Novo livro de Thomas Piketty nas prateleiras

Já tem data para chegar ao mercado de língua inglesa o novo livro de Thomas Piketty, autor de “Capital no Século 21”, estudo do economista francês sobre a desigualdade, com mais de 2,5 milhões de exemplares vendidos no mundo e publicado aqui em 2013, pela Intrínseca. Seis anos depois, sua nova obra, “Capital e Ideologia”, recém-lançada na França, ganha versão em inglês em março do ano que vem. Dessa vez, Piketty põe em questão a superação do “hipercapitalismo” e defende que todas as ideologias acabam sendo substituídas por outros sistemas de organização, e que o mesmo vai acontecer com o regime atual.

Trecho de entrevista concedida pelo autor à Agência France-Presse (AFP) por ocasião do lançamento de “Capital et Idéologie”:

“É hora de fazer um balanço das decisões tomadas desde os anos 80 e 90. No início da década de 2020 podemos ver seus limites com uma globalização altamente desigual, que é desafiada por muitos e que nutre avanços identitários extremamente perigosos. A revolução conservadora de Ronald Reagan e Margaret Thatcher, assim como a queda do comunismo soviético, deram uma espécie de impulso a uma nova fé, às vezes ilimitada, na autorregulação dos mercados, na sacralização da propriedade. Mas é um movimento que, acredito, está chegando ao fim.”

O homem apático

Comentado em artigo assinado por José Castello, mereceu classificação AA+ (Alta Qualidade) do caderno Eu&Fim de Semana, o novo livro do francês Michel Houellebecq, lançado aqui pela Alfaguara/Companhia das Letras. Elogiado também no “Le Monde”, “Serotonina” tem como protagonista Florent-Claude Labrouste, que aos 46 anos e com o mundo ruindo ao seu redor, começa a tomar antedepressivos e vê que “tudo agora parece um pouco melhor, mas também completamente vazio”.

Calculadoras nas portas do inferno

Sai até o final deste mês, pela Tusquets, a edição em português de “L’ordre du jour”, do escritor e cineasta francês Érick Vuillard. “A Ordem do Dia” foi o vencedor de 2017 do Goncourt – o mais importante das letras francesas – e aborda os dias iniciais e a ascensão do nazismo na Alemanha dos Anos 30. O Ilustríssima, da Folha, traz na edição do final de semana um trecho da obra onde é relatada reunião de nomes como Adolf Hitler e Hermann Goering com 24 grandes empresários alemães em busca de apoio ao regime. Um acontecimento bastante banal, afinal, lembra o autor, “políticos e industriais costumam se frequentar”, que nesse caso, porém, acabou por se revelar um momento único na história patronal. O nazismo ganhava ali um apoio fundamental dos senhores Basf, Bayer, Agfa, Opel, Siemens, Allianz, Telefunken, Krupp e todo o clero da indústria alemã. Vinte e quatro empresários, impassíveis, “como vinte e quatro máquinas de calcular nas portas do Inferno”. Trecho completo (para assinantes) no link: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2019/07/empresarios-embarcam-no-nazismo-em-livro-frances-premiado-leia.shtml.

Cézanne e Zola

Já em cartaz no país “Cézanne e Eu”, filme dirigido por Danièle Thompson, estruturado a partir da troca de cartas entre o pintor pós-impressionista e o autor do clássico Germinal (1885), registrada no livro “Lettres Croisées” (Cartas Cruzadas). Publicada em 2016 pela editora francesa Gallimard, a obra traz a correspondência mantida entre os dois mestres, de 1858 a 1887, somando 115 cartas.

A França de hoje e os livros

Em matéria publicada pelo Estadão, o jornalista Gilles Lapouge comenta o crescimento exponencial de lançamentos e a qualidade “angustiante” dos livros escritos pelos franceses atualmente. Segundo ele, em 1990, foram publicados na França 32 mil novos títulos. Em 2000, 59 mil; em 2010, 79,3 mil e de 2010 em diante, mais de 120 mil títulos. A qualidade do que se publica, no entanto, pode ser balizada pela taxa de rejeição de manuscritos pela mais consagrada editora do país, a Gallimard. Na Gallimard, segundo Lapouge, apenas um manuscrito em cada cem é publicado. O mercado, ainda conforme sua análise, segue aquecido pela indulgência dos editores com os autores, pela enxurrada de prêmios literários concedidos diariamente no país e pelo reinado dos best-sellers, que, se aplicadas as técnicas adequadas, facilmente alcançam vendas de 500 mil ou 1 milhão de exemplares vendidos. Matéria completa, para assinantes, no link https://cultura.estadao.com.br/noticias/literatura,quantos-livros-por-ano-na-franca,70002880459.