Todavia é a nova editora de Salinger no Brasil

Conforme notícia recente da Folha de São Paulo, J. D. Salinger, autor do clássico “O Apanhador no Campo de Centeio” terá nova editora no Brasil. Depois de anos com sua obra publicada por aqui pela Editora do Autor e pela L&PM, a nova casa do escritor no país será a Todavia. A primeira reedição, do “Apanhador”, sai no próximo mês de junho com a capa da edição original americana, de 1951, e tradução de Caetano W. Galindo.

Ellis lança livro de ensaios

Ellis em foto do The New York Times

Depois de uma lacuna de nove anos, o escritor americano Bret Easton Ellis (1964) lança, no próximo dia 16, sua primeira obra de não-ficção, o livro de ensaios “White”. A informação é do The New York Times em matéria traduzida e publicada pelo Estadão.

Ellis, autor do célebre “Psicopata Americano”, de 1991, ganhou fama mundial com seu livro de estreia “Less Than Zero” (“Menos que Zero” na edição em português), de 1985. Segundo a matéria, “sua ficção violentamente niilista e sua persona pública politicamente incorreta têm lhe valido tanto aclamações quanto fúria. Após três décadas de carreira, com cinco romances, uma coleção de contos, um podcast e sucessivas polêmicas na mídia, Ellis ainda tem o que dizer”.

Vonnegut de volta

Título clássico da literatura contemporânea, até então disponível no Brasil apenas em uma edição de bolso da L&PM, Matadouro 5, de Kurt Vonnegut (1922-2007) acaba de ser relançado pela Intrínseca, em edição comemorativa pelos 50 anos da publicação da obra. Na nova versão em português, o livro ganhou capa dura e tradução de Daniel Pellizzari.

“O humor e estilo únicos e originais de Kurt Vonnegut o fizeram um dos escritores mais importantes da literatura norte-americana. Sarcástico, ele foi capaz de escrever sobre a brutal destruição da cidade de Dresden, na Alemanha, durante a Segunda Guerra Mundial — sem apelar para descrições sensacionalistas. Em vez disso, criou uma história imaginativa, muitas vezes engraçada e quase psicodélica, estrategicamente situada entre uma introdução e um epílogo autobiográficos”, afirma a editora.

Nova edição de Whitman

O poeta Walter Whitman em foto da Writer’s Digest

Nota do jornalista Maurício Meireles no seu Painel das Letras, da Folha, informa que a Editora 34 prepara nova edição – com nova tradução e novo título, de “Leaves of Grass”, do americano Walt Whitman (1819-1892). Traduzido por Guilherme Gontijo Flores, o lançamento marcará os 200 anos do poeta, nascido na cidade de Huntington, no estado de Nova York, em 31 de maio. A obra, antes “Folhas de Relva” nas edições brasileiras, sairá agora com o título de “Folhas de Capim”.

Os gatos por T. S. Eliot

Inter-pelar um Gato

Falei de tudo quanto é gato,

Portanto agora eu só constato:

Você não tem impedimento

Pra ler o seu temperamento.

Pelo já dito você vê

Que os Gatos são como você

Ou eu, ou nós, ou tanta gente:

Que cada um é diferente.

Se um é são, outro é bem louco,

Alguns são tanto, outros tão pouco.

Um é resposta, outro é problema –

Mas cabem todos num poema.

Você viu gordos e viu fome,

Ficou sabendo do seu nome,

Seus hábitos e seu formato:

Mas

Como inter-pelar um Gato?

Primeiro, breve anotação:

Recorde: GATO NÃO É CÃO.

Cães amam simular desordem

E latem, mas nem sempre mordem;

Mas no geral um cão seria

Uma alma simples, eu diria.

É claro que há também Pequins,

Canídeos monstros e mastins.

Mas apesar do estardalhaço

Um cão normal é mais palhaço

E longe de ser orgulhoso

É normalmente vergonhoso.

É fácil pôr um cão na linha –

É só fazer uma cosquinha,

Ou um carinho no seu queixo,

Que ele é só riso e remelexo.

É gente boa e tão tranquilo

Que atende sempre, sem estrilo.

E não se esqueça do fato:

Que cão é cão – e GATO É GATO.

Ha uma regra sugestiva:

Deixar ao Gato a iniciativa.

Eu acho isso muito chato –

Por mim, que se inter-pele o Gato.

Mas eles sempre, isso é verdade,

Detestam muita intimidade.

Para evitar um desacato,

Eu inter-pelo: OH, CARO GATO!

Mas, sendo o gato do vizinho,

Que vejo sempre no caminho

(Que me visita, e que é cordato)

Eu digo UPA LÁ, SEU GATO!

Seu nome, eu acho, é Téo Tão Tonto,

Mas não chegamos a tal ponto.

Pra um gato vir a tolerar

Ser seu amigo e te aceitar,

Dê algo que ele não rejeite

Como um pratinho só com leite;

De vez em quando aceitará

Um caviar, ou um foie gras,

Uma compota ou um salmão –

Mas cada qual tem sua opção.

(Eu sei de um que é bem fedelho

E exige só comer coelho,

E quando acaba, lambe a pata

Sorvendo o caldo de batata.)

O Gato exige, por direito

Ter essas mostras de respeito.

E o seu receio um dia some,

E enfim você diz o seu NOME.

Pois ganso é ganso, e pato é pato.

É assim que se INTER-PELE UM GATO.

Do livro “T. S. Eliot – Poemas”, traduzido por Caetano Galindo e lançado no ano passado pela Companhia das Letras.