Como abrir uma livraria

A livraria parisiense em foto da Vanity Fair

Para quem sonha em ter a sua própria “Shakespeare and Company” – a mítica livraria parisiense, a Câmara Brasileira do Livro tem em seu site um guia completo (http://cbl.org.br/site/wp-content/uploads/2018/10/Guia-CBL-WEB.pdf) para orientar a empreitada. Abaixo, algumas dicas do guia.

PROPOSTA DE VALOR

-O primeiro passo a ser dado é saber claramente qual o tipo de público que você pretende atender e qual o público que circula próximo ao local onde deseja abrir sua livraria.

-A partir desta definição, você pode pensar no mix de produtos e serviços que oferecerá.

-O conceito “proposta de valor” como ideia central na construção de um negócio, indica a mensagem que deve ser percebida pelo público, ou seja, ela deve ser capaz de sintetizar tudo que sua livraria agrega ao consumidor, algo que o consumidor deve experienciar em todo contato que tiver com seu negócio, desde o atendimento por telefone, até o contato com os colaboradores, no ambiente da loja ou no site.

-Para elaborar a proposta de valor de uma livraria, é preciso definir os principais diferenciais que irão caracterizar a compra de produtos na sua loja. O principal destaque é a experiência de atendimento. Mais do que comprar um livro, o consumidor deverá ter contato com um atendimento personalizado, capaz de entender o que o cliente está buscando.

-Além disso, deve fazer recomendações de outros títulos, oferecer serviços como entregas, promoções específicas, proporcionando assim, uma experiência de encantamento. Para que isso ocorra é importante conhecer o cliente, para identificar sua necessidade.

FINANCIAMENTO

-Para abrir e manter sua livraria, será necessário um investimento inicial e um valor de reserva para eventuais imprevistos

-Dentre os custos iniciais, considere:

aluguel do imóvel; compra de imóvel (como última opção, não se deve imobilizar um valor inicial elevado); uso de um imóvel próprio (deve-se considerar como um aluguel, entrando como despesa para a livraria e receita para o empreendedor); registro de sua loja e marca; aquisição do estoque em consignação; água, luz, telefone, internet, produtos de limpeza, higiene e escritório; reformas, decoração e mobiliário; impostos e tributos; contratação de colaboradores; ações de divulgação e marketing online e off-line.

LOCALIZAÇÃO

A escolha de uma boa localização, que favoreça o acesso das pessoas é fundamental e certamente consolidará um público com interesse em leitura. Portanto, este ponto deve ser o foco.

Recomenda-se considerar:

Indicadores sociais e econômicos da região; nível médio de renda da população local – acima de 2,5 salários mínimos; número de habitantes – maior que 200 mil; PIB per capita local; taxa de analfabetismo – a menor possível; IDH – Indice do Desenvolvimento Humano.

Livraria Saraiva anuncia plano de recuperação

Conforme noticiado essa semana pela Folha de SP, a Livraria Saraiva, rede líder de venda de livros no país e em processo de recuperação judicial desde o ano passado, apresentou seu plano de recuperação aos credores. A rede, que já fechou mais de 20 lojas em todo o país, está propondo pagar apenas 5% da sua dívida em 15 anos, com 12 meses de carência. Os 95% restantes da dívida seriam transformados em debêntures a serem emitidos em 2034. A dívida total da rede atinge cerca de R$ 684 milhões. Processo semelhante enfrenta a Livraria Cultura, também em recuperação judicial e com uma dívida de R$ 285 milhões.

Lello dá a volta por cima e bate recorde de vendas

Depois de quase fechar as portas por dificuldades financeira, aquela que figura em nove de cada dez listas das “livrarias mais bonitas do mundo”, a Lello e Irmão, localizada há 113 anos (completados no último dia 13) na cidade do Porto, não só voltou a dar lucro como já é recordista em vendas em Portugal. A informação é da blogueira, do UOL, Giuliana Miranda.

A mágica se deu a partir de 2015 quando a Lello passou a cobrar entrada na livraria (5 euros que podem ser revertidos em compras). Explica-se: a livraria é um dos principais pontos turísticos da cidade e nos últimos anos viu uma horda de Harry Potter-maníacos literalmente invadirem suas instalações para sessões de fotos. É que a escritora J. K. Rowling, autora do maior fenômeno editorial dos tempos modernos teria morado na cidade do Porto e se inspirado nas belíssimas escadarias da Lello para compor a atmosfera da biblioteca de magia de Hogawarts.

Segundo a direção da livraria, cerca de 40% dos visitantes acabam comprando livros, o que em 2017 (os números de 2018 ainda não foram divulgados) representou uma média de 1.300 volumes vendidos diariamente. Antes do início da cobrança de entrada, a média era de 190 livros/dia.

Mercado editorial registra crescimento tímido em 2018

Embora a entrada em recuperação judicial de dois dos principais nomes do mercado editorial local – Saraiva e Livraria Cultura – sinalizasse um ano tenebroso no setor, informação adiantada por Ismael Borges, da Nielsen, publicada na coluna Mercado Aberto, da Folha, dá conta de um pequeno crescimento do mercado interno em 2018. “Houve crescimento, mas foi tímido em termos de faturamento, depois do desconto da inflação”, afirma Borges. Os dados oficiais da pesquisa tradicionalmente promovida pela consultoria ainda serão publicados, mas outro dado adiantado pelo especialista é que os livros de gestão foram o principal destaque em vendas no ano.

Travessa em alta

Na contramão de redes como a Cultura e a Saraiva, sufocadas em dívidas e fechando lojas pelo país afora, a Livraria da Travessa vive período de bonança. Com nove lojas já instaladas no Rio, São Paulo e Ribeirão Preto, inaugura nova unidade na capital paulista em março próximo. Será a primeira loja de rua na cidade, depois dos espaços instalados no Instituto Moreira Salles e na Bienal.  E não para por aí. Uma loja de 300 metros quadrados da Travessa está para ser inaugurada em Lisboa.

Em entrevista ao Caderno 2, do Estadão, o criador da livraria, Rui Campos, afirma que a Travessa fechou o mês de novembro passado com um crescimento de 30% em relação ao mesmo mês do ano passado e que no fechamento do ano, o desempenho deve ser 15% superior ao de 2017.