Nelson para inglês ler

Em matéria publicada pela TV Folha em 2012, por ocasião do centenário de nascimento do escritor, Ruy Castro fala sobre a importância de Nelson para a literatura brasileira

Conforme notícia que chega pelo Estadão, a quinta-feira e o sábado passados foram dias de celebrações em torno da obra do dramaturgo Nelson Rodrigues (1912-1980) em Londres. O autor, como lembra a matéria assinada por Ubiratan Brasil, é pouco conhecido em outras línguas, mas foi tema de um “festival” na capital britânica, marcado, entre outras iniciativas, pelo lançamento de sete de suas peças traduzidas pela primeira vez para o inglês britânico. Reunidas num único volume, foram traduzidas as peças “Vestido de Noiva”, “Perdoa-me por Me Traíres”, “Toda Nudez Será Castigada”, “Os Sete Gatinhos”, “Valsa Número 6”, “Anjo Negro” e “Álbum de Família”.

A solidão de Caio

Foto: pantagruelista.com

Carta do escritor Caio Fernando Abreu (1948-1996) publicada pela revistaprosaversoearte.com.

A Nair e Zaél Abreu

São Paulo, 12 de agosto de 1987

Querida mãe, querido pai,

Não sei mais conviver com as pessoas. Tenho medo de uma casa cheia de pais e mães e irmãos e sobrinhos e cunhados e cunhadas. Tenho vivido tão só durante tantos — quase quarenta — anos. Devo estar acostumado.

Dormir 24 horas foi a maneira mais delicada que encontrei de não perturbar o equilíbrio de vocês — que é muito delicado. E também de não perturbar o meu próprio equilíbrio — que é tão ou mais delicado.

Estou me transformando aos poucos num ser humano meio viciado em solidão. E que só sabe escrever. Não sei mais falar, abraçar, dar beijos, dizer coisas aparentemente simples como “eu gosto de você”. Gosto de mim. Acho que é o destino dos escritores. E tenho pensado que, mais do que qualquer outra coisa, sou um escritor. Uma pessoa que escreve sobre a vida — como quem olha de uma janela — mas não consegue vivê-la.

Amo vocês como quem escreve para uma ficção: sem conseguir dizer nem mostrar isso. O que sobra é o áspero do gesto, a secura da palavra. Por trás disso, há muito amor. Amor louco — todas as pessoas são loucas, inclusive nós; amor encabulado — nós, da fronteira com a Argentina, somos especialmente encabulados. Mas amor de verdade. Perdoem o silêncio, o sono, a rispidez, a solidão. Está ficando tarde, e eu tenho medo de ter desaprendido o jeito. É muito difícil ficar adulto.

Amo vocês, seu filho

Caio

Nirlando desde o princípio

Recebeu nota AA+ (Alta Qualidade) no Caderno Eu&Fim de Semana, do Valor, o livro de memórias do jornalista Nirlando Beirão, “Meus Começos e Meu Fim”, lançado recentemente pela Companhia das Letras. Beirão nasceu em Belo Horizonte em 1948, é um dos mais conceituados profissionais da sua geração e teve atuação de destaque em veículos como as revistas Veja e Playboy e os jornais Última Hora e O Estado de SP. Em 2016 foi diagnosticado com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), uma doença degenerativa que ele aborda no livro intercalada com memórias familiares protagonizados por gente como o avó paterno, um jovem padre português que, no começo do século passado, largou a batina para se casar com uma fiel no interior de Minas Gerais.

A história de Marsha contada por Rita Lee

A boa notícia, vista no blog Era Outra Vez, da FSP, é que a história da ursa Marsha, agora batizada de Rowena, vai ser contada por Rita Lee. Contrabandeada da Rússia e depois resgatada de um circo, Marsha vivia no zoológico de Teresina (PI) sob temperaturas de 40 graus, o que a tornou conhecida como a ursa mais triste do mundo em matérias que comoveram todo o país. Segundo informa o blogueiro Bruno Molinero, o livro “Amiga Ursa – Uma História Triste, mas com Final Feliz” deve ser lançado no próximo mês de julho, pela Globinho.

Clarice vai, de novo, ao cinema

Duas novas obras de Clarice Lispector (1920-1977) devem chegar às telas dos cinemas em 2020. “Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres” chega adaptado para filme com direção de Marcela Lordy e roteiro da diretora em parceria com a argentina Josefina Trotta. Também para o ano que vem, está prevista a estreia da adaptação de “A Paixão Segundo G.H”, assinada pelo diretor Luiz Fernando Carvalho. O primeiro filme terá a atriz Simone Spoladore no papel de Lóri. Já “A Paixão” tem como protagonista Maria Fernanda Cândido. Obras de Clarice, como “A Hora da Estrela” e os contos “Estrela Nua” e “O Corpo” já haviam sido levadas às telas em 1985 e 1991.