Sobre a virtude

A virtude, assim como o gênio, não se ensina; a ideia que se faz da virtude é estéril, e só pode servir de instrumento, como as coisas técnicas em matéria de arte. Esperar que os nossos sistemas de moral e nossas éticas possam tornar os homens virtuosos, nobres e santos, é tão insensato como imaginar que os nossos tratados sobre estética possam produzir poetas, escultores, pintores e músicos.

Não há senão três causas fundamentais das ações humanas, e nada se faz sem elas. Temos primeiro: a) o egoismo, que quer o seu próprio bem (não tem limites); b) a maldade, que deseja o mal de outrem (vai até à extrema crueldade); c) a piedade, que quer o bem de outrem (vai até à generosidade, à grandeza de alma). Toda a ação humana depende de uma destas três causas ou mesmo de duas.

Do filósofo alemão do Século XIX, Arthur Schonpenhauer.

O número 1 do século, segundo Borges

No mês que marca os 135 anos de nascimento de um dos mais conhecidos escritores de língua alemã, a oportunidade de resgatar o elogio do argentino Jorge Luis Borges ao colega alemão Franz Kafka (1883-1924).

“Kafka, por outro lado, tem textos, sobretudo os contos, onde se estabelece algo eterno. Podemos ler Kafka e pensar que suas fábulas são tão antigas como a história, que esses sonhos foram sonhados por homens de outra época sem necessidade de vinculá-los à Alemanha ou à Arábia. O fato de haver escrito um texto que ultrapassa (em informação) o momento de sua concepção, é notável. É possível pensar que foram redigidos na Pérsia ou na China e aí está seu valor. E quando Kafka faz referências é profético. O homem que está aprisionado por uma ordem, o homem contra o Estado, esse foi um de seus temas preferidos.”

Trecho de artigo publicado originalmente pelo El Pais, em 2015, e republicado no site revistaprosaversoearte.com.