Para vencer a bárbarie

Literatura pode ser um antídoto para quase qualquer mal. Dessa vez, a recomendação para quem quer aprender a lidar com políticos intolerantes é ler a obra de Voltaire. A receita para recuperar a sáude da atmosfera pública globalmente contaminada é do professor emérito da Universidade de Harvard, Robert Darnton, em artigo publicado originalmente no The New York Times e republicado aqui pela Folha (íntegra no link https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2019/01/para-lidar-com-politicos-intolerantes-inspire-se-em-voltaire.shtml para assinantes).

Para quem, como o filósofo francês do Século XVIII, acredita na vitória da civilidade sobre a bárbarie, fica a dica.

200 anos da criatura

A coisa, amarelada no livro, esverdeada no cinema. Imagem: Iowa Now/University of Iowa

Foi numa lúgubre noite de novembro que contemplei a conquista de meus pesados trabalhos. Com uma ansiedade que era quase agonia, coletei os instrumentos da vida ao meu redor, para que pudesse infundir uma centelha na coisa inanimada aos meus pés. Já era uma da manhã; a chuva batia melancolicamente contra as vidraças e minha vela fora quase toda consumida, quando sob sua luz débil, vi o torpe olho amarelo da criatura se abrir; ela respirou fundo, e um movimento convulsivo agitou seus membros.

Trecho inicial da primeira edição de Frankenstein, ou o Prometeu Moderno, de Mary Shelley. O livro, publicado em 1818 sem os créditos a Mary, ganhou mitologia própria e é considerado como a primeira obra de ficção científica da história. Shelley escreveu a história – surgida, segundo consta, a partir de um desafio lançado pelo poeta Lord Byron, quando tinha 19 anos. Para um mais conhecidos herdeiros do gênero nos tempos atuais, Stephen King, Frankenstein é, ao lado de Drácula, de Bram Stoker e O Estranho Caso do Dr. Jekyll e Mr. Hyde, de Robert Louis Stevenson, um dos principais clássicos da literatura de terror.

Mary Poppins de volta

Além de Mary Shelley, no Netflix, outra Mary que chega às telas na temporada de final de ano é a personagem criada pela australiana Pamela Lyndon Travers em 1934. A mágica babá inglesa, que, juntamente com o Quebra-Nozes original do conto de Hofmann, já é um clássico da temporada natalina, estará nas telas dos cinemas a partir do dia 20 com “O Retorno de Mary Poppins”. O filme, dos estúdios Disney, tem direção de Rob Marshall e nomes como Emily Blunt, Meryl Streep e Colin Firth no elenco.

 

Mary Shelley na Netflix

Boa dica para conhecer um pouco da vida de uma das principais escritoras de língua inglesa e, ao mesmo tempo, entender um pouco a gênese de um dos grandes clássicos da literatura mundial: o Dr. Frankenstein. É “Mary Shelley”, filme dirigido por Haifaa Al Mansour e com Elle Fanning no papel-título, disponível na Netflix, que mostra a história do romance entre ela e Percy Shelley, um poeta consagrado (e casado) da Londres do início do Século XIX.