Raridades em leilão

Baudelaire
“Quando a senhorita Jeanne Lemer entregar-lhe esta carta, vou estar morto (…) Morro em terrível inquietação (…) Eu me mato porque não posso mais viver, a fadiga do sono e a fadiga do despertar é insuportável”.
Trecho da carta em que Charles Baudelaire anuncia à amante sua intenção de cometer suícidio aos 24 anos. O poeta, como é sabido, se esfaqueou sem consequências graves e viveu outros 22 anos. A carta original, de 1845, será leiloada neste domingo, na França, e deve ser levada, segundo estimativas dos organizadores do leilão, por algo entre 60 mil e 80 mil euros.
Na lista de cartas, manuscritos e imagens disponíveis na ocasião, estarão, além dos assinados pelo autor de As Flores do Mal, também documentos originais de nomes como Marcel Proust, Victor Hugo, Zola,  Louis-Ferdinand Céline, Freud, Flaubert, Einstein, Stéphane Mallarmé, Paul Verlaine e Jean-Paul Sartre.

IMS lança portal de crônicas

 

Das boas notícias recentes, merece destaque o lançamento hoje, 12/09, do Portal da Crônica Brasileira (cronicabrasileira.org.br). A louvável iniciativa do Instituto Moreira Salles (IMS) põe ao alcance de qualquer pessoa com acesso à internet 2.470 crônicas, na sua maioria também em versão fac-símile, ou seja, como foram originalmente publicadas, em páginas de revistas e jornais. São textos assinados pelos mais importantes autores do gênero no país. Rachel de Queiroz, Rubem Braga, Clarice Lispector, Antônio Maria, Paulo Mendes Campos e Otto Lara Resende, entre eles. As crônicas fazem parte de acervos pessoais dos cronistas, hoje sob guarda do próprio IMS e de outras instituições. Segundo a coordenadora de Literatura do Instituto, Elvia Bezerra, nomes como Carlos Drummond de Andrade e Fernando Sabino devem ser incorporados ao site “num futuro próximo”. Caricaturas de Cássio Loredano/IMS.

 

 

Rosa garoto-propaganda

Anúncio de medicamentos com carta de Guimarães Rosa, na revista O Cruzeiro, em 1931

Nota do blog Painel das Letras, do jornalista Maurício Meireles, no site do jornal Folha de São Paulo, resgata fato inesperado na trajetória do cânone da literatura brasileira, Guimarães Rosa. O celebrado autor de “Grande Sertão: Veredas”, de 1956, foi garoto-propaganda de dois remédios, em 1931. A descoberta, segundo o jornalista, foi feita pelo bibliófilo Luís Pio Pedro, durante pesquisas para o dicionário de pseudônimos previsto para lançamento no ano que vem.

“O anúncio publicitário dos remédios Cascarobil e Metacal foi publicado naquele ano na revista O Cruzeiro, com uma carta de Rosa recomendando-os. Nela, o escritor dizia estar feliz que um paciente que sofria de “cólica hepática”, após o primeiro medicamento, achava-se “lépido, satisfeito, eufórico, cheio de saúde”.

 

A Odisseia em argila

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Conforme anúncio feito essa semana pelo ministro da Cultura da Grécia, arqueólogos descobriram o que acreditam ser o mais antigo fragmento do poema épico “Odisseia”, de Homero. Uma equipe de pesquisadores gregos e alemães teriam encontrado o fragmento em uma placa de argila entalhada na antiga Olímpia, berços dos jogos olímpicos localizado na península do Peloponeso. A placa contém 13 versos do Canto 14 da “Odisseia”. A obra tem 12.109 linhas de poesia contando a história de Ulisses, rei de Ítaca, que vaga durante 10 anos tentando voltar para casa após a queda de Tróia. A “Odisseia”, conforme assinalado nas notícias divulgadas pela imprensa mundial, é o segundo grande poema atribuído a Homero. O outro é a “Ilíada”. Ambos são considerados duas das maiores obras da literatura mundial em todos os tempos.

Do acervo do IMS

Manuscrito do poema “Para Cecília Meireles”. Arquivo Mario Quintana/ Acervo Instituto Moreira Salles.

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“Nas linhas tortas do manuscrito de “Para Cecília Meireles”, poema em gestação, o que se sobressai é a letra trêmula e oscilante de um Quintana que provavelmente teria cerca de 80 anos de idade quando do esboço do poema. Em alguns momentos, a escrita é quase indecifrável, hieroglífica, mas nela sempre presente a imagem dos belos olhos claros da poetisa.”