Leitura cura

Pintura de Paul Cézanne – Paul Alexis lendo um manuscrito para o escritor Emile Zola

Médicos brasileiros estão adotando uma prática conhecida internacionalmente como “prescrição social”. Segundo matéria do jornal FSP, a prática se baseia no fato de que “muitos pacientes têm fragilidades e condições que afetam a saúde mas que não respondem totalmente às abordagens médicas clássicas, como a prescrição de remédios”. Para esses casos, os profissionais de saúde estão receitando livros e atividades físicas e lúdicas para aliviar quadros de tristeza, ansiedade, insônia e até demência.

Entre os “livros receitados” estão “O Demônio do Meio Dia”, de Andrew Solomon, e “Sidarta”, de Hermann Hesse, para uma paciente com depressão; “Sermões de Quarta-Feira de Cinzas”, do padre Antonio Vieira que abordam a importância da morte na vida humana; “A Sutil Arte de Ligar o F*da-Se: Uma Estratégia Inusitada Para uma Vida Melhor”, de Mark Manson, para adolescentes e “Arte da Guerra”, de Sun Tzu, para lidar com os problemas do dia a dia de forma prática. A matéria cita ainda obras da escritora Djamila Ribeiro “O Que É Lugar de Fala” e “Quem Tem Medo do Feminismo Negro”, prescritas como tratamento complementar a um paciente deprimido.

Comentados no “Aliás”

Quatro lançamentos abordados em artigos do “Aliás”, do jornal O Estado de SP, do último final de semana. Dois sobre a formação de bibliotecas ao longo dos séculos, outros dois sobre a solidão e a nova edição de um clássico da literatura brasileira, de 1895 e considerado o primeiro romance gay do país.

“História das Bibliotecas: de Alexandria às Bibliotecas Virtuais”, Frédéric Barbier – Edusp

“A Biblioteca: uma História Mundial”, James W.P. Campbell e Will Pryce – Edições Sesc

“História da Solidão e dos Solitários”, George Minois – Unesp

“Bom Crioulo”, Adolfo Caminha – Todavia

Sobre fotojornalismo

Cinco livros sobre fotojornalismo, destacados pela blogueira Bruna Teixeira, no site briohunter.org.

“O Clube do Bangue-Bangue”, Greg Rinovich e João Ferreira – Companhia das Letras

“Os Tempos da Fotografia: o Efêmero e o Perpétuo”, Boris Kossoy – Ateliê

“Imagens da Fotografia Brasileira 1 e 2”, Simonetta Persichetti – Estação Liberdade

“Fotografia e Jornalismo: a Informação pela Imagem”, Dulcília Schroeder Buitoni e Magaly Prado – Saraiva

“Fotojornalismo: Introdução à História, às Técnicas e à Linguagem da Fotografia na Imprensa”, Jorge Pedro de Souza – Letras Contemporâneas

Fernanda Torres fala dos 500 anos de extermínio

No momento em que os povos indígenas do país voltam à pauta dos debates (para variar por motivos desfavoráveis a eles), a coluna da atriz e escritora Fernanda Torres na FSP resgata um dos mais atuais e completos livros sobre o tema: “História dos Índios no Brasil”, organizado pela antropóloga Manuela Carneiro da Cunha e lançado em 1992, pela Companhia das Letras.

O livro é resultado do trabalho do Núcleo de História Indígena da USP e reúne artigos de 27 colaboradores, entre especialistas brasileiros e de outros países, de diferentes áreas de pesquisa, como antropologia, história, arqueologia e lingüística. A obra, segundo a editora, traz ainda documentos raros e inéditos, além de mapas ilustrativos e vinhetas alusivas à cultura material dos povos estudados nas pesquisas. “História dos Índios no Brasil” foi premiado em 1993 como o “Melhor Livro de Ciências Humanas e Melhor Produção Editorial”.

Coluna na íntegra (para assinantes) no link:

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/fernandatorres/2019/08/inuteis.shtml

Os recomendados de julho

Abaixo dez títulos essenciais para sua estante, conforme seleção da equipe do Aliás, do Estadão.

-“A Águia e o Leão”, Victor Hugo – Expressão Popular

Reúne escritos políticos do escritor Victor Hugo (1802-1885), como uma crítica à pena de morte, a defesa das liberdades democráticas e até um poema em homenagem aos mártires da Comuna de Paris.

-“O que é arte?”, Leon Tolstoi – Nova Fronteira

Publicado em 1898, é “um livro raivoso contra a arte de seu tempo”, onde não faltam críticas para pintores como Kandinski, poetas como Baudelaire e Verlaine, e ainda Ibsen e Beethoven.

-“O Desaparecimento de Josef Mengele”, Olivier Guez – Intrínseca

Vencedor do Renaudot de 2017, narra a trajetória do médico da SS, acolhido na Argentina durante o governo Perón e depois vivendo incógnito no Brasil durante o regime militar. “Um romance incômodo, de fôlego”.

-“eCultura: A Utopia Final”, Teixeira Coelho – Iluminuras

Investiga a cultura computacional e seus primórdios, sugerindo que os antigos construtores de pássaros mecânicos talvez tenham imaginado os primeiros drones da história.  

-“Euclides da Cunha: Esboço Biográfico”, Roberto Ventura -Companhia das Letras

Edição ampliada de obra que aborda a impossibilidade de descrever a barbárie da guerra, ajudando o leitor a entender o conflito de Euclides como jornalista a serviço de um relato objetivo e, ao mesmo tempo, sensibilizado com a tragédia dos miseráveis.

-“Mil Sóis”, Primo Levi – Todavia

Reunião de poemas que mostra lado menos conhecido da obra do autor, entre outros, do livro “É Isto um Homem?”, considerado um dos principais testemunhos do Holocausto.

-“Serotonina”, Michel Houellebecq – Alfaguara

 Narra a história de Florent-Claude Labrouste, homem em plena crise de meia-idade que sobrevive à base de antidepressivos e vê sua vida se despedaçar diante de si.  

-“História da Solidão e dos Solitários”, Georges Minois – Unesp

Mostra como o isolamento proporcionado pelas novas tecnologias de comunicação é um fenômeno que pode ter suas raízes traçadas desde a antiguidade, desafiando a ideia tão estabelecida do ser humano como um “animal social”.

-“Contos Brutos”, org. de Anita Deak – Reformatório

Por meio de 33 contos, 30 deles inéditos, autores relevantes da literatura brasileira contemporânea mostram, em diferentes aspectos da vida, como se dá o autoritarismo desde as mais altas esferas do poder público até os mais íntimos círculos das relações humanas.  

-“A Doença e o Tempo”, Eduardo Jardim – Bazar do Tempo

Percorre a história do vírus HIV, desde seu surgimento no território que hoje é o Congo, até os dias de hoje, mostrando seus desdobramentos na ciência, na medicina e, principalmente na cultura.