhia das Letrinhas

O livro é fruto de oficinas realizadas com crianças, onde foram compartilhadas, de maneira divertida, noções sobre modos de governar e tomar decisões.

“As Mulheres e os Homens”, Luci Gutiérrez – Boitempo

A máxima “meninas gostam de rosa e meninos, de azul” é descontruída de maneira divertida num livro que trata das questões de gênero.

“Lagartos Verdes x Retângulos Vermelhos”, Steve Antony – Rovelle

O livro propões uma reflexão sobre por que muitas vezes nos incomodamos com o que é diferente.

“O Pequeno Fascita”, Fernando Bonassi – Cosac Naify

Narra a vida de um menino, da barriga materna até se tornar líder da turma, operando pelo avesso, com um protagonista que só dá maus exemplos.

“Malala, a Menina que Queria ir para a Escola”, Adriana Carranca – Companhia das Letrinhas

Livro-reportagem sobre a garota paquistanesa, Nobel da Paz de 2013, com importantes lições de direitos humanos.

“A História de Julia – E sua Sombra de Menino”, Cristian Bruel, Anne Galand e Anne Bozellec – Scipione

Fala de gênero e identidade a partir da história de Júlia, criticada pelos pais, que sempre dizem que ela se parece com um menino e que deveria agir de maneira mais feminina.

“Um Outro País para Azzi”, Sarah Garland – Pulo do Gato

Aborda a história de uma família do Oriente Médio, que se vê obrigada a fugir quando a guerra começa a afetar sua rotina.

“El Abrazo”, David Grossman – Sexto Piso

O escritor israelense conta como um menino questiona sua mãe sobre ser “único no mundo”, atitude que o faz sentir solitário.

Seu sono em guarani

Cosmococa 5 Hendrix War, de Helio Oiticica e Neville D’Almeida/Inhotim.org.br

Kepe – Em sono

Kera – Dormindo

Kerá – Dormir

Keraguatá – Sonâmbulo

Keraí – Falar dormindo

Keraporã – Sono delicioso

Kerasãi – Sono normal

Kerasy – Ter pesadelo

Keratá – Sono profundo

Keravaí – Sono intranquilo

Keravavá – Estar sonolento

Keravevyi – Sono leve

Kerosã – Sofrer de insônia

Kerambú – Roncar dormindo

Adaptado do “Vocabulário Guarani – Português”, organizado por Mário Arnaud Sampaio, em edição de 1986, da L&PM.

Viva Carolina

Há 43 anos falecia em um pequeno sítio na periferia de São Paulo, esquecida pelo público e pela imprensa, a escritora Carolina de Jesus. Negra, catadora de papel e favelada, a escritora, nascida em 14 de março de 1914, em Sacramento, no interior de Minas Gerais, foi uma das autoras mais improváveis da história da literatura brasileira. Aos 33 anos, desempregada, grávida e morando na favela do Canindé, na Zona Norte da capital paulista, trabalhava como catadora de papel e, nas horas vagas, registrava seu cotidiano em cadernos que encontrava no lixo. Foi esse material que deu origem a seu primeiro livro, “Quarto de Despejo”, publicado em 1960 e um grande sucesso de vendas no país e no exterior, com tradução para 16 idiomas. Mais recentemente, a autora vem sendo tema de artigos, dissertações, teses e biografias, a mais recente delas, de 2018, assinada por Tom Farias, entrevistado no vídeo acima.

Queimando livros

Ilustrações inspiradas no livro “Fahrenheit 451”, de Ray Bradbury, publicadas no site listasliterarias.com. Confira a lista completa, de 10 ilustrações, no link http://www.listasliterarias.com/2020/02/10-fantasticas-ilustracoes-inspiradas.html.

O livro, publicado em 1953, segundo texto de apresentação da editora, “descreve um governo totalitário, num futuro incerto, mas próximo, que proíbe qualquer livro ou tipo de leitura, prevendo que o povo possa ficar instruído e se rebelar contra o status quo. Tudo é controlado e as pessoas só têm conhecimento dos fatos por aparelhos de TVs instalados em suas casas ou em praças ao ar livre. A leitura deixou de ser meio para aquisição de conhecimento crítico e tornou-se tão instrumental quanto a vida dos cidadãos, suficiente apenas para que saibam ler manuais e operar aparelhos”.

O número 451 do título é a temperatura (em Fahrenheit) da queima do papel, equivalente a 233 graus Celsius.