Clássico do existencialismo de volta pela Nova Fronteira

Marco inaugural do existencialismo, “A Náusea”, do francês Jean-Paul Sartre (1905-1980), está de volta em nova e caprichada edição da Nova Fronteira. Lançada em 1938, a obra tem como protagonista Antoine Roquentin, intelectual pequeno-burguês, símbolo de uma geração que descobre, horrorizada, a ausência de sentido da vida. Sartre venceu (e recusou) o Nobel de 1964.

“aprendi que se perde sempre. Só os salafrários pensam que ganham.”

Trecho de “A Náusea”.

Sai, na Alemanha, edição com a versão original do Diário de Anne Frank

Diário original exibido na Casa de Anne Frank, em Amsterdã. Foto: Reuters

Matéria da Deutsche Welle, publicada em português pela Folha de SP, informa que foi lançada, na Alemanha, uma nova edição do Diário de Anne Frank. É a primeira vez que uma versão original da obra, sem os retoques feitos pela própria Anne e por seu pai, é publicada. A nova edição, segundo a matéria, foi idealizada pela especialista em Literatura, Laureen Nussbaum, de 91 anos, uma sobrevivente do Holocausto que conheceu pessoalmente a autora.

 É a terceira versão da obra. A primeira, ora publicada, começou a ser escrita espontaneamente enquanto a família de Anne estava escondida dos nazistas em Amsterdã. Depois de escutar em uma rádio uma chamada para documentar o sofrimento dos judeus holandeses, a jovem reescreveu parcialmente seu diário com a esperança de ver o texto publicado depois da Guerra, resultando na segunda versão de seu diário.

Depois de sua morte, aos 15 anos, no campo de concentração de Bergen-Belsen, provavelmente de tifo, e do fim da Guerra, o pai de Anne publicou uma terceira versão do Diário, uma mistura do livro original com a segunda versão, retocada por Anne, e posteriormente pelo próprio pai.

Hoje o livro é uma das obras mais populares em todo o mundo sobre o tema nazismo e a casa onde a família se escondeu uma das principais atrações turísticas de Amsterdã.

A transformação de Gregor

Detalhe de obra do pintor Lucien Freud

“Ao despertar de um sonho inquieto, certa manhã, Gregor descobriu que havia se transformado num gigantesco inseto. Achava-se deitado sobre a dura carapaça que lhe cobria as costas, semelhando uma couraça, e quando ergueu um pouco a cabeça pôde ver o seu ventre, escuro, ao feitio de uma cúpula e sulcado por rígidos segmentos em forma de arco, de cujo topo a colcha, em precário equilíbrio, ameaçava escorregar. Suas numerosas pernas, lastimosamente finas se comparadas com o volume de seu corpo, agitavam-se desamparadamente diante de seus olhos.”

Trecho inicial de “A Metamorfose”, de Franz Kafka (1883-1924). O livro, lançado há 104 anos, embora concluído em 20 dias, tornou-se o texto mais conhecido e citado do autor. Abaixo outras obras de Kafka disponíveis em português.

“Carta a Meu Pai”

“América”

“Contos Escolhidos”

“A Muralha da China”

“Cartas a Milena”

“A Colônia Penal”

“O Processo”

“O Castelo”

“Diários”

“O Covil”

Os 300 anos e os paradoxos de Crusoé, segundo o Post

Os 300 anos do lançamento, em Londres, de um dos livros mais populares da história da literatura, “Robinson Crusoé”, de Daniel Defoe (1660-1732), foi lembrado em matéria publicada no último dia 25 no The Washington Post. Segundo a matéria, assinada por Michael Dirda e publicada aqui por jornais como O Estado de São Paulo e Folha de São Paulo, o livro é um clássico “escrito vividamente, repleto de paradoxos e de atitudes culturais perturbadoras”.

Dono de uma biografia movimentada, que incluiu o comércio de vinho e uma sentença de três dias no pelourinho por difamação, Defoe foi autor também de outros clássicos como “Moll Flanders” e “Diário do Ano da Praga”, esse último, conforme lembra a mesma matéria, “uma descrição excepcionalmente realista, embora fictícia, da epidemia de peste bubônica em Londres em 1665 e 1666”.
 

“Chapeuzinho Vermelho” entra na mira da censura

O obscurantismo no século XXI parece não ter limites e, em breve, pode levar a cenas bizarras, como a observada pelo blogueiro Bruno Molinaro, do “Era Outra Vez”. Em postagem recente no blog da Folha de SP, ele faz o alerta: “Não se assuste se, em breve, crianças forem flagradas traficando páginas xerocadas de “Chapeuzinho Vermelho” na hora do recreio”.

O conto de fadas de origem européia do Sec. XIV – cuja versão mais conhecida é a dos Irmãos Grimm, integra a lista de obras censuradas em uma escola ligada à prefeitura de Barcelona, por serem consideradas “tóxicas” por reproduzirem padrões sexistas. Segundo Molinero, no total, o colégio Tàber decidiu retirar de sua biblioteca 200 livros destinados a alunos de até seis anos. O número equivale a 30% do acervo. “A Bela Adormecida”, quem diria, também está na lista das obras perigosas.