Celebrando Raimundo Correia

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Para marcar os 107 anos da morte, em Paris, do poeta Raimundo Correia, um de seus clássicos – e hoje quase desconhecido – poemas. Nascido a bordo de um navio ancorado em águas maranhenses em 1859, foi, segundo a Academia Brasileira de Letras (ABL), “um dos mais perfeitos poetas da língua portuguesa, formando com Alberto de Oliveira e Olavo Bilac a famosa Trindade Parnasiana”. Além de poesia, o também magistrado, professor e diplomata deixou obras de crítica, ensaio e crônicas.

As Pombas

Vai-se a primeira pomba despertada…
Vai-se outra mais… mais outra… enfim dezenas
De pombas, vão-se dos pombais, apenas
Raia, sanguínea e fresca, a madrugada…

E, à tarde, quando a rígida nortada
Sopra, aos pombais, de novo, elas serenas,
Ruflando as asas, sacudindo as penas,
Voltam todas em bando e em revoada…

Também dos corações, onde abotoam,
Os sonhos, um por um, céleres voam,
Como voam as pombas dos pombais:

No azul da adolescência as asas soltam,
Fogem… Mas aos pombais as pombas voltam,
E eles ao coração não voltam mais.

88 anos de Gullar

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Gullar durante posse na Academia Brasileira de Letras (ABL) em foto de Fábio Motta/AE

Levado há quase dois anos por diversos problemas respiratórios que culminaram em uma pneumonia, José Ribamar Ferreira, o poeta, teatrólogo, ensaista, crítico de arte e artista plástico, Ferreira Gullar estaria celebrando hoje 88 anos de idade. O maranhense foi eleito, em 2014, imortal pela Academia Brasileira de Letras e publicou, em 1976, durante exílio em Buenos Aires, aquele que é considerado sua obra-prima, o “Poema Sujo”, uma obra de mais de 100 páginas, traduzida em diversos idiomas.

Produção poética:

Um Pouco Acima do Chão – 1949

A Luta Corporal – 1954

Poemas – 1958

João Boa-Morte, Cabra Marcado para Morrer (Cordel) – 1962

Quem Matou Aparecida (Cordel) – 1962

A Luta Corporal e Novos Poemas – 1966

História de um Valente (Cordel, na clandestinidade, como João Salgueiro) – 1966

Por Você, por Mim – 1968

Dentro da Noite Veloz – 1975

Poema Sujo – 1976

Na Vertigem do Dia – 1980

Crime na Flora ou Ordem e Progresso – 1986

Barulhos – 1987

O Formigueiro – 1991

Muitas Vozes, 1999

Um Gato chamado Gatinho – 2005

Em Alguma Parte Alguma – 2010

Fonte: Wikipedia

Festa para Wally

Wally Salomão faria hoje, 3 de setembro,75 anos. Poeta, peça importante do movimento tropicalista e letrista consagrado, morreu aos 59 anos. Nascido em Jequié (BA), filho de pai sírio e mãe sertaneja, publicou seu primeiro livro “Me Segura qu´eu vou dar um Troço”, em 1972. Em 97, ganhou o Prêmio Jabuti de Literatura por “Algaravias”. No  vídeo, a poesia de Wally, em parceria com Jards Macalé, nas vozes de Gal e Zeca. Abaixo, poema de 1955 publicado no “Algaravias”, em edição da 34 Letras.

CÂMARA DE ECOS

Cresci sob um teto sossegado,

meu sonho era um pequenino sonho meu.

Na ciência dos cuidados fui treinado.

 

Agora, entre meu ser e o ser alheio

a linha da fronteira se rompeu.

Viva Raul

Tarsila
Morro da Favela (1924), de Tarsila do Amaral

Para comemorar os 120 anos de nascimento – completados neste mês de agosto – do poeta gaúcho Raul Bopp (1898-1984), autor também de “Cobra Norato”, considerado, ao lado de Macunaíma, uma das obra-primas do modernismo brasileiro:

FAVELA

Meio-dia

 

O morro coxo cochila

O sol resvala devagarzinho pela rua

torcida como uma costela

 

Aquela casa de janelas com dor-de-dente

amarrou um coqueiro do lado

 

Um pé de meia faz exercício no arame

 

Vizinha da frente grita no quintal

– Jõao! Ó João!

 

Bananeira botou as tetas do lado de fora

Mamoeiros estão de papo inchado

 

Negra acocorou-se a um canto do terreiro

Pôs as galinhas em escândalo

 

Lá em baixo

passa um trem de subúrbio riscando fumaça

 

À porta da venda

negro bocejou como um túnel