Atualíssimo Euclides da Cunha

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Já tem data – 10 a 14 de julho – e homenageado – Euclides da Cunha – o evento literário mais badalado do país: a Festa Literária Internacional de Paraty – Flip 2019. Afora a qualidade literária indiscutível, a obra de Euclides, é defendida pela curadora Fernanda Diamant, em recente entrevista à Folha, também pela atualidade assombrosa com que ainda contribui para o debate nacional em torno de temas como política, história, jornalismo, racismo, religião, ecologia, violência etc. etc.

Autor de um dos mais aclamados títulos brasileiros, Euclides da Cunha era engenheiro e membro do Exército Nacional, mas foi como jornalista que fez história. Escrevendo para o jornal “A Província de São Paulo”, mais tarde “O Estado de São Paulo”, Euclides foi, no final de 1890, para o interior da Bahia com o objetivo de cobrir a Revolta de Canudos. Lá, presenciou o bárbaro massacre promovido pelos militares, com a benção do Estado, contra os membros do movimento liderado por Antônio Conselheiro, pondo em xeque suas ideias e sua fé no governo republicano. Dois anos depois, publicava seu grande clássico “Os Sertões”.

O autor morreu no Rio de Janeiro, em 1909, aos 43 anos, assassinado pelo amante da sua mulher Ana, Dilermando de Assis, a quem tentara também balear. Dilermando, como se sabe, acabou sendo absolvido por um júri popular, alegando legítima defesa. Fato também lembrado na entrevista, pela atualidade do momento em que parte da sociedade sai em defesa de menores restrições ao porte de armas no país.

Dupla homenagem a Ziraldo

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Ziraldo na década de 60. Foto/Casa Ziraldo de Cultura

Duas exposições, em São Paulo, celebram a obra do mais popular cartunista do país. “Ziraldo…de A a Zi” foi aberta essa semana no Sesc Interlagos e prossegue até agosto do ano que vem. São cinco espaços temáticos abordando sete décadas de produção. Dos primeiros desenhos até os mais recentes. Na Casa Melhoramentos fica em exposição, de amanhã, 18/10, até 22 de dezembro “Os Planetas Ziraldo”. Ambas têm entrada gratuita.

Começa a Feira de Frankfurt

Frankfurt

Começa hoje, com baixa expectativa por parte dos editores brasileiros, a 70ª edição do principal evento literário mundial, a Feira do Livro de Frankfurt. Com muitas negociações feitas em dólar e um real em desvalorização, aliado à uma grave crise no mercado editorial brasileiro que vem se arrastando desde 2014, tem deixado os ânimos de editores e agentes numa temperatura mais morna. Soma-se ainda o achatamento mundial do mercado. Segundo relatório da própria feira, na última década houve encolhimento do mercado livreiro na grande maioria dos países, com exceção da China. Só na Alemanha, sede do evento, o número de consumidores de livros teria diminuído mais de 6 milhões entre 2012 e 2016. A feira reúne 7,3 mil expositores de mais de 100 países e dura cinco dias.

 

3×4 da Bienal de SP

BIENAL-2018

Matéria recente do “Caderno 2” do Estadão faz um balanço da Bienal Internacional de São Paulo, encerrada domingo passado, e mostra que além de mais pessoas circulando nos corredores do Anhembi, o evento teve menos expositores (197 este ano contra 280 na edição de 2016) e maior valor do gasto médio dos visitantes (cerca de R$ 160 contra R$ 121). Entre outros participantes ouvidos pela reportagem, a editora Sextante estimava, naquele momento, vendas 50% superiores às registradas em 2016; a Record falava em crescimento da ordem de 20% nas vendas e a Melhoramentos, de 57%. Entre as que apostavam num empate com relação à Bienal anterior estavam Autêntica e Sesc. Comentou ainda a ausência da Livraria Saraiva e da editora Fundamento, conhecida pelo catálogo voltado para aquele que foi o maior público do evento: o infanto-juvenil.

Flip chegando

Contagem regressiva para a décima-sexta edição do maior evento literário do país. A Festa Literária Internacional de Paraty começa no próximo dia 25 e entre os nomes que devem receber as maiores atenções estão o da atriz Fernanda Montenegro, que abre o a Festa e lança “Fernanda Montenegro: Itinerário Fotobiográfico” , volume de 500 páginas e quase 700 fotos da vida artística e pessoal da atriz; o historiador britânico Simon Sebag Montefiore e aquela que é apontada como um dos principais nomes da literatura russa contemporânea, Liudmila Petruchévskaia.

Abaixo os autores convidados:

Alain Mabanckou (República do Congo, 1966), poeta e romancista de, entre outros, Copo Quebrado e Memórias de Porco-espinho.

André Aciman (Alexandria, 1951), autor de Me chame pelo seu nome (Intrínseca)  adaptado para o cinema pelo diretor italiano Luca Guadagnino.

Bell Puã (Recife, 1993), poeta, faz parte do coletivo negro Afronte e desenvolve atividades de consciência racial.

Christopher de Hamel (Londres, 1950), considerado o maior especialista em manuscritos medievais do mundo e autor de Manuscritos Notáveis” (Companhia das Letras).

Colson Whitehead (Nova York, 1969), escritor, ensaísta e colaborador do jornal The New York Times e das revistas New Yorker e Granta. 

Djamila Ribeiro (Santos, 1980), pesquisadora, escritora  e colunista das revistas Carta Capital e Elle e dos sites Blogueiras Negras e Azmina.

Eder Chiodetto (São Paulo, 1965), fotógrafo, jornalista, editor, professor e curador independente. Realizou cerca de cem exposições no Brasil e no exterior.

Eliane Robert Moraes (São Paulo, 1951), ensaísta e professora de Literatura Brasileira na Universidade de São Paulo (USP).

Fabio Pusterla (Ticino – Suíça, 1957), poeta, tradutor e crítico literário.

Fernanda Montenegro (Rio de Janeiro, 1929), por seu trabalho em Central do Brasil (1998) venceu o Urso de Prata em Berlim e foi a única atriz brasileira indicada ao Oscar.

Franklin Carvalho (Araci –Bahia, 1968), Céus e Terra” (Record), seu primeiro romance, trata do tema da morte no sertão baiano e venceu o Prêmio Sesc 2016 e o Prêmio São Paulo de Literatura 2017.

Gabriela Greeb (São Paulo,1966), autora de filmes de ficção, documentários e videoinstalações.

Geovani Martins (Rio de Janeiro, 1991), morador do Vidigal, na cidade do Rio de Janeiro, que estreou este ano com O Sol na Cabeça” , celebrada reunião de treze contos.

Gustavo Pacheco (Rio de Janeiro, 1972), doutor em Antropologia, contista e tradutor.

Iara Jamra (São Paulo, 1955), atriz, estrelou, no final da década de 1990, o monólogo O Caderno Rosa de Lori Lamby, adaptação da obra homônima de Hilda Hilst – autora homenageada da edição deste ano.

Igiaba Scego (Roma,1974), contista, ensaísta, romancista e editora.

Isabela Figueiredo (Lourenço Marques, atual Maputo, 1963), escritora, foi jornalista no Diário de Notícias e hoje é professora de português.  

Jocy de Oliveira (Curitiba, 1936), pioneira em uma criação multimídia que envolve música, teatro, instalações, textos e vídeo.

Júlia de Carvalho Hansen (São Paulo, 1984), poeta, astróloga e editora.

Juliano Garcia Pessanha (São Paulo, 1962), mestre em Psicologia e doutor em Filosofia.

Laura Erber (Rio de Janeiro, 1979), escritora, artista visual, editora e professora.

Leila Slimani (Marrocos, 1981), escritora francesa de origem marroquina, um dos mais importantes nomes da nova literatura francófona.

Lígia Ferreira (São Paulo,1958), professora de Língua e Literaturas Francesa e Francófonas na Unifesp.

Liudmila Petruchévskaia (Moscou, 1938), um dos principais nomes da literatura russa moderna, conhecida por suas histórias de absurdo, fantasia e horror.

Maria Teresa Horta (Lisboa,1937), ficcionista, poetisa e jornalista.

Reuben da Rocha (São Luís, 1984),poeta, performer, artista sonoro e visual, também conhecido como cavalodadá.

Ricardo Domeneck (Bebedouro – São Paulo, 1977), escritor e artista visual radicado em Berlim.

Selva Almada (Entre Ríos – Argentina, 1973), um dos nomes fortes da nova literatura argentina em contos e romances.

Sérgio Sant’Anna (Rio de Janeiro, 1941), autor de um gênero híbrido que abrange contos, memórias e novelas.

Simon Sebag Montefiore (Londres,1965), escritor e jornalista publicado em 48 línguas e especializado em história da Rússia.

Thereza Maia (Guaratinguetá – São Paulo,1935), se dedica ao registro da história oral, com mais de quarenta livros publicados.

Vasco Pimentel (Lisboa –1957), diretor de som, trabalhou em mais de 140 filmes – entre eles O Céu de Lisboa, de Wim Wenders.

Zeca Baleiro (São Luís, 1966), cantor, compositor, cronista e músico.