Marc Ferrez no IMS

Pão de Açúcar, visto de Niterói. RJ, c. 1890. Coleção Jennings Hoffenberg/Acervo IMS

Prossegue até o dia 25 de agosto próximo, na sede paulistana do Instituto Moreira Salles, a exposição “Marc Ferrez: Território e Imagem”. Principal fotógrafo brasileiro do Século XIX, Ferrez teve seu acervo de 15 mil imagens adquirido pelo IMS em 1998.

A exposição mostra 300 itens do acervo próprio e de outras instituições – fotografias, negativos de vidro, estereoscopias, autocromos, câmeras e equipamentos, documentos e correspondências – e se propõe a discutir “o papel da imagem fotográfica no processo de exploração do território nacional, em suas diversas regiões, e de sua construção e consolidação como ideia de nação, em especial durante o Segundo Império e início da República”.

Ferrez (1843-1923) e sua obra são tema, também, de coletâneas de fotografia e ensaio publicados pelo mesmo IMS. As edições de “Rio de Marc Ferrez” e “O Brasil de Marc Ferrez” seguem indisponíveis no momento. Já “Marc Ferrez: Uma Cronologia da Vida e da Obra”, organizado por Ileana Pradilla Ceron, pode ser adquirido no site lojadoims.com.br. O livro é fruto da mais extensa pesquisa biográfica realizada até hoje sobre o fotógrafo.

A eclética seleção da Estante

Listas a mancheia. Dessa vez, do blog da Estante Virtual e intitulada “9 Livros para Ler em Junho”. Tem lançamento recente, ensaio e contos. Tem de Chico Buarque a Marie Kondo, a “guru da arrumação”. Abaixo dos títulos, um resumo dos comentários feitos pelo blog.

“Sobre o Autoritarismo Brasileiro”, Lilia Moritz Schwarcz

Um dos principais lançamentos de não ficção de 2019.  

“Maternidade”, Sheila Heti

Também lançado este ano, é um romance provocador e corajoso sobre o desejo e o dever de procriar.  

“O Mundo de Sofia”, Jostein Gaarder

O leitor é convidado a percorrer a história da filosofia ocidental, ao mesmo tempo que se vê envolvido por um thriller que toma rumo surpreendente. 

“A Cinco Passos de Você”, Rachel Lippincott, Mikki Daughtry e Tobias Iacones

Ideal para o público “young adult”, segundo o blog.

“A Mágica da Arrumação”, Marie Kondo

Fenômeno mundial sobre técnicas de organização baseadas na máxima “jogue fora tudo que você não usa há um ano”.

“As Coisas que Perdemos no Fogo”, Mariana Enriquez

Contos que usam o medo e o terror para explorar as várias dimensões da vida contemporânea.

 –“Leite Derramado”, Chico Buarque

Saga familiar caracterizada pela decadência social e econômica, tendo como pano de fundo a história do país nos últimos dois séculos.

 –“Gabriela Cravo e Canela”, Jorge Amado

Clássico da literatura brasileira, narra o romance entre o sírio Nacib e a mulata Gabriela na Ilhéus dos anos 20 do século passado.

“Na Contramão da Liberdade”, Timothy Snyder

Outro lançamento de 2019, também trata do autoritarismo. Um vigoroso mergulho na história russa, ucraniana, europeia e norte-americana.

Começa hoje a venda de ingressos para a Flip 2019

Começa hoje, dia 3, a venda de ingressos (R$ 55) para a 17ª Festa Literária Internacional de Paraty. O evento será entre os dias 10 e 14 de julho e a entrada pode ser adquirida no site da Flip. Durante a Festa, os ingressos só poderão ser adquiridos na bilheteria oficial instalada na cidade de Paraty. Programação completa e outras informações no site http://www.flip.org.br.

A Festa Literária desse ano homenageia Euclides da Cunha e terá, segundo os organizadores, a participação de 30 convidados brasileiros e estrangeiros.

Uma mulher imbatível

Marie Curie em foto do site http://www.biography.com

A cientista Marie Curie (1867-1934) é tema de entrevista da escritora Rosa Montero publicada pela Folha de SP (link para assinantes: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2019/05/livro-apresenta-uma-marie-curie-sentimental-por-tras-do-jeito-durao.shtml?loggedpaywall). Montero é um dos principais nomes da literatura contemporânea da Espanha e autora de “A Ridícula Ideia de Nunca Mais te Ver”, lançado no Brasil pela Todavia.

O livro, segundo a matéria, surgiu do contato da escritora com o diário de luto mantido por Marie Curie durante o período de um ano a partir da morte do marido, o também físico Pierre Curie (1859-1906), e de uma triste sintonia com a história da própria Rosa Montero, que também perdeu prematuramente o companheiro, vítima de um câncer.

Perdas que geraram, segundo a editora, um “livro vertiginoso e tocante a respeito da morte, mas sobretudo dos laços que nos unem ao extremo da vida”. Mistura de ficção e memória, a obra de Rosa Montero traz como apêndice o impressionante diário de Curie.

Abaixo, em trecho do livro publicado no site da editora, Montero fala sobre Marie Curie:

“Sempre a achei uma mulher fascinante, algo com que quase todo mundo concorda, aliás, porque é um personagem incomum e romântico que parece maior do que sua própria vida. Uma polonesa espetacular que foi capaz de ganhar dois prêmios Nobel: um de Física, em 1903, em parceria com o marido, Pierre Curie; outro de Química, em 1911, sozinha. Com efeito, em toda a história do Nobel só houve outras três pessoas que ganharam duas distinções: Linus Pauling, Frederick Sanger e John Bardeen, e apenas Pauling em duas categorias distintas, como Marie. Mas Linus levou um prêmio de Química e outro da Paz, e é preciso reconhecer que este último vale bem menos (como se sabe, até Henry Kissinger tem um). Ou seja, Madame Curie permanece imbatível. Além disso, Marie descobriu e mediu a radioatividade, esse atributo aterrador da Natureza, fulgurantes raios sobre-humanos que curam e matam, que fritam tumores cancerígenos na radioterapia ou calcinam corpos depois de uma deflagração atômica. É dela também a descoberta do polônio e do rádio, dois elementos muito mais ativos do que o urânio. O polônio, o primeiro que ela encontrou (por isso o batizou com o nome do seu país), foi logo ofuscado pela relevância do rádio, embora recentemente tenha virado moda como uma forma eficiente de assassinar: lembremos a terrível morte do espião russo Alexander Litvinenko em 2006, depois de ingerir polônio 210, ou o polêmico caso de Arafat (outro Nobel da Paz inacreditável). De modo que as mãos de Marie Curie chegaram até mesmo a essas sinistras aplicações. Mas, bem ou mal, essa força devastadora está na própria base da construção do século XX, e provavelmente também do XXI. Vivemos tempos radioativos.”

Obras-primas liberadas

A dica para quem se interessa por arte vem de Tainá Corrêa, da revistabula.com. São 330 obras sobre o tema liberadas para download gratuito (no formato pdf), em uma cortesia da Getty Publicações. “São títulos premiados, publicados entre 1968 e 2018, e podem ser pesquisadas por temas, títulos, autores ou palavras-chave. Além de catálogos raros e estudos críticos, o acervo contempla obras sobre arqueologia, fotografia, pintura, escultura, arquitetura, história da arte, cerâmica, conservação e restauração; tanto para o público em geral, quanto para especialistas.” 

http://www.getty.edu/publications/virtuallibrary/index.html