Dicas para qualquer idade

A lista foi publicada no dia 18 passado, no blog de Bia Reis, da Folha de São Paulo, para celebrar o Dia Nacional do Livro Infantil. Mas, a dica vale para qualquer momento. Foram selecionados 15 títulos infanto-juvenis “incríveis”, de autores e ilustradores brasileiros contemporâneos. Tem prosa, poesia e livro ilustrado.

-“ABCDinos”, Celina Bodenmüller/Luiz E. Anelli e Graziella Mattar (Ilustradora) – Peirópolis

-“Abrapracabrasil!”, Fernando Vilela – Brinque-Book

-“A Caligrafia de Dona Sofia”, André Neves – Paulinas

-“A Cozinha Encantada dos Contos de Fadas”, Katia Canton, Juliana Vidigal e Carlo Giovani (Estampas) – Companhia das Letrinhas

-“A Raiva”, Blandina Franco e José Carlos Lollo – Pequena Zahar

-“Bichológico”, Paula Taitebaum – Piu

-“Carvoeirinhos”, Roger Mello – Companhia das Letrinhas

-“Coisa de Gente Grande”, Patricia Auerbach – Sesi

-“Este é o Lobo”, Alexandre Rampazo – DCL

-“O Alvo”, Ilan Brenman e Renato Moriconi (ilustr.) – Ática

-“Olavo”, Odilon Moraes – Jujuba

-“O Barco dos Sonhos”, Rogério Coelho – Positivo

-“Orie”, Lúcia Hiratsuka – Pequena Zahar

-“Plantou Palavra, Colheu Poesia”, Socorro Acioli e Meg Banhos (ilustr.) – Armazém da Cultura

-“Vovó Veio do Japão”, Janaina Tokitaka, Mika Takahashi, Raquel Matsushita e Talita Nozomi – Companhia das Letrinhas

Cacá imortal

Foto: iG Gente

O cineasta Carlos José Fontes Diegues, o Cacá Diegues, tomou posse na última sexta-feira como novo imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL). Um dos fundadores do Cinema Novo e diretor de filmes consagrados como “Tieta do Agreste”, “Quilombo”, “Bye Bye Brasil” e “Xica da Silva”, passa a ocupar a cadeira 7 da Academia, por onde passaram nomes como Euclides da Cunha, Afrânio Peixoto e Dinah Silveira de Queiroz.

Gullar no Brasil de 64

Agosto 1964

Entre lojas de flores e de sapatos, bares,
mercados, butiques,
viajo
num ônibus Estrada de Ferro-Leblon.
Volto do trabalho, a noite em meio,
fatigado de mentiras.

O ônibus sacoleja. Adeus, Rimbaud,
relógio de lilases, concretismo,
neoconcretismo, ficções da juventude, adeus,
que a vida
eu compro à vista aos donos do mundo.
Ao peso dos impostos, o verso sufoca,
a poesia agora responde a inquérito policial-militar.

Digo adeus à ilusão
mas não ao mundo. Mas não à vida,
meu reduto e meu reino.
Do salário injusto,
da punição injusta,
da humilhação, da tortura,
do horror,
retiramos algo e com ele construímos um artefato
um poema
uma bandeira

Do poeta, escritor, tradutor e teatrólogo, Ferreira Gullar (1930-2016), considerado um dos maiores autores brasileiros do século 20 e um dos fundadores do neoconcretismo, movimento artístico que propunha uma reação ao concretismo ortodoxo.

A poesia do “Boca do inferno”

Caetano canta “Triste Bahia”, do álbum “Transa”, de 1972, em apresentação no Circo Voador

À CIDADE DA BAHIA

Triste Bahia! oh, quão dessemelhante
Estás e estou do nosso antigo estado,
Pobre te vejo a ti, tu a mim empenhado,
Rica te vi eu já, tu a mim abundante.

A ti trocou-te a máquina mercante,
Que em tua larga barra tem entrado,
A mim foi-me trocando e tem trocado
Tanto negócio e tanto negociante.

Deste em dar tanto açúcar excelente
Pelas drogas inúteis, que abelhuda
Simples aceitas do sagaz Brichote.

Oh, se quisera Deus que, de repente,
Um dia amanheceras tão sizuda
Que fora de algodão o teu capote!

De Gregório de Matos, o “Boca do Inferno” – tema de romance histórico assinado pela pesquisadora e poeta Ana Miranda, lançado em 1989 pela Companhia das Letras.

Nascido em Salvador em 20 de dezembro de 1636, faleceu em Fortaleza em data imprecisa de 1695, segundo a Academia Brasileira de Letras. Ganhou o apelido pela mordacidade de seu poemas, ainda conforme a ABL, uma inesgotável fonte satírica que “não poupava ao governo, à falsa nobreza da terra e nem mesmo ao clero. Não lhe escaparam os padres corruptos, os reinóis e degredados, os mulatos e emboabas, os ‘caramurus’, os arrivistas e novos-ricos, toda uma burguesia improvisada e inautêntica, exploradora da colônia”.