Centenário José Mauro

Além de Clarice Lispector (10/12/1920) e João Cabral de Melo Neto (9/1/1920), o ano de 2020 marca também o centenário de nascimento de outro autor de clássicos da literatura brasileira: José Mauro de Vasconcelos (26/02/1920). Falecido aos 64 anos, teve uma biografia que foi além da atuação como escritor consagrado. Foi de treinador de boxe a garçom, passando por ator, modelo do escultor Bruno Giorgi e artista plástico. Seu maior best-seller, “O Meu Pé de Laranja Lima”, com mais de 2 milhões de cópias vendidas, segundo matéria assinada por Maria Fernanda Rodrigues, em O Estado de S. Paulo, ganhou edição especial há dois anos por ocasião dos 50 anos de seu lançamento. Agora, conforme a matéria, a Melhoramentos deve completar a coleção, com o lançamento de edições repaginadas das demais obras do autor.  

Abaixo a bibliografia de J. M. Vasconcelos, conforme a Wikipedia.

“Banana Brava” (1942)

“Barro Blanco” (1948)

“Longe da Terra” (1949)

“Vazante” (1951)

“Arara Vermelha” (1953)

“Arraia de Fogo” (1955)

“Rosinha, Minha Canoa” (1962)

“Doidão” (1963)

“O Garanhão da Praia” (1964)

“Coração de Vidro” (1964)

“As Confissões de Frei Abóbora” (1966)

“Meu Pé de Laranja Lima” (1968)

“Rua Descalça” (1969)

“O Palácio Japonês” (1969)

“Farinha Orfão” (1970)

“Chuva Crioula” (1972)

“O Veleiro de Cristal” (1973)

“Vamos Aquecer o Sol” (1974)

“A Ceia” (1975)

“O Menino Invisível” (1978)

“Kuryala: Capitão e Carajá” (1979)

Keynes comenta

O economista britânico na Conferência de Bretton Woods, em 1944

“O que sinto com respeito a “O Capital” é o mesmo que sinto com respeito ao “Alcorão”. Sei que é historicamente importante e sei que muitas pessoas, nem todas elas idiotas, julgam-no uma espécie de oráculo e fonte de inspiração. Mas, quando examino a obra, é inexplicável para mim que ela possa produzir tal efeito. Seu polemismo enfadonho, ultrapassado e acadêmico parece extraordinariamente inadequado como material para esses fins. Por outro lado, como já disse, sinto o mesmo com relação ao “Alcorão”. Como é que qualquer um desses livros pôde levar o fogo e a espada a metade do planeta? Não consigo entender. Está claro que existe algum defeito em minha compreensão”.

John Maynard Keynes em carta de 1934 ao escritor irlandês Bernard Shaw em resposta à sugestão de que a leitura de “O Capital” poderia ajudá-lo em seu trabalho teórico. Fonte: “O Livro das Citações”, de Eduardo Giannetti, no capítulo “A Interpretação dos Clássicos”.

Testemunho monumental em nova tradução

Já está à venda a nova tradução de “Arquipélago Gulag”, obra-prima do russo Aleksandr Soljenítsyn (1918-2008) lançada recentemente pela Editora Carambaia. A obra foi escrita clandestinamente entre 1958 e 1967 e lançada em sua primeira edição em Paris no final de 1973.

O livro, segundo sinopse da editora, é um testemunho íntimo e épico. “É narrativa histórica detalhista e, ao mesmo tempo, um ensaio político-filosófico ambicioso. Sua originalidade não está na denúncia dos campos de trabalho forçado, pois dezenas de ex-prisioneiros já haviam publicado memórias na década de 1970. O que distingue o livro de Soljenítsyn é a escala da empreitada (mais de duzentos relatos enviados ao autor serviram de fonte documental), a forma (uma ‘investigação artística’) e a qualidade literária. Seus personagens têm vida, profundidade, caráter, nobreza. O relato histórico é pano de fundo para uma reflexão sobre o bem e o mal.”

O oráculo de Meirelles

“Para mim, “Grande Sertão: Veredas” funciona até como um oráculo. Abre-se uma página ao acaso, lê-se o que está à frente e ali estará uma pequena revelação. Dificilmente outra obra me tocará tanto na vida.” Fernando Meirelles em depoimento a Walter Porto, do “Ilustríssima”, da FSP.

Além do encantamento pela obra de Guimarães Rosa, o cineasta comenta também sobre seu sonho de mais de 20 anos de filmar a história de Riobaldo e Diadorim em uma versão “mais clássica”. Meirelles é diretor de vasta filmografia adaptada de livros. Caso, entre outros de “Cidade de Deus”, “Ensaio sobre a a Cegueira” e “O Jardineiro Fiel”. Seu mais recente filme, “Dois Papas”, com Anthony Hopkins e Jonathan Pryce, estreia na Netflix no próximo dia 20. Matéria completa, para assinantes, pelo link: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2019/12/adaptar-grande-sertao-para-cinema-e-sonho-ha-20-anos-diz-fernando-meirelles.shtml. No vídeo abaixo, Bethânia lê trecho do livro.

O espírito natalino por Dickens

Mais que um clássico no gênero, “Uma Canção Natalina”, o livro de Charles Dickens lançado recentemente pelo selo Penguin, é responsável pela forma como a data é – ou deveria ser – celebrada nos dias de hoje, uma ocasião para agradecer e ajudar o próximo.

“Uma Canção” conta a história de Ebenezer Scrooge, que, incapaz de compartilhar momentos de amizade e de compreender a magia do Natal, só encontra refúgio na riqueza e na solidão. Até que recebe, num dia 24 de dezembro, a visita do fantasma do ex-sócio falecido há sete anos.

Com várias traduções em português, o livro, lançado originalmente em 19 de dezembro de 1843, com ilustrações de John Leech, foi escrito em menos de um mês para pagar dívidas do autor e tornou-se um sucesso instantâneo, com mais de seis mil cópias vendidas na primeira semana.