Saraiva despejada

New York City Center, do grupo Multiplan

Em processo de recuperação judicial desde o ano passado, a rede de livrarias Saraiva, segundo nota do colunista Lauro Jardim (O Globo) foi notificada por mais uma ação de despejo. Dessa vez por parte de um centro de compras do Rio de Janeiro, o New York City Center. Segundo o jornalista, a Saraiva acumula uma dívida de R$ 650 mil em aluguéis atrasados com o centro comercial. O último relatório apresentado pelo administrador judicial da Saraiva dá conta de que 30 das 73 lojas da rede são objeto de ações de despejo na Justiça. A dívida total declarada pela rede, segundo a revista Exame, é de R$ 675 milhões.

Sem livraria, sem museu, sem teatro

Pesquisa divulgada essa semana pelo IBGE revela que o número de cidades brasileiras com ao menos uma livraria caiu de 42,7% em 2001 para 17,7% em 2018. Ainda sobre o acesso a equipamentos culturais no país, o mesmo estudo mostra que em 2018, 32,2% da população brasileira morava em municípios sem museu; 30,9%, sem teatro ou sala de espetáculo; 39,9%, sem cinema; 18,8% sem rádio AM ou FM local e 14,8%, sem provedor de internet.

Audiolivros ganham espaço no país

Imagem: iconfinder.com

Matéria de “O Estado de SP” comenta a crescente movimentação do mercado de audiolivros no país. Segundo o jornal, a Ubook e a Tocalivros já vinham investindo na formação de catálogo desde 2014. Em meados do ano passado, o setor foi movimentado pela chegada dos players internacionais, inicialmente com o Google Play Livros. Neste ano de 2019 chegaram a canadense Kobo e, na semana passada, a sueca Storytel. A matéria cita ainda a Auti Books, plataforma criada pelas editoras Sextante, Record e Intrínseca, que soma 37 mil títulos comercializados em três meses de atividades. O próximo grande movimento esperado é a chegada da Audible, da Amazon, ao mercado local.

Jogando com a crise

Livraria da Vila, em SP. No time das que aparentemente não se renderam à crise

Pelas contas da Associação Nacional de Livrarias (ANL), o Brasil perdeu 20% de suas livrarias nos últimos quatro anos. Pelos dados da Fipe, entre as que restaram houve perda de 20% no faturamento no ano passado. Sem falar na situação de grandes redes varejistas como Cultura e Saraiva, ambas em recuperação judicial e com futuro incerto.

Os dados são citados por Maria Fernanda Rodrigues em matéria do final de semana no Estadão, que mostra, por outro lado, “como as pequenas livrarias estão conseguindo driblar a crise e sobreviver”. No movimento contrário, lembra da Travessa, que abre novas lojas (Lisboa e SP), da expansão da rede mineira Leitura e das Livrarias da Vila e Martins Fontes Paulista, sempre cheias.  

Matéria completa, para assinantes, no link https://cultura.estadao.com.br/noticias/literatura,como-as-pequenas-livrarias-estao-conseguindo-driblar-a-crise-e-sobreviver,70002953201

Livros na confiança

Já está em funcionamento a primeira unidade da Livraria Peg&Pag em Belo Horizonte, uma loja sem vendedores e com livros a preços populares. A nova unidade da rede funciona em um centro de compras da capital mineira e tem um acervo de cerca de 5 mil exemplares. Hoje, são 16 lojas Peg&Pag implantadas nos estados de São Paulo e Paraná. Em Minas, conforme noticia o portal Uai, há uma unidade em funcionamento em Betim e outra em fase de implantação na cidade de Sete Lagoas. Ainda segundo o portal, a meta da rede é abrir nove lojas nesse formato em BH ainda esse ano.

Com preços únicos, de R$ 10 na maioria das lojas da empresa, as livrarias possuem duas formas de pagamento: dinheiro ou cartão de crédito. Diariamente, um responsável encerra as operações da máquina de cartão e recolhe o dinheiro. Sobre o modelo pouco usual de negócios, o gerente comercial da empresa, Jorge Gonzaga, comentou que “infelizmente, calculamos que um a cada 20 livros colocados à venda é furtado. Esperamos mudar essa mentalidade, mostrando que confiamos nos clientes e motivando-os a não trair essa confiança”.

A rede não comercializa lançamentos e costuma ter disponíveis obras de autores que vão de Machado de Assis ao francês Julio Verne.