Agatha imortal

Há exatos 43 anos falecia, em decorrência de uma pneumonia, aos 85 anos de idade, a escritora inglesa Agatha Christie. Passado quase meio século, os números envolvendo a “Dama do Crime” continuam impressionando. Sua obra, de mais de oitenta livros escritos em 56 anos de carreira, segue no pódio das vendas mundiais, atrás apenas da Bíblia e do conjunto de peças de William Shakespeare. Estimam-se que sejam 4 bilhões de exemplares de obras da autora vendidos em mais de 100 idiomas. Nos EUA ela ocupa, há dez anos, a posição de oitava maior vendagem; as adaptações de suas obras somam mais de 160 produções. “A Ratoeira”, mais famosa de suas 18 peças teatrais, está em cartaz ininterruptamente desde sua estreia em 1952 com mais de 27 mil apresentações.

Abaixo alguns dos mais populares títulos da autora no Brasil:

O Assassinato de Roger Ackroyd – 1926

Assassinato no Expresso do Oriente – 1934

Morte no Nilo – 1937

O Caso dos Dez Negrinhos – 1939

Os Três Ratos Cegos e Outras Histórias – 1950

Depois do Funeral – 1953

A Aventura do Pudim de Natal – 1960

Noite sem Fim – 1967

Nêmesis – 1971

Cai o Pano – 1975

Celebrações

Janeiro é tempo de comemorar o nascimento de alguns nomes do alto escalão da literatura nacional. No dia 9, nascia, no Recife, o poeta João Cabral de Melo Neto (1920); no dia 11, nasciam, no Rio de Janeiro, Sérgio Marcos Rangel Porto, o Stanislaw Ponte Preta (1923) e, em São Paulo, Oswald de Andrade (1890); no dia 12, em Cachoeiro do Itapemirim (ES), Rubem Braga (1913); no dia 20, em Cantagalo (RJ), Euclides da Cunha (1866) e no dia 23, nascia, na Ilha de Itaparica (BA), João Ubaldo Ribeiro (1941).

200 anos da criatura

A coisa, amarelada no livro, esverdeada no cinema. Imagem: Iowa Now/University of Iowa

Foi numa lúgubre noite de novembro que contemplei a conquista de meus pesados trabalhos. Com uma ansiedade que era quase agonia, coletei os instrumentos da vida ao meu redor, para que pudesse infundir uma centelha na coisa inanimada aos meus pés. Já era uma da manhã; a chuva batia melancolicamente contra as vidraças e minha vela fora quase toda consumida, quando sob sua luz débil, vi o torpe olho amarelo da criatura se abrir; ela respirou fundo, e um movimento convulsivo agitou seus membros.

Trecho inicial da primeira edição de Frankenstein, ou o Prometeu Moderno, de Mary Shelley. O livro, publicado em 1818 sem os créditos a Mary, ganhou mitologia própria e é considerado como a primeira obra de ficção científica da história. Shelley escreveu a história – surgida, segundo consta, a partir de um desafio lançado pelo poeta Lord Byron, quando tinha 19 anos. Para um mais conhecidos herdeiros do gênero nos tempos atuais, Stephen King, Frankenstein é, ao lado de Drácula, de Bram Stoker e O Estranho Caso do Dr. Jekyll e Mr. Hyde, de Robert Louis Stevenson, um dos principais clássicos da literatura de terror.

As grandes despedidas do ano

Depois de pelo menos duas grandes perdas para a literatura no mês de janeiro – Carlos Heitor Cony, no dia 5, aos 91 anos, e Edla van Steen, no dia 6, aos 81 anos -, 2018 registrou também a despedida de outros três nomes do primeiro time da literatura mundial: Tom Wolfe, em 14 de maio, aos 88 anos; Philip Roth, no dia 22 de maio, aos 85 anos e V. S. Naipaul, no dia 11 de agosto, aos 85 anos.

O dezembro de Clarice


Clarice na formatura do curso ginasial do colégio Sílvio Leite, em 1936. Foto: claricelispectorims.com.br.

Dezembro marca as duas principais datas da biografia de ClariceLispector. São 98 anos do nascimento da escritora, em Tchetchelnik, na Ucrânia, em 10/12/1920, e 41 anos de seu falecimento em 9/12/1977, no Rio de Janeiro. Clarice chegou ao nordeste do Brasil em 1922 com a família de emigrantes vindos de uma aldeia então pertencente à Rússia e que fugia dos impactos da Revolução Bolchevique de 1917.  Seu romance de estreia, “Perto do Coração Selvagem”, é publicado em 1943 pela A Noite Editora.

Um dia antes de completar 57 anos e já consagrada nacionalmente, morre, em decorrência de um câncer de ovário. Hoje, seus livros podem ser encontrados em mais de 30 idiomas – do hebraico ao turco e coreano, e a importância de sua obra é colocada no mesmo patamar de nomes como VirginiaWoolf, James Joyce e Katherine Mansfield.

BIBLIOGRAFIA

“Perto do Coração Selvagem” – 1943

Romance de estreia que, nas palavras do poeta Jorge de Lima,em artigo publicado em 1944 no jornal A Gazeta de Notícias “deslocou o centro de gravitação em que girava o romance brasileiro”.

“O Lustre” – 1946

Escrito quando a autora vivia na Europa, resgata características já anunciadas no primeiro romance como o enredo sem estrutura definida e fluxo de consciência, que valoriza as sensações e a percepção das coisas.

“A Cidade Sitiada” – 1948

Enredo narrado em terceira pessoa, linear, em doze capítulosde frases curtas seguindo os passeios da protagonista pelas ruas da cidade e pela vida “para se exibir e confirmar o que as coisas são em sua aparência”.

“Laços de Família” – 1960

Reunião de 13 contos, alguns publicados anteriormente na imprensa, o livro garantiu à escritora o Prêmio Jabuti de livro do ano de 1961.

“A Maça no Escuro” – 1961

Também narrada em terceira pessoa, a história gira em torno de Martim, que, em fuga por um crime supostamente cometido por ele, oscila entre o medo e o desejo de liberdade.

“A Paixão Segundo G. H.” – 1964

Em operação meticulosa da escrita que, conforme o site da escritora no IMS, “extrai o máximo de rendimento de um enredo banal”, Clarice realiza o que para muitos será o seu maior empreendimento literário.

“A Legião Estrangeira” – 1964

Traz contos entre os quais o enigmático ‘O Ovo e a Galinha’, lido no I Congresso Mundial de Bruxaria, realizado em Bogotá em 1975 e que tinha Clarice entre os convidados.

“O Mistério do Coelho Pensante” – 1967

Primeira obra destinada ao público infantil, foi escrita nos anos 50 sem propósito inicial de publicação.

“A Mulher que Matou os Peixes” – 1968

Também dedicado ao público infanto-juvenil, é povoado por histórias de bichos numa ficção desordenada onde ganham espaço reflexões, comentários e digressões.

“Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres” – 1969

Romance onde a experimentação revela que a vida é uma permanente transformação e que ela se dá dentro e não fora da linguagem.

“Felicidade Clandestina” – 1971

Contos breves e com perspectiva memorialista.

-“Água Viva” – 1973

Híbrido de romance, poesia, diário e ensaio filosófico, radicaliza processos inovadores de escrita.

“A Via Crucis do Corpo” – 1974

Contos que recorrem ao grotesco e ao humor com diálogos rápidos e frases curtas para tratar de temas como aborto e estupro.

“Onde Estivestes de Noite” – 1974

Reúne crônicas, contos e produções ficcionais que fogem às classificações tradicionais. Explor “dimensões pulsionais, áreas limítrofes como delírio e o mágico, a androginia e as camadas íntimas do ser”.

“A Vida Íntima de Laura” – 1974

Terceira obra dedicada ao público infanto-juvenil.

“A Hora da Estrela” – 1977

Obra mais popular da escritora, especialmente a partir de sua adaptação para o cinema, realizada por Susana Amaral, em 1985 em filme aclamado pela crítica e reconhecido em diversos prêmios nacionais e internacionais.

“Um Sopro de Vida” – 1978

Publicado postumamente, é resultado de três anos de escrita desenvolvida simultaneamente à seu outro livro ‘A Hora da Estrela’.

“Quase de Verdade” – 1978

Propõe questões simples e complexas e torna deslizantes osconceitos de real e ficção, de mentira e verdade.

“Para não Esquecer” – 1978

Reunião de 108 textos entre contos, crônicas, aforismos eaté pequenas piadas.

“A Bela e a Fera” – 1979

Livro póstumo de contos, reúne seis escritos do período de1940-41 e dois de 1977, ambos falando de escolhas, sentido da vida, solidão econdição feminina.

“A Descoberta do Mundo” – 1984

Reunião de 468 crônicas publicadas originalmente na coluna semanal que a escritora mantinha no Jornal do Brasil, entre 1967 e 1973.