Os 120 anos do pai do Pequeno Príncipe

Na próxima segunda-feira, 29, completam-se 120 anos do nascimento de Antoine de Saint-Exupéry. O escritor francês e piloto de aviação, célebre no mundo inteiro por “O Pequeno Príncipe” (1943), ficou conhecido também pela sua morte trágica no final da Segunda Guerra Mundial, quando seu avião foi abatido por um piloto alemão. Os restos do caça de Saint-Exupéry foram encontrados em 2004 no litoral da Marselha. Seu corpo, entretanto, nunca foi localizado.

A aviação foi um tema constante na obra do escritor. Sua estreia, em 1926, foi com “O Aviador”, seguido de “Correio do Sul”, “Voo Noturno”, “Terra dos Homens”, “Piloto de Guerra”, “O Pequeno Príncipe”, “Carta a um Refém” e “Cidadela”, lançado postumamente em 1948.

Beauvoir inédito

Será lançado na França, no próximo mês de outubro, um romance inédito de Simone de Beauvoir. “Les Inséparables” é dedicado à curta amizade da escritora com Zaza, a garota que conheceu aos nove anos e de quem foi inseparável até sua morte repentina aos 22 anos, em 1929. É a primeira obra de ficção da autora de “O Segundo Sexo” que chega aos leitores 34 anos após a morte de Beavouir. A expectativa é que o livro seja lançado no Brasil, também em outubro, pela editora Record.

Novo livro de Thomas Piketty nas prateleiras

Já tem data para chegar ao mercado de língua inglesa o novo livro de Thomas Piketty, autor de “Capital no Século 21”, estudo do economista francês sobre a desigualdade, com mais de 2,5 milhões de exemplares vendidos no mundo e publicado aqui em 2013, pela Intrínseca. Seis anos depois, sua nova obra, “Capital e Ideologia”, recém-lançada na França, ganha versão em inglês em março do ano que vem. Dessa vez, Piketty põe em questão a superação do “hipercapitalismo” e defende que todas as ideologias acabam sendo substituídas por outros sistemas de organização, e que o mesmo vai acontecer com o regime atual.

Trecho de entrevista concedida pelo autor à Agência France-Presse (AFP) por ocasião do lançamento de “Capital et Idéologie”:

“É hora de fazer um balanço das decisões tomadas desde os anos 80 e 90. No início da década de 2020 podemos ver seus limites com uma globalização altamente desigual, que é desafiada por muitos e que nutre avanços identitários extremamente perigosos. A revolução conservadora de Ronald Reagan e Margaret Thatcher, assim como a queda do comunismo soviético, deram uma espécie de impulso a uma nova fé, às vezes ilimitada, na autorregulação dos mercados, na sacralização da propriedade. Mas é um movimento que, acredito, está chegando ao fim.”

O homem apático

Comentado em artigo assinado por José Castello, mereceu classificação AA+ (Alta Qualidade) do caderno Eu&Fim de Semana, o novo livro do francês Michel Houellebecq, lançado aqui pela Alfaguara/Companhia das Letras. Elogiado também no “Le Monde”, “Serotonina” tem como protagonista Florent-Claude Labrouste, que aos 46 anos e com o mundo ruindo ao seu redor, começa a tomar antedepressivos e vê que “tudo agora parece um pouco melhor, mas também completamente vazio”.

Calculadoras nas portas do inferno

Sai até o final deste mês, pela Tusquets, a edição em português de “L’ordre du jour”, do escritor e cineasta francês Érick Vuillard. “A Ordem do Dia” foi o vencedor de 2017 do Goncourt – o mais importante das letras francesas – e aborda os dias iniciais e a ascensão do nazismo na Alemanha dos Anos 30. O Ilustríssima, da Folha, traz na edição do final de semana um trecho da obra onde é relatada reunião de nomes como Adolf Hitler e Hermann Goering com 24 grandes empresários alemães em busca de apoio ao regime. Um acontecimento bastante banal, afinal, lembra o autor, “políticos e industriais costumam se frequentar”, que nesse caso, porém, acabou por se revelar um momento único na história patronal. O nazismo ganhava ali um apoio fundamental dos senhores Basf, Bayer, Agfa, Opel, Siemens, Allianz, Telefunken, Krupp e todo o clero da indústria alemã. Vinte e quatro empresários, impassíveis, “como vinte e quatro máquinas de calcular nas portas do Inferno”. Trecho completo (para assinantes) no link: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2019/07/empresarios-embarcam-no-nazismo-em-livro-frances-premiado-leia.shtml.