Morte e erotismo, por Eliot

Sussuros de imortalidade

Webster vivia com a morte,

Li a caveira sob o rosto;

E bichos cavos sob o chão

Sorriam com seu dente exposto.

Bulbos de flores e não olhos

Iam nos globos oculares!

Via a ideia, que em membros mortos,

Aguça gozos e prazeres.

Donne, suponho, era mais um

Que não sabia outra ciência

Além de ter e penetrar;

Expert além da experiência.

Sabia a angústia da medula

O sofrimento da estrutura;

Contato algum de carne e carne

Continha a febre da ossatura.

…..

Gosto de Grishkin: olho russo

Sublinhado para dar ênfase;

Sem corpete, seu busto amigo

Promete pneumáticos êxtases.

À espreita, a onça brasileira,

Compele o lépido sagui

Com leves eflúvios felinos;

Já Grishkin tem casa em Paris;

Lustrosa, a onça brasileira,

Nos ramos, não vai destilar

Mais fétido, felino, aroma

Que Grishkin na sala de estar.

Até Abstratas Entidades

Só entreouvem sua música;

Nós lá, entre costelas secas,

Acalentando a metafísica.

T. S. Eliot (Poemas/1920), em tradução de Caetano W. Galindo e edição da Companhia das Letras.

A Revolução em HQ

A nova edição de “A Revolução dos Bichos”, de George Orwell (1903-1950), récem-lançada pela Companhia das Letras em versão em quadrinhos, é destaque do Eu&Fim de Semana, do Valor. Segundo o artigo, assinado por Cadão Volpato, a obra de 1945 tem pouquíssimas versões em HQ e envolveu um trabalho de oito meses do desenhista gaúcho Odyr. “As ilustrações são robustas, adultas, feitas à tinta, e parecem cair como uma luva na atmosfera opressiva do livro”.

Narizinho no Século XXI

Já está em pré-venda a nova edição, pela Companhia das Letrinhas, do clássico infantojuvenil brasileiro “Reinações de Narizinho”. A história, de Monteiro Lobato (1882-1948) – cuja obra caiu em domínio público a partir deste ano, ganhou ilustrações com toques surrealistas da carioca Lole, a quem coube “fazer a ponte” entre uma história lançada em 1931 e as crianças de hoje. A edição, em capa dura, segundo a editora, chega às prateleiras em meados do próximo mês.

Para vencer a bárbarie

Literatura pode ser um antídoto para quase qualquer mal. Dessa vez, a recomendação para quem quer aprender a lidar com políticos intolerantes é ler a obra de Voltaire. A receita para recuperar a sáude da atmosfera pública globalmente contaminada é do professor emérito da Universidade de Harvard, Robert Darnton, em artigo publicado originalmente no The New York Times e republicado aqui pela Folha (íntegra no link https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2019/01/para-lidar-com-politicos-intolerantes-inspire-se-em-voltaire.shtml para assinantes).

Para quem, como o filósofo francês do Século XVIII, acredita na vitória da civilidade sobre a bárbarie, fica a dica.