Os audiolivros mais vendidos no Google Play

Lançado em julho passado, o serviço de audiolivros do Google Play acaba de publicar a lista dos 20 títulos mais vendidos no país. 

1- “A arte da Guerra”, Sun Tzu
2- “Ansiedade – Como Enfrentar o Mal do Século”, Augusto Cury
3- “Eu Vou Te Ensinar a Ser Rico”,  Ben Zruel
4- “A Mente Inabalável: Como Superar as Dificuldades da Vida”, Ryuho Okawa
5- “O Buda e o Executivo”, Franz Metcalf e Bj Gallagher
6- “O Diário de Anne Frank”, Anne Frank
7- “A Garota no Trem”, Paula Hawkins
8- “O Pequeno Príncipe” (Antônio Carlos Jobim, Paulo Autran e outros)
9- “21 lições para o século 21”, Yuval Noah Harari
10- “O Príncipe”, Maquiavel
11- “Como Convencer Alguém em 90 Segundos”, Nicholas Boothman
12-  “Mindset”, Carol Dweck
13 – “Os Sete Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes”, Stephen R. Covey
14-  “Manual de Persuasão do FBI”, Jack Schafer
15 – “A História do Mundo Para Quem Tem Pressa”, Emma Marriott
16 – “Bitcoin – A Moeda na Era Digital”, Fernando Ulrich
17 – “Casamento Blindado – O Seu Casamento à Prova de Divórcio”, Renato Cardoso e Cristiane Cardoso
18 – “Mistério em Chalk Hill”,  Susanne Goga
19 – “Homo Deus”, Yuval Noah Harari
20 – “Um Legado de Espiões”, John le Carré

Temporada tem Camus nos palcos e Colette nas telas

Notícias do final de semana dão conta de que pelo menos três obras literárias – ou, mais precisamente uma obra e dois autores – deixam o mundo dos livros para ganhar palcos e telas em peça e filmes igualmente recomendados. 

A obra de Albert Camus empresta inclusive o título ao espetáculo “Estado de Sítio”, dirigido por Gabriel Vilela, que estreou no Sesc Vila Mariana, em São Paulo. A escritora francesa, Gabrielle Colette (1873-1954) é vivida nas telas por Keira Knightley em filme do diretor Wash Westmoreland que tem estreia nos cinemas brasileiros prevista para o próximo dia 13. E o brasileiríssimo Ariano Suassuna, morto em 2014,  estará em “O Riso de Ariano”, roteiro de João Falcão e Tatiana Maciel em fase de filmagem sob direção José Eduardo Belmonte e com previsão de lançamento para o segundo semestre do ano que vem.

Livro salva

Pouco difundida no Brasil, a biblioterapia vem, aos poucos, sendo mais comentada no país. Matéria recente publicada no portal Uai mostra as amplas possibilidades da leitura como mediadora entre o leitor e suas questões subjetivas. É uma prática que remonta à Idade Média, quando a cura em hospitais era auxiliada pela leitura da Bíblia, e que foi utilizada também durante as duas grandes guerras em hospitais de campanha.

Como lembra a matéria, “a leitura é libertadora e auxilia a psique a encontrar o equilíbrio necessário para dosar as situações cotidianas com o peso que realmente representam. Ela se revela uma forma eficaz de estimular as pessoas a encontrarem soluções para seus problemas, melhorando a qualidade de vida e a gestão da emoção”. 

Nessa mesma linha, vale a pena ler/ouvir Nils Skare, tradutor do genial – e pouco comentado no Brasil – Sherwood Anderson, em “Como Prevenir a Depressão com  Winesburg, Ohio”, disponível no site da editora L-Dopa (http://ldopa.com.br/podcast/podcast-como-prevenir-a-depressao-com-winesburg-ohio/)

O apelo de Schwarcz

Carta de Amor aos Livros*

O livro no Brasil vive seus dias mais difíceis. Nas últimas semanas, as duas principais cadeias de lojas do país entraram em recuperação judicial, deixando um passivo enorme de pagamentos em suspenso.Mesmo com medidas sérias de gestão, elas podem ter dificuldades consideráveis de solução a médio prazo. O efeito cascata dessa crise é ainda incalculável,mas já assustador. O que acontece por aqui vai na maré contrária do mundo.Ninguém mais precisa salvar os livros de seu apocalipse, como se pensava em passado recente. O livro é a única mídia que resistiu globalmente a um processo de disrupção grave. Mas no Brasil de hoje a história é outra. Muitas cidades brasileiras ficarão sem livrarias e as editoras terão dificuldades de escoar seus livros e de fazer frente a um significativo prejuízo acumulado.

As editoras já vêm diminuindo o número de livros lançados, deixando autores de venda mais lenta fora de seus planos imediatos,demitindo funcionários em todas as áreas. Com a recuperação judicial da Cultura e da Saraiva, dezenas de lojas foram fechadas, centenas de livreiros foram despedidos, e as editoras ficaram sem 40% ou mais dos seus recebimentos—gerando um rombo que oferece riscos graves para o mercado editorial no Brasil.

Na Companhia das Letras sentimos tudo isto na pele, já que as maiores editoras são, naturalmente, as grandes credoras das livrarias, e, nesse sentido, foram muito prejudicadas financeiramente. Mas temos como superar a crise: os sócios dessas editoras têm capacidade financeira pessoal de investir em suas empresas, e muitos de nós não só queremos salvar nossos empreendimentos como somos também idealistas e, mais que tudo, guardamos profundo senso de proteção para com nossos autores e leitores.

Passei por um dos piores momentos da minha vida pessoal e profissional quando, pela primeira vez em 32 anos, tive que demitir seis funcionários que faziam parte da Companhia há tempos e contribuíam com sua energia para o que construímos no nosso dia a dia. A editora que sempre foi capaz de entender as pessoas em sua diversidade, olhar para o melhor em cada um e apostar mais no sentimento de harmonia comum que na mensuração da produtividade individual, teve que medir de maneira diversa seus custos, ou simplesmente cortar despesas. Numa reunião para prestar esclarecimentos sobre aquele triste e inédito acontecimento, uma funcionária me perguntou se as demissões se limitariam àquelas seis. Com sinceridade e a voz embargada, disseque não tinha como garantir.

Sem querer julgar publicamente erros de terceiros,mas disposto a uma honesta autocrítica da categoria em geral, escrevo mais esta carta aberta para pedir que todos nós, editores, livreiros e autores,procuremos soluções criativas e idealistas neste momento. As redes de solidariedade que se formaram, de lado a lado, durante a campanha eleitoral talvez sejam um bom exemplo do que se pode fazer pelo livro hoje. Cartas, zaps, e-mails, posts nas mídias sociais e vídeos, feitos de coração aberto, nos quais a sinceridade prevaleça, buscando apoiar os parceiros do livro, com especial atenção a seus protagonistas mais frágeis, são mais que bem-vindos: são necessários. O que precisamos agora, entre outras coisas, é de cartas de amora os livros.

Aos que, como eu, têm no afeto aos livros sua razão de viver, peço que espalhem mensagens; que espalhem o desejo de comprar livros neste final de ano, livros dos seus autores preferidos, de novos escritores que queiram descobrir, livros comprados em livrarias que sobrevivem heroicamente à crise, cumprindo com seus compromissos, e também nas livrarias que estão em dificuldades, mas que precisam de nossa ajuda para se reerguer. Divulguem livros com especialíssima atenção ao editor pequeno que precisa da venda imediata para continuar existindo, pensem no editor humanista que defende a diversidade, não só entre raças, gêneros, credos e ideais, mas também a diversidade entre os livros de ambição comercial discreta e os de ambição de venda mais ampla. Todos os tipos de livro precisam sobreviver. Pensem em como será nossa vida sem os livros minoritários, não só no número de exemplares, mas nas causas que defendem, tão importantes quanto os de larga divulgação. Pensem nos editores que, com poucos recursos, continuam neste ramo que exige tanto de nós e que podem não estar conosco em breve. Cada editora e livraria que fechar suas portas fechará múltiplas outras em nossa vida intelectual e afetiva.

Presentear com livros hoje representa não só a valorização de um instrumento fundamental da sociedade para lutar por um mundo mais justo como a sobrevivência de um pequeno editor ou o emprego de um bom funcionário em uma editora de porte maior; representa uma grande ajuda à continuidade de muitas livrarias e um pequeno ato de amor a quem tanto nos deu,desde cedo: o livro.

*Luiz Schwarcz, editor da Companhia das Letras e escritor.

Anne para as novas gerações

Estante que dava acesso à área secreta onde se escondeu, por dois anos, a família Frank

A Casa de Anne Frank, onde a adolescente judia se escondia durante o período do nazismo em Amsterdã e onde escreveu um diário que mais tarde se tornaria um best-seller mundial, acaba de ser reinaugurada após dois anos em obras de modernização. O endereço, na Prinsengracht 263, recebe cerca de 1,2 milhão de pessoas anualmente e foi reformado para atender as novas gerações de visitantes. 

O enredo envolvendo Anne é um fato único na históriada literatura. Ela e sua irmã Margot morreram no campo de concentração de Bergen-Belsen – provavelmente de tifo e, por esforço do seu pai Otto Frank –único sobrevivente da família, seu diário foi publicado após o fim da Segunda Guerra Mundial. Virou um dos livros mais vendidos da história e a casa uma atração turística que está hoje entre as mais visitadas de uma cidade que tem, entre outros concorrentes, um museu inteiro dedicado ao astro pop das artes plásticas Vincent van Gogh.