Fragmento de Anderson

…Eu costumava passar pela casa com algo estranhamente vivo em mim. Isso eu havia percebido. Um velho de barba e uma mulher de rosto pálido moravam lá. Havia uma cerca-viva alta e certa vez olhei através dela. Vi o homem andando nervosamente para cima e para baixo, num trecho do jardim, sob uma árvore. Ele apertava e desapertava as mãos, balbuciando palavras. As portas e as venezianas da casa misteriosa ficavam todas fechadas. Enquanto eu olhava, a velha com o rosto pálido abriu a porta um pouco e olhou para o homem. Então a porta se fechou novamente. Ela nada lhe disse. Será que ele o olhou com amor ou medo os olhos? Como eu saberia? Não pude ver.

Outra vez escutei a voz de uma jovem, embora eu jamais tenha visto uma jovem naquele lugar. Era noite e a mulher cantava – uma doce voz jovem.

Ai está. É tudo. A vida é mais próxima disso do que a maioria das pessoas supõe. Pequenos fragmentos de coisas. Isso é tudo que conseguimos….

Trecho do conto “Numa Cidade Estranha”, de Sherwood Anderson, do livro “Morte nos Bosques”, traduzido por Nils Skare em edição da curitibana L-Dopa Publicações.

Tudo é opinião

“Os deuses não revelaram aos homens desde o início todas as coisas; mas por meio da procura eles com o tempo encontram o melhor. […] Pois jamais houve nem haverá quem possua a verdade plena sobre os deuses e sobre todas as coisas das quais eu falo. E, mesmo se, por acaso, um homem conseguisse expressar a verdade inteira, ainda assim ele próprio não se aperceberia disso. A opinião tudo permeia.”

Xenófanes (Século V A.C.)