Villa-Lobos ganha nova biografia

Villa-Lobos e a mulher Arminda desembarcando no Galeão/Foto: Museu Villa-Lobos

Sai no ano que vem uma nova biografia do compositor e maestro Heitor Villa-Lobos (1887-1959), aclamado como um dos maiores nomes da música clássica brasileira em todos os tempos. O livro tem autoria do músico, pesquisador e escritor Wilson Baptista e, traz, segundo entrevista do autor para o blog da editora Companhia das Letras, novidades como uma genealogia inédita de Villa e outras revelações relativas às viagens de mocidade do compositor.

Filho de uma dona de casa e de um funcionário da Biblioteca Nacional e músico amador, Villa-Lobos aprendeu com o pai Raul Villa-Lobos a tocar clarinete e violoncelo a partir dos seis anos. Aos 18, partia em viagens pelo país, visitando estados como o Espírito Santo, Bahia e Pernambuco, onde passa temporadas em engenhos e fazendas do interior em busca do folclore local. No início da década de 20, já celebrado no Brasil, o músico vai pela primeira vez à Europa, onde retornaria em celebradas turnês nos anos seguintes. Villa morreu de câncer, há 60 anos, no Rio de Janeiro.

Rita relança série "Dr. Alex"

Publicada originalmente entre 1986 e 1992, a coleção “Dr. Alex”, da cantora e escritora Rita Lee, está de volta às prateleiras. Depois do recém-lançado “Amiga Ursa – Uma História Triste, Mas com Final Feliz”, a autora, a partir de uma proposta do editor Guilherme Samora, atualizou textos e desenhos de seu ratinho cientista e pacifista. “Dr. Alex” (ilustrado por Guilherme Francini – o mesmo de “Amiga Ursa”) e “Dr. Alex na Amazônia” (ilustrado por Quihoma Isaac) chegam este ano. Os outros dois títulos da série devem sair no início do ano que vem, pela Globinho.

As leituras de Bowie

Ainda sem notícias de lançamento em português, acaba de sair também a versão em espanhol de “El Club de Lectura de David Bowie: Una Invitación a la Lectura a través de los 100 Libros que Cambiaron la Vida del Mito”, do jornalista britânico, John O’Connell.

Segundo matéria do El País, a lista de leituras de Bowie que deu origem ao livro já era conhecida desde 2003. Na obra, porém, O’Connell teve o cuidado de explicar cada livro e procurar seu rastro na obra de David e “fez isso com rigor e inteligência”. 

Veja 10 títulos da lista de Bowie, selecionados pelo site omelete.com.br.

“1984”, George Orwell

“Laranja Mecânica”, Anthony Burgess

“O Grande Gatsby”, F. Scott Fitzgerald

“A Sangue Frio”, Truman Capote

“O Estrangeiro”, Albert Camus

“Ruído Branco”, Don Delillo

“Ilíada”, Homero

“O Mestre e a Margarida”, Mikhail Bulgákov

“O Zero e o Infinito”, Arthur Koestler

“Lolita”, Vladimir Nabokov

Um assunto que não acabou

Obra de Jean-Baptiste Debret

Trecho de entrevista do escritor Laurentino Gomes, autor de “Escravidão”, lançado recentemente pela Globo Livros, ao jornal El País. Matéria completa no link https://brasil.elpais.com/brasil/2019/11/19/politica/1574203693_074968.html.

“Tudo que fomos no passado, o que somos hoje e que nós gostaríamos de ser no futuro tem a ver com a escravidão. Primeiro por uma razão estatística: o Brasil foi o maior território escravista da América, com quase 5 milhões de cativos africanos. Isso dá 40% do total de africanos escravizados que embarcaram para o Novo Mundo, estimado em 12,5 milhões. Foi o país que mais tempo demorou para acabar com o tráfico negreiro, com a Lei Eusébio de Queirós, em 1850, e o último a acabar com a própria escravidão, em 1888. O Brasil foi construído por escravos, em todos os ciclos econômicos, passando pelo açúcar, ouro, diamante, café. A escravidão não é um assunto acabado, tema de museu ou livro de história. Ela está presente na realidade brasileira. Os abolicionistas do século XIX, como Joaquim Nabuco, Luiz Gama, André Rebouças e José do Patrocínio, defendiam que o Brasil precisava fazer duas abolições. A primeira era parar de comercializar gente como mercado, algo ocorrido com a Lei Áurea. A segunda era incorporar os ex-escravos na sociedade brasileira como cidadãos, dando terra, emprego, educação, e isso o Brasil jamais fez. O país abandonou sua população afrodescedente à própria sorte.”

Os essenciais de novembro

A cada última edição do mês, a equipe do Aliás, caderno dominical do Estadão, seleciona 10 “títulos essenciais”, lançados recentemente, para incluir na estante. Confira a lista de novembro e resumo da apresentação do Aliás:

“Percurso em Prosa”, Fernando Pessoa –  Nova Fronteira

Box com dois volumes. O primeiro com crônicas, ensaios, cartas e rascunhos de projetos do autor. O segundo, um passeio por Lisboa, tendo Pessoa como guia turístico. Edição bilíngue e ilustrada.

“Mitologias Arquetípicas”, Gustavo Barcellos – Vozes

Aborda a psicologia arquetípica seguindo o analista pós-junguiano James Hillman, ou seja, enxergando psicologia na mitologia e resgatando o sentido estético da beleza.  

“Na Terra do Cervo Branco”, Chen Zhongshi – Estação Liberdade

Romance e panorama histórico das transformações da China e das revoluções pessoais que culminam no atual conflito pelo fim do poder autoritário.  

-“Lojas de Canela”, Bruno Schulz – 34

Livro de estreia do escritor polonês Bruno Schulz (1892-1942), reúne cinco contos do autor, admirado por Philip Roth e John Upidke.    

“O Jovem Törless”, Robert Musil – Nova Fronteira

Livro de estreia de Musil, publicado em 1906, onde já se esboça a crítica frequente do autor a um sistema que desumaniza e sujeita o indivíduo à crueldade da massa

“O Irlandês”, Charles Brandt – Seoman

Fonte do novo filme de Martin Scorsese, conta a sórdida história de um veterano de guerra e caminhoneiro que também é um matador de aluguel.  

“A Idade de Ouro do Brasil”, João Silvério Trevisan Alfaguara

Em seu mais recente romance, sem deixar a temática homossexual que marcou sua carreira, Trevisan pinta um retrato cômico de uma nação que invoca o abismo.

“Os Testamentos”, Margaret Atwood – Rocco

Continuação e atualização dos temas tratados em “O Conto da Aia”, lançado originalmente há 15 anos. Vencedor do Booker Prize deste ano. 

-“Longa Pétala de Mar”, Isabel Allende – Bertrand Brasil

Narra a saga de um médico e uma pianista exilados de Barcelona durante a Guerra Civil Espanhola. Eles recomeçam a vida no Chile, mas suas convicções políticas os tornam alvos novamente quando um golpe militar leva Augusto Pinochet ao poder.

-“Viver é Tomar Partido”, Anita Leocádia – Boitempo

Após publicar biografias do pai (2015), Luiz Carlos Prestes, e de sua mãe (2017), Olga Benário, Anita, reúne suas próprias memórias em , livro autobiográfico que traça um retrato particular permeado pelo autoritarismo do século 20.