Os brasileiros do Século XXI

Mal entramos no XXI e já temos listas dos melhores do século. Abaixo a seleção da Revista Bula, que realizou uma enquete entre seus leitores para indicar os “Melhores romances brasileiros” publicados nestes quase 18 anos recentes. Segundo a Revista, foram lembrados autores de diferentes regiões do Brasil, em especial a Sudeste. “São Paulo foi o estado com o maior número de autores citados, com sete indicações, seguido do Rio de Janeiro, com seis autores indicados, e de Minas Gerais, com quatro. Entre os escritores cujas obras foram selecionadas, apenas quatro não estão vivos: João Ubaldo Ribeiro, Elvira Vigna, Bartolomeu Campos de Queirós e Victor Heringer.”

Os livros com mais de 100 indicações:

1-Pornopopéia, Reinaldo Moraes – 2009

2-O Filho Eterno, Cristóvão Tezza – 2007

Mais de 80 indicações:

3-Cinzas do Norte, Milton Hatoum – 2005

4-Eu Receberia as Piores Notícias dos seus Lindos Lábios, Marçal Aquino – 2005

Mais de 60 indicações:

5-Barba Ensopada de Sangue, Daniel Galera – 2012

6-O Drible, Sérgio Rodrigues – 2013

7-Sinfonia em Branco, Adriana Lisboa – 2001

Mais de 40 indicações

8-Nove Noites, Bernardo Carvalho – 2002

9-O Amor dos Homens Avulsos, Victor Heringer – 2016

10-Como se Estivéssemos em Palimpsesto de Putas, Elvira Vigna – 2016

11-Eles eram Muitos Cavalos, Luiz Ruffato – 2001

12-Budapeste, Chico Buarque – 2003

Mais de 30 indicações:

13-O Azul do Filho Morto, Marcelo Mirisola – 2002

14-O Cheiro do Ralo, Lourenço Mutarelli – 2002

15-O Albatroz Azul, João Ubaldo Ribeiro – 2009

Mais de 20 indicações:

16-Vermelho Amargo, Bartolomeu Campos de Queirós – 2011

17-Noite Dentro da Noite, Joca Reiners Terron – 2017

18-Naqueles Morros, Depois da Chuva, Edival Lourenço – 2011

19-A Máquina de Madeira, Miguel Sanches Neto – 2012

20-K: Relato de uma Busca, Bernardo Kucinski – 2014

21-Fé na Estrada, Dodô Azevedo – 2012

22-Antiterapias, Jacques Fux – 2012

23-Presos no Paraíso, Carlos Marcelo – 2017

24-Minúsculos Assassinatos e Alguns Copos de Leite, Fal Azevedo – 2008

25-Pelo Fundo da Agulha, Antônio Torres – 2006

Encontro de mestres

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Em um feito raro, dois dos personagens mais clássicos da literatura infanto-juvenil brasileira, a Mônica e o Menino Maluquinho, se encontraram numa única obra: o recém-lançado MMMMM (Mônica e Menino Maluquinho na Montanha Mágica). Com ilustrações dos dois mestres, Mauricio de Souza e Ziraldo, o livro, editado pela Melhoramentos, tem texto de Manuel Filho e conta aventura dos personagens após serem premiados com o bilhete dourado que dá acesso à montanha do título.

É um exagero saber isso

Braga
Rubem Braga em foto do jornal O Globo

NASCER NO CAIRO, SER FÊMEA DE CUPIM

Conhece o vocábulo escardinchar? Qual o feminino de cupim? Qual o antônimo de póstumo? Como se chama o natural do Cairo?

O leitor que responder “não sei” a todas estas perguntas não passará provavelmente em nenhuma prova de português de nenhum concurso oficial. Mas, se isso pode servir de algum consolo à sua ignorância, receberá um abraço de felicitações deste modesto cronista, seu semelhante e seu irmão.

Porque a verdade é que eu também não sei. Você dirá, meu caro professor de Português, que eu não deveria confessar  isso; que é uma vergonha para mim, que vivo de escrever, não conhecer o meu instrumento de trabalho que é a língua.

Concordo. Confesso que escrevo de palpite, como outras pessoas tocam piano de ouvido. De vez em quando um leitor culto se irrita comigo e me manda um recorte de crônica anotado, apontando erros de Português. Um deles chegou a me passar um telegrama, felicitando-me porque não encontrara, na minha crônica daquele dia, um só erro de Português; acrescentava que eu produzira uma “página de bom vernáculo, exemplar”. Tive vontade de responder: “Mera coincidência” – mas não o fiz para não entristecer o homem.

Espero que uma velhice tranqüila- no hospital ou na cadeia, com seus longos ócios – me permita um dia estudar com toda calma nossa língua, e me penitenciar dos abusos que tenho praticado contra a sua pulcritude. (Sabem qual o superlativo de pulcro? Isto eu sei por acaso: pulquérrimo! Mas não é desanimador saber uma coisa dessas? Que me aconteceria se eu dissesse a uma bela dama: a senhora é pulquérrima? Eu poderia me queixar se o seu marido me descesse a mão?)

Alguém já me escreveu também – que eu sou um escoteiro ao contrário. “Cada dia você parece que tem praticar a sua má ação – contra a língua.” Mas acho que isso é exagero.

Como também é exagero saber o que quer dizer escardinchar. Já estou mais perto dos cinqüenta que dos quarenta; vivo de meu meu trabalho quase sempre honrado, gozo de boa saúde e estou até gordo demais, pensando em meter um regime no organismo – e nunca soube o que fosse escardinchar. Espero que nunca, na minha vida, tenha escardinchado ninguém; se o fiz, mereço desculpas, pois nunca tive essa intenção.

Vários problemas e algumas mulheres já me tiraram o sono, mas não o feminino de cupim. Morrerei sem saber isso. E pior é que não quero saber; nego-me terminantemente a saber, e, se o senhor é um desses cavalheiros que sabem qual é o feminino de cupim, tenha a bondade de não me cumprimentar.

Por que exigir essas coisas dos candidatos aos nossos cargos públicos? Por que fazer do estudo da língua portuguesa uma série de alçapões e adivinhas, como essas histórias que uma pessoa conta para “pegar” as outras? O habitante do Cairo pode ser cairense, cairel, caireta, cairota ou cariri – e a única utilidade de saber qual a palavra certa será para decifrar um problema de palavras cruzadas. Vocês não acham que nossos funcionários públicos já gastam uma parte excessiva do expediente matando palavras cruzadas no Última Hora ou lendo o horóscopo e as histórias em quadrinhos de O Globo?

No fundo o que esse tipo de gramático deseja é tornar a língua portuguesa odiosa; não alguma coisa através da qual as pessoas se entendam, mas um instrumento de suplício e de opressão que ele, gramático, aplica sobre nós, os ignaros.

Mas a mim é que não escardincham assim, sem mais nem menos: não sou fêmea de cupim nem antônimo de póstumo nenhum; e sou cachoeirense, de Cachoeiro, honradamente – de Cachoeiro de Itapemirim!

Rio de Janeiro, novembro de 1959

 

Nossas melhores distinções

Abaixo alguns dos principais prêmios de literatura do país, conforme pesquisa em blogs e sites da internet. Nas fotos dois títulos premiados recentemente pelo Jabuti e pela Fundação Biblioteca Nacional, respectivamente.

Prêmio Sesc de Literatura – Lançado em 2003, premia obras nas categorias Conto e Romance. Além de incluir os autores em programações literárias da entidade, o prêmio também abre uma porta do mercado editorial aos estreantes: os livros vencedores são publicados pela editora Record e distribuídos para a rede de bibliotecas e salas de leitura do Sesc em todo o país. (http://www.sesc.com.br/portal/site/premiosesc)

Prêmio São Paulo de Literatura – Criado em 2008 pela Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, seleciona anualmente os melhores livros de ficção, no gênero romance. Segundo o site https://premiosaopaulodeliteratura.org.br/, as inscrições são gratuitas e abertas a autores lusófonos e editoras brasileiras. O prêmio de R$ 400 mil, dividido para três categorias, é o mais alto pago atualmente no país.

Prêmio Oceanos – A partir de 2015 o Prêmio Portugal Telecom de Literatura foi cancelado pelos antigos patrocinadores, passando a ser chamado de Oceanos – Prêmio de Literatura em Língua Portuguesa, patrocinado pelo Itaú Cultural. A premiação é focada nas obras de poesia, prosa e crônicas em língua portuguesa. Não há informação clara sobre a edição 2018 no site do patrocinador.

Prêmio Jabuti – Mais tradicional e antigo dos prêmios do gênero no país, o Jabuti é organizado pela Câmara Brasileira do Livro  e teve sua primeira edição em 1959. Na edição desse ano passou por uma série de reformulações. Saiu de 32 categorias para as atuais 18, elegeu o leitor como foco e facilitou a participação permitindo agora arquivos em Pdf.  (www.premiojabuti.com.br)

Prêmio Fundação Biblioteca Nacional – Também anual, premia autores, tradutores e projetistas gráficos brasileiros em nove categorias: poesia, romance, conto, ensaio social, ensaio literário, tradução, projeto gráfico, literatura infantil e literatura juvenil. De acordo com o site do prêmio (www.bn.gov.br/explore/premios-literarios/premio-literario-biblioteca-nacional), as obras devem ser inéditas e podem ser inscritas em, no máximo, duas categorias. Nesse caso, uma delas será obrigatoriamente, ‘Projeto Gráfico’.

Prêmio Governo de Minas Gerais de LiteraturaPor aqui, um dos prêmios de destaque destina R$ 212 mil para as melhores obras nas categorias Poesia, Ficção, Conjunto da Obra e Jovem Escritor Mineiro. Promovido pela Secretaria de Estado de Cultura (http://www.cultura.mg.gov.br), o homenageado pelo Conjunto da Obra leva a maior fatia do prêmio, R$ 120 mil.

Milhões por Rosa

Museu Casa Guimaraes Rosa

Conforme informa a coluna “Painel das Letras”, do jornalista Maurício Meireles, publicada no site do Uol, R$ 3 milhões, entre outras contrapartidas, é o valor discutido nas negociações inicias com cinco diferentes editoras pela obra de Guimarães Rosa, à exceção de “Grande Sertão: Veredas”, já negociada para a Companhia das Letras. Ainda de acordo com o colunista, é a primeira vez que os livros de Rosa podem ficar em editoras diferentes. “A obra estava na Nova Fronteira desde 1984, depois de ter saído da José Olympio, sua casa original. A razão é que, enquanto “Grande Sertão: Veredas” pertence aos herdeiros da segunda mulher de Rosa, o resto da obra é dividido entre eles e os herdeiros do autor pela via de seu primeiro casamento.”