Camões para Chico

Conto publicado em 1963 na Revista Manchete e no Suplemento Literário de O Estado de SP
(http://www.chicobuarque.com.br/livros/conto_ulisses.htm).

Depois de amealhar fãs pelo mundo afora por sua carreira musical, Chico Buarque acaba de faturar mais um prêmio importante por sua carreira de escritor. O brasileiro é o laureado de 2019 do Prêmio Camões, que entre outras honrarias aos escritores lusófonos pelo conjunto de suas obras, garante um prêmio de 100 mil euros.

Chico foi o nome escolhido por uma equipe de seis jurados indicados pela Biblioteca Nacional, pelo Ministério da Cultura de Portugal e por membros das comunidades de Angola, e Moçambique. Autor de teatro (“Roda Viva“, “Gota d’Água“, “Calabar“, “Ópera do Malandro“) e romancista (“Estorvo“, “Benjamim“, “Budapeste“, “Leite Derramado” e o mais recente “O Irmão Alemão“, já havia vencido o Jabuti – principal prêmio literário do Brasil – em 2006 e 2010.

Abaixo os 12 outros “Prêmio Camões” do Brasil:

-João Cabral de Melo Neto (1990)

-Rachel de Queiroz (1993)

-Jorge Amado (1994)

-Antonio Candido (1998)

-Autran Dourado (2000)

-Rubem Fonseca (2003)

-Lygia Fagundes Telles (2005)

-João Ubaldo Ribeiro (2008)

-Ferreira Gullar (2010)

-Dalton Trevisan (2012)

-Alberto da Costa e Silva (2014)

-Raduan Nassar (2016)

Prêmio Jabuti está com inscrições abertas

Mailson Furtado Viana (dir.) recebe o prêmio de Livro do Ano 2018, por “à cidade”.
Foto: Alex Silva/Estadão Conteúdo

Estão abertas, até o dia 28 de junho, as inscrições para o mais tradicional prêmio literário do país: o Jabuti. Organizado pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), a edição 2019 chega com mudanças como a volta da separação das categorias Infantil e Juvenil e a união de Documentário e Reportagem à categoria Biografia.

Conforme o regulamento, o 61º Prêmio Jabuti será constituído por quatro eixos: Literatura, Ensaios, Livro e Inovação. Cada eixo contempla diferentes áreas do conhecimento separadas por categorias. Com relação à premiação, serão considerados apenas o primeiro colocado de cada categoria, escolhido entre os cinco livros finalistas. A obra vencedora em primeiro lugar ganhará um troféu Jabuti para o autor e um para a editora. Além do troféu, o autor receberá um prêmio no valor de R$ 5 mil.

“O Livro do Ano será atribuído a uma única obra, seja de ficção ou não ficção. O autor receberá um troféu Jabuti especial e o valor bruto de R$ 100 mil”. Podem concorrer ao Livro do Ano apenas os vencedores das categorias que compõem os eixos Literatura e Ensaios: Conto, Crônica, Histórias em Quadrinhos, Infantil, Juvenil, Poesia, Romance, Artes, Biografia, Documentário e Reportagem; Ciências, Economia Criativa e Humanidades. 

Regulamento completo e inscrições no endereço: premiojabuti.com.br.

Filosofia essencial

No rastro das discussões em torno da estupidez oficial do momento – o esvaziamento das faculdades de Ciências Humanas, em especial de cursos como Filosofia e Sociologia, Mariana Felipe, do www.revistabula.com, listou 25 títulos essenciais para entender os motivos desse tipo de disciplina ser a base para a construção de qualquer outro conhecimento.

“A Paisagem Moral”, Sam Harris – 2010

O autor defende o abandono da religião em nome da ciência. Tese defendida também por nomes como Richard Dawkins e Christopher Hitchens.

“Problemas de Gênero”, Judith Butler – 1990

Crítica contundente a um dos principais fundamentos do movimento feminista: a identidade. Butler é considerada hoje uma das principais teóricas do feminismo.

“Crítica da Razão Cínica”, Peter Sloterdijk – 1983

Destrincha e recompõe o legado da filosofia ocidental de cunho racionalista e progressista. Provocador e perspicaz.

“Vigiar e Punir”, Michel Foucault – 1975

Estudo sobre a evolução da legislação penal e dos métodos coercitivos e punitivos adotados pelo poder público na repressão à delinquência.

“História da Filosofia Ocidental”, Bertrand Russel – 1969

Obra monumental de um dos maiores pensadores dos séculos XIX e XX, reflete sobre a filosofia dos pré-socráticos aos dias atuais.

“A Sociedade do Espetáculo”, Guy Debord – 1967

Análise impiedosa da invasão de todos os aspectos do cotidiano pelo capitalismo moderno.

“A Condição Humana”, Hannah Arendt – 1958

Uma das filósofas mais influentes do século XX pondera sobre como e porque foi possível o surgimento do totalitarismo.

“O Segundo Sexo”, Simone de Beauvoir – 1949

Procura compreender de que maneira a mulher ocupou a posição de segundo sexo em diferentes sociedades, como ela se coloca no mundo e como contribui para essa configuração social.

“O Ser e o Nada”, Jean-Paul Sartre – 1943

Prodigioso sistema de “explicação total do mundo” por meio de um exame detalhado da realidade humana como ela se manifesta, estudando o abstrato concretamente.

“O Mito de Sísifo”, Albert Camus – 1942

Ensaio clássico sobre o absurdo e o suicídio, publicado durante a Segunda Guerra Mundial.

“Ser e Tempo”, Martin Heidegger – 1927

Livro fundamental para quem pretende conhecer e entender o ser humano de forma integral.

“Sobre a Liberdade”, John Stuart Mill – 1859

Defesa da individualidade e da autonomia diante da sociedade e do Estado.

“Ou-ou: Um Fragmento de Vida”, Kierkegaard – 1843

Obra ímpar da literatura e da filosofia ocidentais, desenvolve conceitos sobre o estético e o ético, o ético e o religioso, desespero e esperança.

“O Mundo como Vontade e Representação”, Arthur Schopenhauer – 1819

Obra fundamental do autor, escrita em estilo claro, elegante e contundente, abrange temas que vão da epistemologia à ética.

-“Fenomenologia do Espírito”, Georg W. Friedrich Hegel – 1807

Obra inicia tentativa do autor de construir um Sistema de Filosofia, com a Fenomenologia do Espírito, onde a fenomenologia desempenha a função de ser uma introdução à Ciência.

-“Reivindicação dos Direitos da Mulher”, Mary Wollstonecraft -1792

Considerado um dos documentos fundadores do feminismo, o livro denuncia a exclusão das mulheres do acesso a direitos básicos no século 18. Mary é mãe de Mary Shelley, autora de “Frankenstein” (1818).

“Crítica da Razão Pura”, Immanuel Kant – 1781

Para o autor, considerado o último grande filósofo dos princípios da era moderna, a razão desdobra-se em contradições, mas apenas aparentes.

-“Investigação Sobre os Princípios da Moral”, David Hume – 1751

Mostra que uma investigação deve proceder de fatos observados sobre o comportamento humano, deixando de lado quaisquer esquemas puramente hipotéticos e idealizados acerca da “real natureza” do homem.

-“Discurso do Método”, René Descartes – 1637

Penso, logo existo: tal proposição resume o espírito de René Descartes, sábio francês cuja obra inaugurou a filosofia moderna.

-“Os Ensaios”, Michel de Montaigne – 1595

Considerado o inventor do gênero ensaio, foi alfabetizado em latim e prefeito de Bordeaux. Na obra, temas como o medo, a covardia, a preparação para a morte, a educação dos filhos, a embriaguez, a ociosidade.

-“O Príncipe”, Nicolau Maquiavel -1532

Em 26 capítulos, o autor elenca os tipos de principado existentes e as diferenças entre cada um deles. Ainda hoje, é considerado um guia sobre como chegar ao poder e mantê-lo.

-“Cartas a Lucílio”, Sêneca – 1494

Consideradas a grande obra-prima do filósofo latino, apresentam uma síntese dos princípios de sabedoria, virtude e liberdade que o pensador perseguiu em vida.

-“Confissões”, Agostinho de Hipona – 398 d.C.

Pela densidade poética e pela originalidade da escrita, representam um marco único na história da literatura ocidental. O autor é considerado o mais importante teólogo dos primeiros séculos do cristianismo.

-“A República”, Platão – 308 a.C.

Exposição das ideias políticas, filosóficas, estéticas e jurídicas de um dos pilares da filosofia ocidental.

-“A Ética a Nicômaco”, Aristóteles

Na obra o autor expõe sua concepção teleológica de racionalidade prática, sua ideia de virtude como moderação e suas considerações acerca do papel do hábito e da prudência.

Literatura inusitada

Foto: GC Notícias

Dois dos maiores sucessos de venda de livros de autoajuda, quem diria, viraram objeto de condenação no Peru. Segundo notícia da AFP, publicada aqui pelo Estadão, dois ladrões de celulares receberam como parte de suas sentenças a obrigação de ler dois livros em troca de quatro anos de prisão: “O Alquimista”, de Paulo Coelho, e “Pai Rico, Pai Pobre”, de Robert Kiyosaki.

Os jovens de 21 e 23 anos deverão ainda estudar para uma carreira profissional, cumprir rigorosas regras de conduta, não frequentar “locais de reputação duvidosa” e pagar, em conjunto, o equivalente a cerca de 1.200 dólares como reparação à vítima do roubo.

Páginas de Waltercio Caldas

Foto da Revista Zum/Instituto Moreira Salles

Os “malditos” Poe e Baudelaire reunidos em “Marcador Universal”, obra do artista plástico Waltercio Caldas (1946), de 2014, que integrou a 33 Bienal Internacional de São Paulo e está, no momento, em exposição na Grande Galeria do Palácio das Artes, em Belo Horizonte. Da capital mineira, o recorte da Bienal, do qual a obra faz parte, segue para cidades como Campinas (SP), Vitória (ES), Juiz de Fora (MG), São José do Rio Preto (SP), Brasília (DF), Porto Alegre (RS) e Medellín (Colômbia).