Os 120 anos do pai do Pequeno Príncipe

Na próxima segunda-feira, 29, completam-se 120 anos do nascimento de Antoine de Saint-Exupéry. O escritor francês e piloto de aviação, célebre no mundo inteiro por “O Pequeno Príncipe” (1943), ficou conhecido também pela sua morte trágica no final da Segunda Guerra Mundial, quando seu avião foi abatido por um piloto alemão. Os restos do caça de Saint-Exupéry foram encontrados em 2004 no litoral da Marselha. Seu corpo, entretanto, nunca foi localizado.

A aviação foi um tema constante na obra do escritor. Sua estreia, em 1926, foi com “O Aviador”, seguido de “Correio do Sul”, “Voo Noturno”, “Terra dos Homens”, “Piloto de Guerra”, “O Pequeno Príncipe”, “Carta a um Refém” e “Cidadela”, lançado postumamente em 1948.

Viva Trevisan

Trevisan em foto do jornal Gazeta do Povo/PR

Considerado por muitos um dos três melhores contistas contemporâneos do Brasil – dois deles perdidos recentemente, Rubem Fonseca e Sérgio Sant’Ana -, Dalton Trevisan completa hoje 95 anos. Autor de mais de 40 livros, estreou na literatura em 1959 com a coletânea de contos “Novelas Nada Exemplares”. Reconhecido com os principais prêmios literários da língua portuguesa, publicou seu último livro inédito, “O Beijo na Nuca”, em 2014. Seu maior sucesso, porém, foi a reunião de 15 contos publicada originalmente em 1965, “O Vampiro de Curitiba”.

Para celebrar os 95 anos do escritor curitibano, a Ilustríssima, da Folha de SP, publicou nesse final de semana matéria especial onde aborda a obra, o experimentalismo e a atual rotina de homem recluso do escritor. Matéria na íntegra, para assinantes, pelo link https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2020/06/contista-maior-dalton-trevisan-o-vampiro-de-curitiba-chega-aos-95.shtml.

Camões eterno

Hoje, 10/06, celebra-se 440 anos da morte do autor da maior epopéia portuguesa de toda a história da literatura, “Os Lusíadas”. Pouco se sabe ao certo sobre a vida de Luís Vaz de Camões, mas presume-se que tenha morrido aos 56 anos. Aparentemente, nasceu em Lisboa e, embora não se tenha registros oficiais, teria frequentado a Universidade de Coimbra onde teria sido um aluno indisciplinado, mas ávido por conhecimento.

Camões é autor de vasta e reconhecida produção nos gêneros lírico, épico e teatral, mas foram os dez cantos e 1.102 estrofes num total de 8.816 versos decassílabos de “Os Lusíadas”, publicado pela primeira vez em 1572, que o consolidaram para sempre no panteão dos grandes nomes da literatura universal.

As armas e os barões assinalados
Que, da ocidental praia lusitana,
Por mares nunca de antes navegados
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados,
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo reino, que tanto sublimaram.

…..
Cantando espalharei por toda a parte,
Se a tanto me ajudar o engenho e arte.

— “Os Lusíadas”, Canto I

Nova perda irreperável para a literatura do país

Depois de Rubem Fonseca (15/04), Luiz Alfredo Garcia-Roza (16/04) e Sérgio Sant’Anna (10/05), entre tantos outros, mais uma perda na triste contabilidade da pandemia: prestes a completar 87 an0s, morreu, no Rio de Janeiro, a poeta, jornalista e tradutora Olga Savary. A notícia da morte foi confirmada ontem (16) ao jornal Folha de SP pelo ex-marido da poeta, o cartunista Jaguar.

Nascida em Belém do Pará no dia 21 de maio de 1933, Olga Savary ficou conhecida, entre outras obras, por “Magma”, uma coletânea de poemas eróticos, lançado em 1982. Foi, também, tradutora reconhecida por versões de Pablo Neruda e Mario Vargas Llosa e premiada, entre outros, com o Jabuti de 1971 pelo seu livro de estreia em poesia “Espelho Provisório”.

Ycatu

E assim vou

com a fremente mão do mar em minhas coxas.

Minha paixão? Uma armadilha de água,

rápida como peixes,

lenta como medusas,

muda como ostras.

*Do tupi “água boa”

Juventude tem cura

Crônica de Otto Lara Resende publicada no jornal Folha de São Paulo no dia primeiro de maio de 1991.

Bom dia para nascer

Eu não tinha a intenção de dizer logo assim de saída. Mas já que a Folha me entregou, confesso que sou mesmo antigo. Modelo 1922. Ano do Centenário da Independência, da Semana de Arte Moderna, do Tenentismo, da fundação do Partido Comunista, da inauguração do rádio etc. Suspeito que só eu e o rádio estamos funcionando neste mundo povoado de jovens. Mas juventude tem cura. Eu também já fui jovem. É só esperar.

Bem mais antiga é a origem do Dia do Trabalho. Começou em 1886, com a greve de Chicago. A polícia, claro, compareceu. Resultado: onze mortos — quatro operários e sete policiais. Primeiro e último escore a favor do trabalho. Três anos depois, em 1889, lembrando Chicago, os socialistas em Paris inventaram o Dia do Trabalho.

A data chegou depressa ao Brasil, mais subversiva do que festiva: em 1893. A recente República baixou o pau. Vem de longe o axioma: a questão social é uma questão de polícia. Só em 1938 surgiu aqui, oficial, o Dia do Trabalho. Também dia do pelego e do culto à personalidade do ditador. Em 1949, finalmente, a data virou lei. Lei e feriado.

Mês de Maria, mês das noivas, mês de flor-de-maio, maio sugere pureza e céu azul. “Só para meu amor é sempre maio” — cantou o primeiro poeta, o Camões. Um dos últimos, Drummond, escreveu uma “Carta aos nascidos em maio”. Viu neles uma predestinação lírica, a que chamou “o princípio de maio”.

Em maio, e no dia 1º, nasceram José de Alencar (1829) e Afonso Arinos (1868). Dois escritores, dois verdes. O indianista e o sertanista. Ambos enfática e ecologicamente brasileiros. Não será mera coincidência a data da certidão de nascimento do Brasil. A carta de Pero Vaz de Caminha é de 1 de maio de 1500. Como o Brasil também é Touro, está difícil de pegá-lo à unha. Mais poeta que escrivão, Caminha foi o primeiro ufanista. Também pudera: em 1500 tudo ainda estava por ser destruído.

Só depois chegaram a inflação, a corrupção e a dívida externa. Há dez anos, em 1981, para celebrar o Dia do Trabalho, houve a explosão do Riocentro. Planejada em segredo, ao contrário da implosão de ontem em São Paulo, vem agora a furo a farsa do inquérito militar. Dá até vergonha de ser brasileiro. Maio, porém, está aí. 1o de maio: bom dia para começar. Ou recomeçar.