Em breve nos cinemas

Fato inédito desde seu lançamento em 1902 e até então para muitos um feito improvável, dada as características do livro, “Os Sertões”, de Euclides da Cunha, está sendo adaptado para o cinema. A empreitada é do cineasta português, Miguel Gomes e já tem roteiro, escrito em colaboração com Mariana Ricardo, Telmo Churro e Maureen Fazendeiro, entre 2016 e 2017. Pelo menos parte das filmagens devem acontecer a partir do ano que vem, segundo o diretor, na região de Canudos, no interior da Bahia.

Desordenado glossário

Perry Edward Smith em foto da CBS News

Amostra do dicionário pessoal de Perry Smith, um dos responsáveis pelo brutal assassinato de quatro pessoas de uma mesma família, em 1959, numa cidadezinha do interior do Kansas, nos EUA. Um crime que chocou o país e foi tema daquele que se tornou um clássico da literatura norte-americana e do chamado Jornalismo Literário, “A Sangue Frio”, de Truman Capote (1924-1984). Conforme assinala o autor na obra, “uma miscelânea não ordenada alfabeticamente de palavras que ele (Perry) julgava ‘bonitas’ ou ‘úteis’, ou pelo menos ‘dignas de serem decoradas’.”

Tanatóide – mortífero; Omnilíngüe – versado em línguas; Sanção – castigo, multa; Néscio – ignorante; Facinoroso – atrozmente perverso; Hagiofobia – medo mórbio de locais & objetos sagrados; Lapidícola – que vive debaixo de pedras, como certos besouros cegos; Dispatia – falta de simpatia, de sentimento de camaradagem; Psilósofo – sujeito que gostaria de passar por filósofo; Omofagia – consumo de carne crua, ritual de algumas tribos selvagens; Depredar – pilhar, roubar e explorar; Afrodisíaco – droga ou substância semelhante que excita o desejo sexual; Megalodáctilo – que tem dedos anormalmente grandes; Mirtofobia – medo da noite e da escuridão.

Conrad e a barbárie eterna

Especialista em estudos linguísticos e literários em inglês, José Garcez Ghirardi comenta obra de Conrad em vídeo da Casa do Saber, publicado em 2017.

Matéria de recente edição do caderno “Ilustríssima”, do jornal FSP, traz resumo do posfácio do escritor Bernardo Carvalho para a nova edição de “Coração das Trevas”, de Joseph Conrad (1857-1924), que a Ubu lança a partir de 1 de julho, com tradução de Paulo Schiller. Texto na íntegra (para assinantes) pelo link https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2019/06/civilizacao-constitui-barbarie-em-coracao-das-trevas-escreve-bernardo-carvalho.shtml.

Conforme o site da editora, o livro é considerado uma obra-prima da literatura inglesa e se tornou também uma referência cultural sobre os horrores da colonização. “A história é de Marlow, capitão de um barco a vapor, em sua ida de encontro a Kurtz, um explorador de marfim de métodos questionáveis, que vivia entre os selvagens do Congo e precisava ser levado de volta à civilização. O romance mergulha no mundo interior do personagem principal, em busca do inominável, tendo as trevas da selva africana como imagem do inconsciente. O livro ficou conhecido ainda por ter inspirado o filme Apocalypse Now, de Francis Ford Coppola.”

Jósef Teodor Konrad Korzeniowski, ou Joseph Conrad, nasceu na Ucrânia, filho de país poloneses, e faleceu no condado de Kent, na Inglaterra, onde passou a viver, em 1894, após uma carreira na Marinha Mercante Britânica. Começou a escrever em inglês, sua terceira língua, em 1886 e, além de “Coração das Trevas” (1899) é autor, entre outros clássicos, de “Lord Jim” (1900) e “Nostromo” (1904).

Machado faz 180 anos

Amanhã, 21, completam-se 180 anos do nascimento, no Rio de Janeiro, de Joaquim Maria Machado de Assis (1839-1908). Filho do brasileiro Francisco José de Assis e da açoriana Maria Leopoldina Machado de Assis, estreou na literatura em 1855 com a publicação de um poema no jornal Marmota Fluminense. Consagrado ainda em vida pela vasta produção em romance, conto, teatro, poesia, crítica e tradução (obra completa em pdf no site machado.mec.gov.br) tornou-se o mais respeitado e influente escritor brasileiro de todos os tempos.

O escritor e crítico Silviano Santiago comenta seu livro “Machado” em entrevista ao Canal Livre, de abril de 2017, apresentado pelo jornalista Ricardo Boechat

Uma das melhores (e confiáveis) fontes de pesquisa on-line sobre Machado, o site machadodeassis.org.br, da Academia Brasileira de Letras, traz da bibliografia completa à teses e monografias sobre o escritor.

Salinger nas prateleiras

Começam hoje as vendas da nova edição de “O Apanhador no Campo de Centeio”, de J. D. Salinger (1919), agora no catálogo da Todavia. O livro já vendeu mais de 70 milhões de cópias desde seu lançamento em 1951 e marcou as gerações seguintes pela sua visão crua da adolescência, pela prosa ágil e desbocada e pelo humor anárquico. A nova edição em português do Brasil foi traduzida por Caetano W. Galindo e, pela primeira vez, traz a capa original de seu lançamento.