A baixa perfomance do mercado editorial em 2018

Dados da Pesquisa Produção e Venda do Setor Editorial Brasileiro, divulgados recentemente pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) e pelo Sindicato Nacional de Editores de Livros (Snel), lançam novas luzes sobre o quadro de fragilidade local. Os números, apurados pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), revelam que no ano passado o mercado editorial brasileiro apresentou queda nominal de 0,9%, o que significa um decréscimo real de 4,5% (considerando a inflação do período).  

A pesquisa revela ainda que as lojas físicas de venda de livros registraram um decréscimo de 20,84% de participação no faturamento das editoras e de 20,62% no número de exemplares vendidos. Na contramão aparecem com altas os distribuidores (27,29%), marketplaces (26%) e livrarias exclusivamente virtuais (25,2%).  

Com relação ao preço médio recebido pelas editoras, houve aumento em todos os chamados subsetores: didáticos (5,59%), obras gerais (7,07%), religiosos (3,64%), científico, técnico e profissional (R$ 46,53%).  

Também na semana passada já havia sido divulgado outro levantamento, dessa vez conduzido pela Nielsen, que mostrou que o desalento do ano passado prossegue em 2019. No primeiro trimestre deste ano, o mercado continua encolhendo, com vendas 30% inferiores às do mesmo período de 2018.

Os mais citados pelos “seguidores” do jornal FSP

Para marcar o Dia da Literatura Brasileira, comemorado ontem, 1/5, em uma homenagem ao nascimento do escritor José de Alencar (1829-1877), o jornal Folha de SP desafiou seus seguidores em uma rede social a postarem imagens com recomendações de obras de autores nacionais de ficção, não-ficção e infantis. Entre os mais lembrados, segundo o jornal, figuraram “Memórias Póstumas de Brás Cubas” e “Dom Casmurro”, de Machado de Assis; “Grande Sertão: Veredas”, de Guimarães Rosa; “Capitães de Areia”, de Jorge Amado; “O Cortiço”, de Aluísio Azevedo; e “Lucíola” e “Senhora”, de José de Alencar. Chama a atenção a ausência absoluta de obras poéticas e, coincidência ou não, o destaque para títulos comumente associados à leitura obrigatória no currículo escolar e em concursos.

Sob demanda

A editora Companhia das Letras já conta com seis títulos – hoje fora de seu catálogo principal – disponíveis sob demanda na plataforma UmLivro. A novidade permite a impressão de um único exemplar da obra sem a necessidade de impressão de toda uma tiragem. Por esse meio, o leitor compra o título na loja online, o livro é impresso em curto espaço de tempo e enviado ao comprador. As edições, segundo a editora, tem qualidade idêntica às originais. A compra pode ser feita, via Marketplace, em lojas online como Amazon e Americanas.

Confira as obras da Companhia das Letras já disponíveis sob demanda:

“Chico Mendes – Crime e Castigo”, Zuenir Ventura

“A Biblioteca à Noite”, Alberto Manguel  

“Freud, Pensador da Cultura”, Renato Mezan

“Ganância”, Scott Bergstrom

“O Imperialismo Sedutor” – A Americanização do Brasil na Época da Segunda Guerra, Antonio Pedro Tota

“Entre Sonhos e Tempestades” – Três Peças de William Shakespeare adaptadas e ilustradas por Rui de Oliveira

Prince autobiográfico

“The Beautiful Ones” é o título da autobiografia do cantor Prince, morto em abril de 2016, que a Penguin Random House lançará no próximo mês de outubro, nos Estados Unidos. O livro, segundo anúncio recente da editora, aborda da infância à fama mundial do autor de “Purple Rain”, entre outros sucessos. O cantor morreu de overdose acidental de analgésico, aos 57 anos e sem concluir o livro. Ainda não há previsão de lançamento no Brasil.

Mercado de livros encolhe no primeiro trimestre do ano

Suporte para livros Designboom

Conforme pesquisa conduzida pela Nielsen e divulgada pelo Sindicato Nacional dos Editores, o faturamento com as vendas de livros no país encolheu 25% no primeiro trimestre deste ano, quando comparado com o mesmo período de 2018. A pesquisa revela ainda que, em número de exemplares, as vendas caíram 30% no período, ou 1,2 milhão de livros a menos. No epicentro da crise estão as duas principais redes de lojas do setor, a Cultura e a Saraiva, ambas em processo de recuperação judicial. Com relação aos preços médios dos livros no país, a tendência apurada é de alta, com os preços médios subindo de R$ 42,77 para R$ 45,73.