94 anos de Poesia Pau-Brasil

Ilustração para o “Rito de Devoração do Manifesto da Poesia Pau-Brasil”, do Teatro Oficina

Trechos iniciais do Manifesto da Poesia Pau-Brasil, assinado pelo escritor Oswald de Andrade e publicado no jornal Correio da Manhã, em 18 de março de 1924, mesmo ano da publicação do Manifesto Surrealista, do escritor francês André Breton. O texto apresenta noções estéticas que iriam nortear o trabalho de Oswald em poesia, assim como de outros modernistas brasileiros, influenciando também poetas estrangeiros, como o francês Blaise Cendrars.

Texto completo no link: http://www.letras.ufmg.br/padrao_cms/documentos/profs/sergioalcides/OswaldManifestos.pdf

A POESIA existe nos fatos. Os casebres de açafrão e de ocre

nos verdes da Favela, sob o azul cabralino, são fatos estéticos.

O Carnaval no Rio é o acontecimento religioso da raça.

Pau-Brasil. Wagner submerge ante os cordões de Botafogo.

Bárbaro e nosso. A formação étnica rica. Riqueza vegetal. O

minério. A cozinha. O vatapá, o ouro e a dança.

 

Toda a história bandeirante e a história comercial do Bra-

sil. O lado doutor, o lado citações, o lado autores conhecidos.

Comovente. Rui Barbosa: uma cartola na Senegâmbia. Tudo

revertendo em riqueza. A riqueza dos bailes e das frases feitas.

Negras de jockey. Odaliscas no Catumbi. Falar difícil.

 

O lado doutor. Fatalidade do primeiro branco aportado e

dominando politicamente as selvas selvagens. O bacharel. Não

podemos deixar de ser doutos. Doutores. Pais de dores anô-

nimas, de doutores anônimos. O Império foi assim. Eruditamos

tudo. Esquecemos o gavião de penacho.

Dia de Paulo Mendes Campos

Paulo Mendes Campos e o escritor Antônio Maria. Foto do acervo do Instituto Moreira Salles

Dia de reverenciar o cronista, poeta, jornalista e tradutor Paulo Mendes Campos, nascido há 97 anos, em Belo Horizonte. Campos faleceu no Rio de Janeiro aos 69 anos e além de cronista de destaque, se notabilizou também pela tradução de obras de nomes como Júlio Verne, Oscar Wilde, Jane Austen, Shakespeare, Yeats, Dickens, Flaubert, Maupassant, Neruda, Verlaine, Eliot, Joyce e William Blake.

74 anos sem Mário

Mário por Tarsila do Amaral, em quadro de 1922

No dia 25 de fevereiro de 1945 morria, em São Paulo, vítima de um ataque cardíaco, o poeta, ensaista , crítico de arte e romancista Mário de Andrade. Nascido na capital paulista em 9 de outubro de 1893, foi um dos pioneiros do movimento modernista no Brasil e um expoente da Semana de Arte Moderna de 1922. É autor, entre outros clássicos, de Macunaíma.

Algumas obras do autor:

Há uma Gota de Sangue em Cada Poema – 1917

Pauliceia Desvairada – 1922

A Escrava que não é Isaura – 1925

Losango Cáqui – 1926

Primeiro Andar – 1926

Clã do Jabuti – 1927

-Amar, Verbo Intransitivo – 1927

-Macunaíma – 1928

Ensaio sobre a Música Brasileira – 1928

Compêndio da História da Música – 1929

Modinhas e Lundus Imperiais – 1930

Remate de Males – 1930

Música, Doce Música – 1933

Belazarte – 1934

O Aleijadinho – 1935

-Álvares de Azevedo – 1935

Namoros com a Medicina – 1939

Música do Brasil – 1941

Poesias -1941

O Baile das Quatro Artes – 1943

Aspectos da Literatura Brasileira – 1943

Os Filhos da Candinha – 1943

O Empalhador de Passarinhos – 1944

Lira Paulistana – 1946

O Carro da Miséria – 1946

C-Contos Novos – 1946

Padre Jesuíno de Monte Carmelo – 1946

Poesias Completas – 1955

Danças Dramáticas do Brasil – 1959

Música de Feitiçaria – 1963

O Banquete, Ensaio -1978

Celebrando Carolina

Carolina Maria de Jesus em foto da revista Cult

Tempo de celebrar Carolina Maria de Jesus. A escritora, mineira da cidade de Sacramento e autora traduzida em mais de 20 idiomas, especialmente pelo autobiográfico “Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada”, morreu há 41 anos, em São Paulo, depois de conhecer a fama e o anonimato.

Neta de escravos e filha de lavadeira, Carolina nasceu em 14 de março de 1914 e só frequentou a escola pela intervenção de uma freguesa da mãe. Em 1930 vai com a família para Franca, onde trabalha como lavradora e empregada doméstica. Com 23 anos perde a mãe e muda-se para a capital paulista. Lá, trabalha como catadora de papel e lê tudo que recolhe nas ruas. Em 1941 tem um poema, em homenagem a Getúlio Vargas, publicado pela Folha da Manhã. O jornal continua publicando regularmente poemas da autora , que ganha cada vez mais admiradores.

Em 1958 é encontrada, por acaso, pelo jornalista Audálio Dantas, da mesma Folha da Manhã, na favela do Canindé. Carolina mostra seu diário ao repórter, que encantado com a história publica parte do texto no jornal. No mesmo ano, a revista O Cruzeiro também publica trechos do diário. Dois anos depois sai o livro “Quarto de Despejo”, com tiragem de 10 mil exemplares.

Com o sucesso das vendas, Carolina deixa a favela e já em 1961 sua fama alcança a Argentina, onde é agraciada com a “Orden Caballero Del Tornillo”. Nos anos seguintes publica três outras obras – “Casa de Alvenaria: Diário de uma Ex-favelada” (1961), “Pedaços da Fome” (1963) e “Provérbios” (1965).

Em 1969 a escritora muda-se com os três filhos para o bairro de Parelheiros, em São Paulo, e, esquecida pelo mercado editorial, morre em 13 de fevereiro de 77, com 62 anos, vítima de insuficiência respiratória.

168 anos de Joyce

James Augustine Aloysius Joyce, o celébre escritor irlandês James Joyce, completaria hoje, 2 de fevereiro, 168 anos. Conforme resgata o blog da editora Companhia das Letras, Joyce era o mais velho de dez filhos de uma família que, após uma breve prosperidade, caiu na pobreza. Ainda assim, foi educado nas melhores escolas de Dublin. Em 1902 muda-se para Paris. No ano seguinte regressa a Dublin em função da morte da mãe.

Em 1907 são publicados, em Londres, os poemas de “Música de Câmara”. Em 1914, o livro de contos “Dublinenses”. Na sequência saem “Um Retrato do Artista Quando Jovem” (1916) e a peça “Exilados” (1918). Em 1922 publica, em Paris, o livro que vinha trabalhando desde 1914 e que lhe garantiu relevância mundial: “Ulysses”. No mesmo ano, começa a escrever “Finnegans Wake” e, apesar dos problemas enfrentados em um olho e profundamente abalado pela doença mental da filha, publica o livro em 1939.

Depois do início da Segunda Guerra Mundial, o escritor vai morar na França ainda não ocupada. Em dezembro de 1940, quase cego, vai para Zurique, onde morre em janeiro de 1941 de úlcera e peritonite generalizada durante uma cirurgia.