Drummond inédito

Abaixo, um dos três poemas inéditos de Carlos Drummond de Andrade, publicados na última edição do caderno “Ilustríssima”, do jornal FSP. Os poemas fazem parte de “Correspondência: Carlos Drummond de Andrade e Ribeiro Couto”, que acaba de ser lançado pela Editora Unesp. O livro foi organizado por Marcelo Bortoloti e reúne cartas trocadas entre os dois escritores, além de poemas enviados por Drummond para a apreciação de Couto, alguns deles publicados em jornais e outros inéditos. 

Choque

Tomei o bonde.
Sentei.
Abri o jornal.
Cacete.
Olhei à toa.
Anúncios ilustrados
apregoavam utilidades.
Foi então que encontrei
nos vimos
e intimamente nos amamos.
Me olhou só.
Não foi mais do que isso
nem lhe pedi mais.
Não a bolinei.
Não nos despedimos.
Até hoje não tornei a vê-la
não sei se a verei nunca.
Não foi mais do que isso.
Foi muito pouco
e foi tudo.

Os finalistas na disputa do Jabuti 2019

Saiu a lista dos 10 finalistas de cada uma das 19 categorias do mais tradicional prêmio literário do país, o Jabuti. Entre os destaques, na categoria crônica, foi selecionado “Pós-F: Para Além do Masculino e do Feminino” (LeYa), da escritora, roteirista, apresentadora e atriz Fernanda Young, morta em agosto passado, aos 49 anos. A lista traz ainda nomes como Elvira Vigna (Contos), Glauco Mattoso (Poesia) e Martha Batalha (Romance). A premiação será em 28 de novembro e uma lista com os cinco finalistas de cada categoria será divulgada no próximo dia 31. Confira a lista completa dos finalistas no link https://www.premiojabuti.com.br/conheca-os-10-finalistas-premio-jabuti-2019/ .

Celebrando Machado

Falecia, há exatos 111 anos, no Rio de Janeiro, Joaquim Maria Machado de Assis. Jornalista, contista, cronista, romancista, poeta e teatrólogo, Machado de Assis, nascido em 21 de junho de 1839, publicou seu primeiro livro, a tradução de “Queda que as Mulheres têm pelos Tolos”, em 1861. O primeiro livro de poesias, “Crisálidas”, saiu três anos depois e o primeiro romance, “Ressurreição”, foi publicado em 1872. Mais de um século depois, o escritor segue inabalável no topo dos grandes nomes da literatura brasileira e um dos mais importantes autores da língua portuguesa. Abaixo a bibliografia de Machado, segundo o site da Academia Brasileira de Letras.

-“Queda que as Mulheres têm para os Tolos” (tradução), 1861
-“Desencantos”, 1861
-“Teatro”, 1863
-“Quase Ministro”, 1864
-“Crisálidas”, 1864
-“Os Deuses de Casaca“, 1866
-“Falenas”, 1870

-“Contos Fluminenses“, 1870
-“Ressurreição”, 1872
-“Histórias da Meia-noite”, 1873
-“A Mão e a Luva”, 1874
-“Americanas”, 1875
-“Helena”, 1876
-“Iaiá Garcia”, 1878
-“Memórias Póstumas de Brás Cubas”, 1881
-“Tu, só tu, Puro Amor”, 1881
-“Papéis Avulsos”, 1882
-“Histórias sem Data”, 1884
-“Quincas Borba”, 1891
-“Várias Histórias”, 1896
-“Páginas Recolhidas”, 1899
-“Dom Casmurro”, 1899
-“Poesias Completas”, 1901
-“Esaú e Jacó”, 1904
-“Relíquias de Casa Velha”, 1906
-“Memorial de Aires”, 1908
-“Crítica”, 1910
-“Outras Relíquias”, 1910
-“Correspondência”, 1932
-“Crônicas”, 4 vols., 1937
-“Crítica Literária”, 1937
-“Casa Velha”, 1944

Gullar por Silvio Tendler

Foto: EBC

Depois de levar para as telas documentários de sucesso sobre figuras como Jango, Juscelino Kubitschek e Glauber Rocha, o poeta maranhense Ferreira Gullar, morto em dezembro de 2016 aos 86 anos, é tema do novo longa do diretor Silvio Tendler, “Ferreira Gullar – Arqueologia do Poeta”, em fase de pré-lançamento no país.

Tendler era amigo do poeta e já havia se inspirado no seu “Poema Sujo” para as produções “Há Muitas Noites na Noite”, uma vídeo instalação, de 2011, e a série documental de mesmo nome exibida no final de 2015 na TV Brasil.