Tudo muito natural

prevert la dépêche
Photo DR. Ladepeche.fr.

Do poeta francês Jacques Prévert, em tradução de Silviano Santiago:

FAMILIAR

A mãe faz tricô
O filho vai à guerra
Tudo muito natural acha a mãe
E o pai que faz o pai?
Negocia
A mulher faz tricô
O filho luta na guerra
Ele negocia
Tudo muito natural acha o pai
E o filho e o filho
o quê que o filho acha?
Nada absolutamente nada acha o filho
O filho sua mãe faz tricô seu pai negocia ele
[ luta na guerra
Quando tiver terminado a guerra
Negociará com o pai
A guerra continua a mãe continua ela tricota
O pai continua ele negocia
O filho foi morto ele não continua mais
O pai e a mãe vão ao cemitério
Tudo muito natural acham o pai e a mãe
A vida continua a vida com o tricô a guerra
[ os negócios
Os negócios a guerra o tricô a guerra
Os negócios os negócios e os negócios
A vida com o cemitério.

FAMILIALE

La mère fait du tricot
Le fils fait la guerre
Elle trouve ça tout naturel la mère
Et le père qu’est-ce qu’il fait le père?
Il fait des affaires
Sa femme fait du tricot
Son fils la guerre
Lui des affaires
Il trouve ça tout naturel le père
Et le fils et le fils
Qu’est-ce qu’il trouve le fils?
Il ne trouve rien absolument rien le fils
Le fils sa mère fait du tricot son père des
[ affaires lui la guerre
Quand il aura fini la guerre
Il fera des affaires avec son père
La guerre continue la mère continue elle
[ tricote
La père continue il fai des affaires
Le fils est tué il ne continue plus
La père et la mère vont au cimetière
Ils trouvent ça naturel le père et la mère
La vie continue la vie avec le tricot la guerre
[ des affaires
Les affaires la guerre le tricot la guerre
Les affaires les affaires et les affaires
La vie avec le cimitière.

O drama do jovem Edouard

O fim de eddy

Depois do livro de contos “O Sol na Cabeça”, do carioca Geovani Martins, outro jovem escritor, no caso de 25 anos, que chega ao mercado também celebrado pelo estilo de uma linguagem popular para abordar dramas cotidianos de cunho autobiográfico é o francês Edouard Louis, com seu “O Fim de Eddy”. O romance, que virou fenômeno de venda na França, já vendeu mais de 300 mil exemplares mundo afora e foi lançado aqui em edição da TusQuets. “Esse romance, sobre crescer em meio à pobreza e à homofobia na zona rural francesa, é leitura essencial.” assinalou o The Guardian. “Sagaz. Brilhante. Um vigor emocional devastador”, garante Garth Greenwell, da The New Yorket.

A representatividade em xeque

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Em entrevista recente à Daniela Fernandes, publicada no Eu&Fim de Semana, o filosófo francês Jacques Rancière (1940) comenta a “Democracia de Fachada” dos tempos atuais. Para o autor de “O Desentendimento”, lançado aqui pela Editora 34, os sistemas representativos, sejam parlamentaristas sejam presidencialistas, confiscam a soberania do povo e beneficiam apenas as elites. Para Rancière, não existe real vida democrática. Há apenas uma casta de políticos profissionais que se autorreproduz e cuida apenas dos seus interesses.  

Tudo vai bem. Ou não.

 

“…mas é preciso cultivar nosso jardim.”

A frase encerra “Cândido ou o otimismo”, do filósofo, ensaista, poeta, dramaturgo e historiador francês François Marie Arouet, o Voltaire (1694-1778). Parafraseando Italo Calvino – que assina o posfácio de uma edição que traz ainda ilustrações de Paul Klee, um livro de “vitalidade hilariante e primordial”. A história, uma reflexão sobre otimismo e  pessimismo, é um acúmulo de desastres narrados em ritmo vertiginoso e foi fonte de inspiração declarada para autores como George Orwell, Aldous Huxley e Machado de Assis. Editora 34.

 

A tolerância, segundo Voltaire e Martim Vasques

Tolerance

 

Leio no Aliás, do Estadão, boa dica de lançamento sobre um dos temas do momento: a tolerância. O artigo, do escritor Martim Vasques da Cunha, discute o assunto tendo como gancho a publicação, pela Edipro, de nova tradução do “Tratado sobre a tolerância”, de Voltaire. Pelo menos no que diz respeito a esse ponto, mostra que pouca coisa mudou na nossa “peregrinação civilizacional” desde 1762, quando aconteceram os fatos que inspiraram o filósofo francês a lançar, um ano depois, seu tratado.

Já nas boas casas do ramo por R$ 31 a nova tradução ou a metade disso pela tradução anterior, da antiga coleção L&PM Pocket.