Comentados no “Aliás”

Quatro lançamentos abordados em artigos do “Aliás”, do jornal O Estado de SP, do último final de semana. Dois sobre a formação de bibliotecas ao longo dos séculos, outros dois sobre a solidão e a nova edição de um clássico da literatura brasileira, de 1895 e considerado o primeiro romance gay do país.

“História das Bibliotecas: de Alexandria às Bibliotecas Virtuais”, Frédéric Barbier – Edusp

“A Biblioteca: uma História Mundial”, James W.P. Campbell e Will Pryce – Edições Sesc

“História da Solidão e dos Solitários”, George Minois – Unesp

“Bom Crioulo”, Adolfo Caminha – Todavia

Vozes que ecoam 30 anos depois

Imagem publicada pela National Geographic

“E não conseguíamos fazer queijo. Passamos um mês sem nata e sem queijo. O leite não azedava, virava pó, um pó branco. Por causa da radiação. Essa radiação estava na minha horta. A horta ficou toda branca, branca, branca, como se estivesse polvilhada. Eram muitos pedacinhos…Eu pensei que fosse alguma coisa do bosque, que o vento tivesse trazido.”

Trecho de “Vozes de Tchernóbil”, da bielorrussa Svetlana Aleksiévitch, Prêmio Nobel de Literatura de 2015, lançado aqui pela Companhia das Letras. Obra que, conforme a editora, conta por meio do testemunho de viúvas, trabalhadores, cientistas ainda debilitados pela experiência, soldados e gente do povo a história e os efeitos de uma tragédia nuclear sem precedentes na história, ocorrida há 30 anos na Ucrânia. “Cenas terríveis, acontecimentos dramáticos, episódios patéticos, tudo na história de Tchernóbil aparece com a força das melhores reportagens jornalísticas e a potência dos maiores romances literários. Eis uma obra-prima do nosso tempo.”

Documentário (1h35) lançado por ocasião dos 20 anos do maior acidente nuclear da história

A saga dos czares russos

Postagem recente da editora Companhia das Letras nas redes sociais ressalta o sucesso da série “Os Últimos Czares”, que estreou este mês na Netflix. Explica-se. O seriado é sustentado por dois livros lançados no Brasil pela editora: “Os Románov – 1613-1918”, de Simon Sebag Montefiori, e “Raspútin”, de Douglas Smith. Ambos entrevistados na série.

Os donos das palavras

Chaucer em ilustração do acervo da British Library

Alguns autores célebres na literatura mundial, se notabilizaram também pela criação de palavras que, segundo matéria publicada no site da BBC Brasil, “mudaram a forma como pensamos, ouvimos, descobrimos e existimos no mundo”. Abaixo uma amostra da seleção da BBC.

Twitter – (ou ‘twiterith’, como era o termo original na metade do século 14)

Surgiu da pena de Geoffrey Chaucer em sua tradução do livro “A Consolação da Filosofia”, do filósofo do século 6 Boethius, significa “gorjear”. É uma das mais de 2,2 mil palavras cuja criação é atribuída ao poeta medieval.  

Visualizar – Em 1817, o poeta romântico e crítico Samuel Taylor Coleridge criou a palavra em sua confissão filosófica “Biographia Literaria” – um século depois que a palavra “Envision” (“vislumbrar”) foi criada.

O mesmo Coleridge é responsável por introduzir ao inglês outras palavras para descrever aspectos mais sombrios da experiência humana, como “Psicossomático” e “Pessimismo”. Costuma ganhar o crédito também por “Intelectualise” (“intelectualizar”), que significa transformar um objeto físico em uma propriedade da mente, e “Thingify” (“coisificar”), que significa transformar um pensamento em um objeto.

“Outsider” (excluído) seria uma criação da britânica Jane Austen e “Angst” (Raiva), da alemã George Eliot.

A história da escrita

Já disponível no país, em lançamento da Companhia das Letras, “O Mundo da Escrita”, do professor de Literatura da Universidade de Harvard, crítico e filósofo Martin Puchner. Na obra, o autor se propõe a contar a história da escrita – da Epopeia de Gilgamesh, passando pelos gregos, árabes e maias chegando a Hogawarts, o castelo de Harry Potter – e de como ela inspirou o surgimento e a decadência de impérios e nações, “o desabrochar de ideias políticas e filosóficas e o nascimento de crenças religiosas”.  

Segundo a escritora Margaret Atwood, uma “leitura indispensável para entender por que lemos”.

Linha do tempo de autoria de Puchner, publicada pelo Estadão.

2100 a.C.

Atual Iraque

Primeiras histórias de Gilgamesh, em escrita cuneiforme

1000 a.C.

Jerusalém

Registros da Bíblia Hebraica

800 a.C.

Grécia

Homero, em alfabeto grego

Século 5 a.C.

Índia, China e Grécia

Buda, Confúcio e Sócrates

30

Israel

Jesus vive e ensina

868

China

Sutra do Diamante, a mais antiga obra impressa existente

1000

Japão

Sra. Murasaki escreve ‘Romance de Genji’, o primeiro romance

1550

México

O Popol Vuh, mito fundador dos Maias, em alfabeto latino

1827

Alemanha

Goethe e a literatura universal

1960

Guiné

‘Epopeia de Sundiata’, mito fundador da África Ocidental, ganha versão escrita.