A excelência também em prosa

“Confissões de Minas” e “Passeios na Ilha”, que acabam de ganhar novas edições da Companhia das Letras, são as recomendações da Revista Veja desta semana. O primeiro, no dizer do próprio Drummond, “é um livro de prosa, assinado por quem preferiu quase sempre exprimir-se em poesia”, lançado originalmente em 1944 e reúne artigos, crônicas, ensaios, notas e reflexões. Já “Passeios”, de 1952, é uma coletânea de crônicas publicadas no jornal Correio da Manhã.

Jabuti virtual

Jabuti 2019 anuncia data da premiação | PublishNews
Foto: PublishNews

Segundo notícia publicada no site PublishNews, a cerimônia de premiação do Jabuti, inicialmente prevista para setembro, acontecerá no dia 26 de novembro e será virtual, transmitida pelas redes sociais da Câmara Brasileira do Livro (CBL), em horário a definir. Já no dia 22 de outubro, serão divulgados os 10 semifinalistas em cada uma das 20 categorias e, no dia 5 de novembro, sairá a lista dos cinco finalistas em cada uma delas. A poeta Adélia Prado será a homenageada desta edição do Prêmio.

As cartas de Clarice

TODAS AS CARTAS

Lançado oficialmente ontem pela Rocco,“Todas as Cartas” é uma reunião de correspondências de Clarice Lispector trocadas ao longo da vida com nomes como João Cabral de Melo Neto, Rubem Braga e Mário de Andrade. São 284 cartas no total, parte delas inéditas. Segundo matéria do Estadão, o livro foi organizado por décadas, dos anos 1940 aos 1970, e recebeu notas da biógrafa Teresa Montero, que contextualizam os fatos. A vasta correspondência da escritora, como lembra a matéria (https://cultura.estadao.com.br/noticias/literatura,livro-traz-valiosa-correspondencia-inedita-de-clarice-lispector,70003451632, para assinantes), já inspirou a publicação de outras três obras: “Cartas Perto do Coração”, de 2001, organizada por Fernando Sabino, “Correspondências”, de 2002, e “Minhas Queridas”, de 2007, estabelecidas pela mesma biógrafa Teresa Montero.

Abaixo, trecho de carta de Clarice a João Cabral de Melo Neto, enviada a partir de Berna em 12/2/1949 e publicada pelo Estadão.

“Meu coração bateu de alegria quando vi que você tinha entendido que eu pedia ajuda. Disfarcei como pude o pedido, não por amor-próprio, mas porque, não sei, encabulamento. Ainda me lembro, quando eu era pequena, resolvi um dia me encher de coragem e pedi a uma menina um bracelete que ela usava. Resposta espantada e ofendida: ‘Tá doida, bichinha, isso é de ouro!’ E se você me respondesse assim? porque é de ouro também. Mas, já que você não usou a humilhante fórmula, peço-lhe explicitamente ajuda… A coisa está ruim mesmo. Renovar-se está bem. Mas como? Renovar-se não é sobretudo matéria de vida? então nada. Não, não tenho riqueza nenhuma, não tenho nenhuma escolha. E você não tem pobreza. Só que o que eu ‘invento’ vem cercado de mil bobagens com boa aparência, e o que você ‘inventa’ já é o essencial. Meu luxo é triste, sua pobreza é farta.”

Ailton Krenak é destacado com o troféu Juca Pato

Aílton Krenak compartilha sabedoria dos povos da floresta para 'adiar o fim  do mundo' - Jornal O Globo
O escritor Ailton Krenak em foto de O Globo

O líder indígena e escritor Ailton Krenak foi o vencedor do 62o Troféu Juca Pato, da União Brasileira de Escritores (UBE). A premiação, segundo o noticiário, destacou a publicação de “Ideias para Adiar o Fim do Mundo”. Escolhido pelos associados à entidade, Ailton concorreu com nomes como Djamila Ribeiro, Eliane Brum e Laurentino Gomes.

Sobre Machado

No próximo dia 29 completam-se 112 anos do falecimento, se não do mais amado, do mais comentado autor brasileiro de todos os tempos: Machado de Assis. E é um desses aspectos, os comentários feitos por outros escritores, que o professor titular de Teoria Literária da Unicamp, Alcir Pécora, aborda em extenso artigo sobre os elementos que moldaram as diferentes visões sobre o autor de “Dom Casmurro” (https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2020/09/origem-social-raca-e-repudio-modernista-moldaram-visoes-sobre-machado.shtml – para assinantes). Na base da análise está o livro lançado em 2018 pela Imprensa Oficial “Escritor por Escritor: Machado de Assis Segundo Seus Pares”, uma antologia de textos de autores brasileiros que escreveram sobre Machado a partir do ano de sua morte em 1908 até 100 anos depois. Machado, como lembra o texto, teve sua vida e obra cercada por acalorados debates envolvendo de questões raciais relativas a sua ascensão social como negro em uma sociedade escravocrata, a traição ou não de Capitu e a incompreensão dos modernistas sobre seu valor literário.