O poder do audiolivro

aluno em frente ao microfone se prepara para narrar uma história ao lado da professora e colegas em uma sala de leitura
Foto de Josy Inácio/Divulgação/Prefeitura de Itanhaém publicada pela Folha de São Paulo

História inspiradora vem de Itanhaém, no interior de São Paulo, onde a orientadora de uma escola local, Alessandra Aparecida Sales Cavalcante, propôs a um grupo de alunos um projeto de produção de audiolivros. A iniciativa, criada no início desse ano para atender a demanda de um adolescente da escola com síndrome paralítica, já está rendendo frutos. Segundo matéria da Folha, três das 40 escolas da rede municipal já estão sendo atendidas pelo projeto. Além dos benefícios para os próprios estudantes envolvidos no projeto, os audiolivros gravados por eles abrem um novo mundo para alunos com Síndrome de Down, Autismo e outras necessidades especiais como deficiências visuais, auditivas, físicas e mentais. Ainda de acordo com a reportagem, já foram gravados mais de 20 títulos e até o fim do ano, a expectativa é que toda as escolas municipais recebam os audiolivros. Cerca de 420 alunos devem ser atendidos pela iniciativa.

A matéria, assinada por Klaus Richmond, de Santos, pode ser lida na íntegra no link: https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2018/09/alunos-gravam-livros-para-colegas-de-escola-que-nao-podem-ler-no-litoral-de-sp.shtml.

Pelo nosso patrimônio

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Foto G1-Globo.com

Duas semanas da tristeza e vergonha pela negligência dos nossos presidentes e ministros que deixaram o Museu Nacional  (18181-20018) ser quase totalmente consumido por um incêndio no dia 2 passado. Que o Cristo guardai a Biblioteca Nacional (originada do acervo de Dom João VI, que chegou ao Rio em 1808), o Real Gabinete Português de Leitura (de 1837), a Biblioteca da Fundação Oswaldo Cruz e tantos outros patrimônios públicos e privados, do Rio e do país.

Abaixo vídeo de 2015, da Capim Filmes, um dos vários disponíveis no site do Museu (www.museunacional.ufrj.br), cedido pela produtora como parte de um esforço coletivo de resgate da história da instituição.

IMS lança portal de crônicas

 

Das boas notícias recentes, merece destaque o lançamento hoje, 12/09, do Portal da Crônica Brasileira (cronicabrasileira.org.br). A louvável iniciativa do Instituto Moreira Salles (IMS) põe ao alcance de qualquer pessoa com acesso à internet 2.470 crônicas, na sua maioria também em versão fac-símile, ou seja, como foram originalmente publicadas, em páginas de revistas e jornais. São textos assinados pelos mais importantes autores do gênero no país. Rachel de Queiroz, Rubem Braga, Clarice Lispector, Antônio Maria, Paulo Mendes Campos e Otto Lara Resende, entre eles. As crônicas fazem parte de acervos pessoais dos cronistas, hoje sob guarda do próprio IMS e de outras instituições. Segundo a coordenadora de Literatura do Instituto, Elvia Bezerra, nomes como Carlos Drummond de Andrade e Fernando Sabino devem ser incorporados ao site “num futuro próximo”. Caricaturas de Cássio Loredano/IMS.

 

 

Áudio em expansão

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Foto por Tookapic em Pexels.com

Mencionada no Painel das Letras, blog de Maurício Meireles no site da Folha de SP, como “a grande novidade de 2018 no mercado editorial”, a expansão das plataformas de audiolivros pode ganhar um aliado de peso no país. Conforme o blog, está sendo negociado o desembarque por aqui da gigante sueca Storytel, segunda maior plataforma de livros em áudio do mundo, perdendo apenas para a Audible, da Amazon. Há pouco mais de um mês, o Google lançou a versão em português de sua plataforma.

O grupo Companhia das Letras também acaba de anunciar seus primeiros títulos no formato. A publicação de estreia do selo Áudio Companhia é o récem-lançado “21 Lições para o Século 21“, de Yuval Noah Harari, que acaba de sair também no formato tradicional de livro e e-book.

A polêmica do aparelho sexual

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A precariedade do debate político aliada ao que a de mais retrógado na sociedade brasileira, acabou por colocar na semana passada “Aparelho Sexual e Cia.” no centro da “Polêmica do Momento”. O título, lançado pelo selo juvenil da Companhia das Letras em 2007 e hoje esgotado, trata de aspectos da sexualidade, com sólida base pedagógica e rigor científico”, segundo comunicado que a editora publicou depois do bafáfá criado em torno do livro. No melhor estilo “tiro pela culatra”, a Companhia já anunciou o relançamento do livro no país e, em entrevistas a veículos de imprensa brasileiros posteriores à celeuma, a coautora, a francesa Hélène Bruller, aproveitou para agradecer o impulso nas vendas.

Trechos do comunicado:

“A editora Companhia das Letras reitera que confia no conteúdo do livro Aparelho sexual e Cia, uma obra que enfoca todos os aspectos da sexualidade, com sólida base pedagógica e rigor científico. Justamente por sua seriedade e pela importância do tema — cuja dificuldade de tratamento foi superada pela leveza na abordagem de assuntos como a paixão, as mudanças da puberdade, a contracepção, doenças sexualmente transmissíveis, pedofilia e incesto —, a obra foi publicada em 10 línguas, vendeu mais de 1,5 milhões de exemplares no mundo, e foi transformada em exposição, que ficou em cartaz duas vezes na Cité des Sciences et de l’Industrie, em Paris, e viajou por 7 anos pela Europa, sem que tivesse recebido qualquer acusação ou reprimenda. Ao contrário, virou um modelo de como informar os jovens sobre temas importantes e incontornáveis, a partir de um tratamento comprometido e cuidadoso.”

Gostaríamos de lembrar que Aparelho sexual e Cia foi lançado pelo selo juvenil da editora em 2007, e no nosso catálogo era sugerido para o 6º, 7º, 8º e 9º anos do Ensino Fundamental, ou seja, para alunos de 11 a 15 anos. A indicação de cada escola é livre, a Companhia das Letras não tem nenhuma interferência sobre ela.

“O conteúdo da obra nada tem de pornográfico, uma vez que, formar e informar as crianças sobre sexualidade com responsabilidade é, inclusive, preocupação manifestada pelo próprio Estado, por meio de sua Secretaria de Cultura do Ministério da Educação que criou, dentre os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), um específico à “Orientação Sexual” para crianças, jovens e adolescentes.”  

“Ao contrário do que afirmou erroneamente o candidato à Presidência em entrevista ao Jornal Nacional na noite de 28 de agosto, ele nunca foi comprado pelo MEC, como tampouco fez parte de nenhum suposto “kit gay”.”