O primeiro romance

“Ainda lembro da minha surpresa quando soube que o primeiro grande romance da literatura universal foi escrito por uma dama de companhia da corte japonesa por volta do ano 1000.1 Não sabemos o nome verdadeiro da autora, que veio a ser conhecida como Murasaki Shikibu, sua inesquecível protagonista. Essa senhora anônima da corte criou um mundo literário de biombos, leques e poemas que era diferente de qualquer coisa escrita até então.”

Trecho do livro “O Mundo da Escrita”, de Martin Puchner

Equívocos na rede

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Numa “Breve História dos Versos Apócrifos”, o jornal espanhol El País selecionou casos clássicos de poemas e textos que se disseminam pelas redes atribuídos a autores errados. No Brasil, Clarice Lispector já é campeã no gênero. Na lista do El País estão, entre outros, o caso do poema cujo começo diz “Primeiro vieram buscar os socialistas, e eu não disse nada, porque eu não era socialista”. O verso circula em diferentes versões e é usualmente atribuído a Bertold Brecht. Na verdade, é do pastor luterano Martin Niemöller.

“Se eu pudesse viver novamente minha vida, na próxima tentaria cometer mais erros”, começa o poema Instantes, geralmente atribuído ao escritor Jorge Luis Borges, mas sua autora é a norte-americana Nadine Stair. O poema A Morte Devagar, da brasileira Martha Medeiros, segundo o jornal, viralizou atribuído falsamente ao Nobel chileno Pablo Neruda. Começa assim: “Morre lentamente quem não viaja, / quem não lê, / quem não ouve música”.

Se é que isso existe

Pintura do húngaro László Mednyánszky (1852-1919)

„Essas coisas, você sabe. Parece que não consigo entrar em nada. Tudo travado. Todas as cartas tomadas. Eu não me ligo em política nem religião, nem seja lá o que for. Realmente não sei o que está acontecendo por aí. Não tenho TV, não leio jornais, nada disso. Não sei quem está certo ou errado, se é que isso existe.“

Do escritor e poeta beatnik Charles Bukowski (1920-1994)

O surto do prefeito e a reação dos ministros

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“Sob o signo do retrocesso, cuja inspiração resulta das trevas que dominam o poder do Estado, um novo e sombrio tempo se anuncia, da intolerância, da repressão ao pensamento, da interdição ostensiva ao pluralismo de ideias e do repúdio ao princípio democrático.”

Do ministro do Supremo, Celso de Mello, em nota da colunista Mônica Bergamo, da FSP, sobre o surto de censor do prefeito do Rio na tentativa de proibir a venda de uma HQ com um beijo gay na Bienal do Rio, encerrada no domingo.

Por duas vezes os fiscais de Crivella estiveram no evento na busca de obras atentatórias, num episódio de repercussão internacional. Posteriormente, o STF ratificou a decisão de proibir a censura e fez uma defesa do ambiente de livre trânsito de ideias no país, “um pressuposto para o regime democrático”, conforme o presidente da corte, Dias Toffoli.