Risério e as moradias

Resposta de Antonio Risério à pergunta do repórter do Estadão, Guilherme Evelin, sobre o “problema” do programa Minha Casa, Minha Vida, duramente criticado pelo antropólogo. Entrevista completa, publicada na última edição do caderno “Aliás” no link abaixo (para assinantes): https://alias.estadao.com.br/noticias/geral,minha-casa-minha-vida-constroi-hoje-as-favelas-de-amanha-diz-antonio-riserio,70002940746

“Como o BNH, o Minha Casa, Minha Vida nasceu principalmente não para atender a uma demanda popular, mas para injetar dinheiro na veia do empresariado, num momento de crise. Mais: o governo cedeu o controle do chão da cidade à burguesia da construção civil, monopolização fundiária que impede planejamentos socialmente justos e de médio e longo prazos. Dona do solo citadino, a burguesia decide onde vai implantar isso ou aquilo: um shopping aqui, um bairro de luxo ali, um conjunto habitacional popular adiante. Reserva para si as melhores fatias do chão da cidade e joga os conjuntos populares nas pirambeiras da periferia, carentes dos serviços públicos mais elementares. Com isso, esses núcleos distantes se favelizam. Foi o que aconteceu, no passado, com a Cidade de Deus, no Rio de Janeiro. É o que começa a acontecer com os assentamentos do programa petista. É por isso que digo que o Minha Casa, Minha Vida constrói, hoje, as favelas de amanhã.”

Autor de vasta obra na área musical e na poesia e mais de 20 livros publicados, Antonio Risério (1953) lançou recentemente, pela TopBooks, “A Casa no Brasil”, parte da trilogia que já teve publicados “A Cidade no Brasil” (2012) e “Mulher, Casa e Cidade” (2015).

El País entrevista Cardenal

Cardenal é repreendido ao tentar beijar a mão de João Paulo II, no aeroporto de Manágua, em março de 1983

O poeta e sacerdote nicaraguense Ernesto Cardenal, 94 anos, um dos maiores defensores da Teologia da Libertação na América Latina e ministro da Cultura no primeiro governo de Daniel Ortega, é o entrevistado de matéria publicada no final de semana pelo El País (https://brasil.elpais.com/brasil/2019/04/20/internacional/1555774595_576493.html).

Na entrevista a Javier Lafuente, Cardenal se reafirma um perseguido político e diz que, sobre o confronto com o papa João Paulo II, em 1984, a sanção papal não o afetou: “Meu sacerdócio é diferente, é pastoral. Eu me tornei sacerdote pela união com Deus, é algo místico”.

Abaixo, poema de 1961.

Epigramas

Te dou Claudia, estes versos, porque tu és a dona
os escrevi simples para que tu os entendas.
São para ti somente, mas se a ti não te interessam,
um dia se divulgarão, talvez por toda Hispanoamerica…
e se ao amor que os ditou, tu também o desprezas,
outras sonharão com este amor que não foi para elas.
E talvez verás, Claudia, que estes poemas,
(escritos para conquistar-te) despertam
em outros casais enamorados que os leiam
os beijos que em ti não despertou o poeta.

Ao perder-te eu a ti, tu e eu perdemos:
Eu, porque tu eras o que eu mais amava
e tu porque eu era o que te amava mais
mas de nós dois tu perdes mais que eu:
porque eu poderei amar a outras como te amava a ti,
mas a ti não te amarão como te amava eu.

Moças que algum dia leiam emocionadas estes versos
e sonheis com um poeta:
Sabei que eu os fiz para uma como vós
e que foi em vão.

Epigramas

Te doy Claudia, estos versos,
porque tú eres su dueña.
Los he escrito sencillos
para que tú los entiendas.
Son para ti solamente,
pero si a ti no te interesan,
un día se divulgarán,
tal vez por toda Hispanoamérica…
Y si al amor que los dictó,
tú también lo desprecias,
otras soñarán
con este amor
que no fue para ellas.
Y tal vez verás,
Claudia,
que estos poemas,
(escritos para conquistarte a ti)
despiertan
en otras parejas
enamoradas que los lean
los besos que en ti
no despertó el poeta.

Al perderte yo a ti,
tú y yo hemos perdido:
yo, porque tú eras
lo que yo más amaba,
y tú, porque yo era
el que te amaba más.
Pero de nosotros dos,
tú pierdes más que yo:
porque yo podré
amar a otras
como te amaba a ti,
pero a ti nadie te amará
como te amaba yo.

Muchachas que algún día
leaís emocionadas estos versos
Y soñéis con un poeta
Sabed que yo los hice
para una como vosotras
y que fue en vano.