Os finalistas do Jabuti 2018

Jabuti IA Câmara Brasileira do Livro (CBL) anunciou na semana passada os finalistas de uma das mais tradicionais distinções literárias nacionais, o Prêmio Jabuti. Os vencedores da 60ª edição da premiação serão conhecidos em 8 de novembro. São 18 categorias (já foram 29) e o primeiro lugar de cada uma delas leva R$ 5 mil. O “Livro do Ano” leva R$ 100 mil.

Abaixo, os finalistas nas categorias Romance e Poesia.

ROMANCE

“Acre”, Lucrecia Zappi – Todavia

“Adeus, cavalo”, Nuno Ramos – Iluminuras

“Machamba”, Gisele Mirabai – Nova Fronteira

“Nigredo: estudos de morte e dulia”, Joaquim Brasil Fontes – Cultura e Barbárie

“Noite dentro da noite”, Joca Reiners Terron – Companhia das Letras

“O clube dos jardineiros de fumaça”, Carol Bensimon – Companhia das Letras

“Oito do sete”, Cristina Judar – Reformatório

“Pai, Pai”, João Silvério Trevisan – Companhia das Letras

“Roupas sujas”, Leonardo Brasiliense – Companhia das Letras

“Última Hora”, José Almeida Júnior – Record

POESIA

“À Cidade”, Mailson Furtado Viana – Autor Independente

“À Sombra do Iluminado”, Pollyanna Furtado Lima – 7letras

“Câmera Lenta”, Marília Garcia – Companhia das Letras

“Mecânica Aplicada”, Nuno Rau – Patuá

“Mugido [ou diário de uma doula]”, Marília Floôr Kosby – Edições Garupa

“Naharia”, Guilherme Gontijo Flores – Kotter Editorial

“O Teatro do Mundo”, Catarina Lins – 7Letras

“QVASI: segundo caderno”, Edimilson de Almeida Pereira, Editora 34

“Ser Quando”, Samarone Marinho – 7Letras

“Vento do Oitavo Andar” – Íris Cavalcante – Premius

Café com o Braga

Robert Doisneau
Alberto e Anette Giacometti em Paris, 1957. Foto de Robert Doisneau

Crônica de do escritor e jornalista Rubem Braga (1913-1990).

CAFEZINHO

Leio a reclamação de um repórter irritado que precisava falar com um delegado e lhe disseram que o homem havia ido tomar um cafezinho. Ele esperou longamente, e chegou à conclusão de que o funcionário passou o dia inteiro tomando café.

Tinha razão o rapaz de ficar zangado. Mas com um pouco de imaginação e bom humor podemos pensar que uma das delícias do gênio carioca é exatamente esta frase: – Ele foi tomar café.

A vida é triste e complicada. Diariamente é preciso falar com um número excessivo de pessoas. O remédio é ir tomar um “cafezinho”. Para quem espera nervosamente, esse “cafezinho” é qualquer coisa infinita e torturante. Depois de esperar duas ou três horas dá vontade de dizer: – Bem cavaleiro, eu me retiro. Naturalmente o Sr. Bonifácio morreu afogado no cafezinho.

Ah, sim, mergulhemos de corpo e alma no cafezinho. Sim, deixemos em todos os lugares este recado simples e vago: – Ele saiu para tomar um café e disse que volta já.

Quando a Bem-amada vier com seus olhos tristes e perguntar: – Ele está? – alguém dará o nosso recado sem endereço. Quando vier o amigo e quando vier o credor, e quando vier o parente, e quando vier a tristeza, e quando a morte vier, o recado será o mesmo: – Ele disse que ia tomar um cafezinho…

Podemos, ainda, deixar o chapéu. Devemos até comprar um chapéu especialmente para deixá-lo. Assim dirão: – Ele foi tomar um café. Com certeza volta logo. O chapéu dele está aí…

Ah! fujamos assim, sem drama, sem tristeza, fujamos assim. A vida é complicada demais. Gastamos muito pensamento, muito sentimento, muita palavra. O melhor é não estar.

Quando vier a grande hora de nosso destino nós teremos saído há uns cinco minutos para tomar um café. Vamos, vamos tomar um cafezinho.

Campos de Carvalho reeditado

A chuva

Destaque entre as boas notícias recentes, o lançamento, pela Autêntica, de “A Chuva Imóvel”, de Campos de Carvalho (1916-1998). A novidade vem no rastro das reedições de “Vaca do Nariz Sutil” e “A Lua vem da Ásia”.

“Púcaro Búlgaro” deve completar a lista em breve. Carvalho foi, ao lado de Murilo Rubião, J. J. Veiga e Victor Giudice, um dos expoentes da nossa literatura surrealista.

Fim de papo

boitempo

Poema de Drummond, do livro “Boitempo II” em ediçao de 2001, da Record :

HISTÓRIA TRÁGICA

_  Esta ponte está podre,

Não passa de janeiro.

Ou cai agora ou não me chamo

Flordualdo.

 

_ Esta ponte cair? Meu avô foi quem fez.

Ninguém vivo, atual, dura mais do que ela.

Esta ponte é de Deus,

é Deus quem toma conta

da madeira e dos ferros,

eterno, tudo eterno.

 

_ Pois eu digo que sim.

Repare nos buracos

Você passa e ela treme

de velhice. O caruncho

alastrado nas vigas.

Esta ponte é o diabo,

ela está condenada,

só você que não sabe.

 

_ Alto lá.

Esta ponte é sagrada.

É ponte de família

que meu pai ajudou

a tirar da cabeça

e a dominar as águas.

Ela há de viver

nos séculos dos séculos

contra caruncho e raio,

dinamite e praga.

E pra encurtar a conversa,

eu Mateus te afianço:

antes que a ponte caia,

você cairá da ponte

com esta bala certeira:

toma.

 

Graciliano garantido

Graciliano

Na dúvida sobre onde vai parar a intensa discussão judicial envolvendo os herdeiros do escritor Graciliano Ramos, que podem impedir que sua obra entre de fato em domínio público a partir de 2024, a Record preferiu não arriscar. A editora, que publica seus livros desde 1975, acaba de renovar seu contrato com os herdeiros de Ramos por mais dez anos. E a precaução se justifica. Apenas de “Vidas Secas”, best-seller do autor e da editora, já foram mais de 1,7 milhão de livros vendidos. Discussões nos tribunais à parte, a ideia é garantir a publicação de edições especiais em efemérides. Além dos 80 anos de “Vidas Secas”, com várias ações previstas para o mês que vem, já estão em planejamento, para 2019, lançamentos comemorativos de “A Terra dos Meninos Pelados” e “São Bernardo”.