Nosso herói sem nenhum caráter faz 90 anos

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“O Batizado de Macunaíma”, de Tarsila do Amaral

Marco do Movimento Modernista, “Macunaíma – O herói sem nenhum caráter” está completando neste ano de 2018, nove décadas de seu lançamento. Segundo seu autor, o poeta, escritor, crítico literário, musicólogo, historiador da arte, folclorista e ensaísta, Mário de Andrade (1893-1945), o livro foi escrito em seis dias. Lançado em tiragem inicial de apenas 800 exemplares – um deles hoje no acervo de obras raras da Biblioteca Nacional, foi já em sua origem visto como o carro-chefe do primeiro movimento literário genuinamente brasileiro.

Celebrando Raimundo Correia

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Para marcar os 107 anos da morte, em Paris, do poeta Raimundo Correia, um de seus clássicos – e hoje quase desconhecido – poemas. Nascido a bordo de um navio ancorado em águas maranhenses em 1859, foi, segundo a Academia Brasileira de Letras (ABL), “um dos mais perfeitos poetas da língua portuguesa, formando com Alberto de Oliveira e Olavo Bilac a famosa Trindade Parnasiana”. Além de poesia, o também magistrado, professor e diplomata deixou obras de crítica, ensaio e crônicas.

As Pombas

Vai-se a primeira pomba despertada…
Vai-se outra mais… mais outra… enfim dezenas
De pombas, vão-se dos pombais, apenas
Raia, sanguínea e fresca, a madrugada…

E, à tarde, quando a rígida nortada
Sopra, aos pombais, de novo, elas serenas,
Ruflando as asas, sacudindo as penas,
Voltam todas em bando e em revoada…

Também dos corações, onde abotoam,
Os sonhos, um por um, céleres voam,
Como voam as pombas dos pombais:

No azul da adolescência as asas soltam,
Fogem… Mas aos pombais as pombas voltam,
E eles ao coração não voltam mais.

Joyce pela Autêntica

Joyce
Joyce e a editora e livreira, Sylvia Beach, em 1922 em Paris.

A Autêntica acaba de lançar caixa com duas obras do irlandês James Joyce (1882-1941): “Um Retrato do Artista Quando Jovem”, obra finalizada em 1914 e “Epifanias”, com edição bilíngue, que reúne quarenta textos curtos escritos no início do Século XX. Além dos dois títulos, a edição traz notas e fotos de época da cidade de Dublin.

Tudo vai bem. Ou não.

 

“…mas é preciso cultivar nosso jardim.”

A frase encerra “Cândido ou o otimismo”, do filósofo, ensaista, poeta, dramaturgo e historiador francês François Marie Arouet, o Voltaire (1694-1778). Parafraseando Italo Calvino – que assina o posfácio de uma edição que traz ainda ilustrações de Paul Klee, um livro de “vitalidade hilariante e primordial”. A história, uma reflexão sobre otimismo e  pessimismo, é um acúmulo de desastres narrados em ritmo vertiginoso e foi fonte de inspiração declarada para autores como George Orwell, Aldous Huxley e Machado de Assis. Editora 34.