O primeiro romance

“Ainda lembro da minha surpresa quando soube que o primeiro grande romance da literatura universal foi escrito por uma dama de companhia da corte japonesa por volta do ano 1000.1 Não sabemos o nome verdadeiro da autora, que veio a ser conhecida como Murasaki Shikibu, sua inesquecível protagonista. Essa senhora anônima da corte criou um mundo literário de biombos, leques e poemas que era diferente de qualquer coisa escrita até então.”

Trecho do livro “O Mundo da Escrita”, de Martin Puchner

Para ficar na memória

Foto: belohorizonte.mg.gov.br

Primeira edificação no estilo art déco da capital mineira, o Cine Theatro Brasil, inaugurado em 1932 e por muito tempo detentor do título de maior sala de cinema do país, é tema do livro “Na Cultura e na Memória da Cidade”, assinado por Vanessa Viegas Conrado e Luciana Ferron. O livro foi lançado recentemente e o conteúdo está disponível para download gratuito no endereço www.cinetheatrobrasil.com.br, com versões também em inglês e braile. Exemplares físicos serão distribuídos para bibliotecas, centros culturais e escolas. Ao longo de 87 anos, o Cine Brasil foi também palco de bailes, musicais e programas de TV, teatro, restaurante e bar. Hoje, o edifício é tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico Estadual e Municipal.

Três décadas do “Boca do Inferno”

Sucesso de crítica e de vendas, traduzido em dezenas de países e marco na história da Companhia das Letras, “Boca do Inferno”, de Ana Miranda, está completando 30 anos de lançamento e acaba de ganhar edição comemorativa. Ambientado na Salvador do final do século XVII, época turbulenta centrada em acirradas disputas políticas, a obra mistura ficção e história e tem como protagonistas o poeta Gregório de Matos (1636-1696) e o jesuíta Antonio Vieira (1608-1697). Foi o primeiro romance da autora, premiada com o “Jabuti” em 1990.

De Che para Tatico

“Tatico, você cresça e vire homem, que depois veremos o que se faz. Se ainda houver imperialismo, saímos para brigar com ele; se isso acabar, você, Camilo e eu podemos ir de férias para a Lua”. Trecho final de carta de Che Guevara ao filho, escrita em 1966 e publicada em matéria recente do El País. O conteúdo integra “Epistolario de un Tiempo. Cartas 1947-1967”, livro recém-lançado em Cuba e que agrupa e classifica 350 páginas de cartas pessoais e políticas abrangendo desde a época em que Ernesto Guevara de la Serna termina o ensino médio e parte de moto para descobrir as Américas (tema do filme “Diários de Motocicleta”, de Walter Salles, lançado em 2004) até suas últimas palavras, escritas na Bolívia e dedicadas aos seus pais, aos filhos e à esposa, Aleida March. Morto na Bolívia, em outubro de 1967, o médico e revolucionário marxista argentino, como citado na matéria do jornal espanhol, segue como um dos nomes de maior capital simbólico do Século XX.

A assombrosa história da escravidão no Brasil

Interior de um navio negreiro em obra de Johann Moritz Rugendas/Fine Art America

Já está nas prateleiras o novo livro do escritor e jornalista Laurentino Gomes, “Escravidão”. O título, lançado pela Globo Livros, é o primeiro de uma nova trilogia histórica que promete seguir os passos das obras anteriores assinadas pelo autor – “1808”, “1822” e “1889”, ambos fenômenos de venda no país.

“Escravidão” aborda a fase inicial do tráfico transatlântico de seres humanos e é resultado de seis anos de pesquisas e observações, que, segundo a editora, incluíram viagens do autor por doze países e três continentes. O livro cobre um período de 250 anos, do primeiro leilão de cativos africanos registrado em Portugal, na manhã de 8 de agosto de 1444, até a morte de Zumbi dos Palmares. “Uma história de dor e sofrimento cujos traços ainda são visíveis atualmente em muitos dos locais visitados pelo autor, como Luanda, em Angola; Ajudá, no Benim; Cidade Velha, em Cabo Verde; Liverpool, na Inglaterra; e o cais do Valongo, no Rio de Janeiro.”

Os próximos volumes devem ser publicados até 2022, bicentenário da Independência do Brasil, e vão abordar o período do auge do tráfico de escravos ao movimento abolicionista que resultou na Lei Áurea de 13 de maio de 1888, “chegando até o persistente legado da escravidão que ainda hoje assombra o futuro dos brasileiros”.