Mais dicas do Estadão

Nova seleção de 10 livros recomendados pela Aliás, do Estadão, para se ter na estante. A lista tem de ensaios à obra inédita em português da poeta argentina Alfonsina Storni, de autores clássicos contemporâneos como Vonnegut à escritora brasileira Giovana Madaloso.

“Imagem Apesar de Tudo”, Georges Didi-Huberman – Editora 34

“O Encanto de Narciso”, Boris Kossoy – Ateliê Editorial

“Crises da Democracia”, Adam Przeworski – Hahar

“Uma Terra Feita Réfem”, Roger Scruton – É Realizações

“Narciso em Férias”, Caetano Veloso – Companhia das Letras

“Rosa & Rónai”, Paulo Rónai – Bazar do Tempo

“Sou uma Selva de Raízes Vivas”, Alfonsina Storni – Iluminuras

“Uma Breve História das Mentiras Fascistas”, Federico Finchelstein – Autêntica

“Piano Mecânico”, Kurt Vonnegut – Intrínseca

“Suíte Tóquio”, Giovana Madaloso – Todavia

Relato de um confinado do Século XVIII

A dica vem da escritora, roteirista e articulista da Folha, Tati Bernardi, e traz o relato de um confinado de outros tempos. “Viagem ao Redor do Meu Quarto” foi lançado originalmente por aqui em 1975 e acaba de ser reeditado pela Editora 34. “Confinado em seu quarto após se envolver num imbroglio pré-carnavalesco (devidamente seguido de duelo), um oficial de família nobre vinga-se do aperto castrense e do despeito amoroso escrevendo um pequeno prodígio de leveza verbal e garantindo seu posto ― singular, vale dizer ― nas letras francesas”, afirma a editora.  Redigido na fortaleza de Turim e publicado pela primeira vez em 1795, o livrinho do tenente (e conde) Xavier de Maistre (1763-1852) é um exercício de risonha subversão de hierarquias, sejam elas militares, metafísicas ou literárias. Zombando das circunstâncias, o autor transforma os quarenta e dois dias de castigo em ponto de partida para uma paródia dos relatos de viagem, das dissertações eruditas e dos tratados de filosofia, confrontados aqui ao zigue-zague dos caprichos, ao curso errático dos pensamentos ou ainda às inclinações incontornáveis do corpo. 

As cartas de Clarice

TODAS AS CARTAS

Lançado oficialmente ontem pela Rocco,“Todas as Cartas” é uma reunião de correspondências de Clarice Lispector trocadas ao longo da vida com nomes como João Cabral de Melo Neto, Rubem Braga e Mário de Andrade. São 284 cartas no total, parte delas inéditas. Segundo matéria do Estadão, o livro foi organizado por décadas, dos anos 1940 aos 1970, e recebeu notas da biógrafa Teresa Montero, que contextualizam os fatos. A vasta correspondência da escritora, como lembra a matéria (https://cultura.estadao.com.br/noticias/literatura,livro-traz-valiosa-correspondencia-inedita-de-clarice-lispector,70003451632, para assinantes), já inspirou a publicação de outras três obras: “Cartas Perto do Coração”, de 2001, organizada por Fernando Sabino, “Correspondências”, de 2002, e “Minhas Queridas”, de 2007, estabelecidas pela mesma biógrafa Teresa Montero.

Abaixo, trecho de carta de Clarice a João Cabral de Melo Neto, enviada a partir de Berna em 12/2/1949 e publicada pelo Estadão.

“Meu coração bateu de alegria quando vi que você tinha entendido que eu pedia ajuda. Disfarcei como pude o pedido, não por amor-próprio, mas porque, não sei, encabulamento. Ainda me lembro, quando eu era pequena, resolvi um dia me encher de coragem e pedi a uma menina um bracelete que ela usava. Resposta espantada e ofendida: ‘Tá doida, bichinha, isso é de ouro!’ E se você me respondesse assim? porque é de ouro também. Mas, já que você não usou a humilhante fórmula, peço-lhe explicitamente ajuda… A coisa está ruim mesmo. Renovar-se está bem. Mas como? Renovar-se não é sobretudo matéria de vida? então nada. Não, não tenho riqueza nenhuma, não tenho nenhuma escolha. E você não tem pobreza. Só que o que eu ‘invento’ vem cercado de mil bobagens com boa aparência, e o que você ‘inventa’ já é o essencial. Meu luxo é triste, sua pobreza é farta.”

Dicas do Estadão

Abaixo, dez obras selecionadas pela equipe do Aliás, do Estadão, entre aquelas publicadas recentemente, para incluir na estante.

“A Marca do Editor”, Roberto Calasso – Âyiné

“O Avesso da Pele”, Jeferson Tenório – Companhia das Letras

“Sarrasine”, Honoré de Balzac – Iluminaras

“Um Apartamento em Urano”, Paul B. Preciado – Zahar

“A Razão Africana”, Muryatan S. Barbosa – Todavia

“Regresso a Casa”, José Luís Peixoto – Dublinense

“Hackeando Darwin”, Jamie Metzl – Faro

“A  Profecia”, David Seltzer – Pipoca & Nanquim

“A Única Mulher”, Marie Benedict – Planeta

“Ingleses no Brasil: Relatos de Viagem, 1526-1608”, Sheila Hue e Vivien K. Lessa de Sá (Org.) – Chão

Sobre Machado

No próximo dia 29 completam-se 112 anos do falecimento, se não do mais amado, do mais comentado autor brasileiro de todos os tempos: Machado de Assis. E é um desses aspectos, os comentários feitos por outros escritores, que o professor titular de Teoria Literária da Unicamp, Alcir Pécora, aborda em extenso artigo sobre os elementos que moldaram as diferentes visões sobre o autor de “Dom Casmurro” (https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2020/09/origem-social-raca-e-repudio-modernista-moldaram-visoes-sobre-machado.shtml – para assinantes). Na base da análise está o livro lançado em 2018 pela Imprensa Oficial “Escritor por Escritor: Machado de Assis Segundo Seus Pares”, uma antologia de textos de autores brasileiros que escreveram sobre Machado a partir do ano de sua morte em 1908 até 100 anos depois. Machado, como lembra o texto, teve sua vida e obra cercada por acalorados debates envolvendo de questões raciais relativas a sua ascensão social como negro em uma sociedade escravocrata, a traição ou não de Capitu e a incompreensão dos modernistas sobre seu valor literário.