Jogando com a crise

Livraria da Vila, em SP. No time das que aparentemente não se renderam à crise

Pelas contas da Associação Nacional de Livrarias (ANL), o Brasil perdeu 20% de suas livrarias nos últimos quatro anos. Pelos dados da Fipe, entre as que restaram houve perda de 20% no faturamento no ano passado. Sem falar na situação de grandes redes varejistas como Cultura e Saraiva, ambas em recuperação judicial e com futuro incerto.

Os dados são citados por Maria Fernanda Rodrigues em matéria do final de semana no Estadão, que mostra, por outro lado, “como as pequenas livrarias estão conseguindo driblar a crise e sobreviver”. No movimento contrário, lembra da Travessa, que abre novas lojas (Lisboa e SP), da expansão da rede mineira Leitura e das Livrarias da Vila e Martins Fontes Paulista, sempre cheias.  

Matéria completa, para assinantes, no link https://cultura.estadao.com.br/noticias/literatura,como-as-pequenas-livrarias-estao-conseguindo-driblar-a-crise-e-sobreviver,70002953201

Livros na confiança

Já está em funcionamento a primeira unidade da Livraria Peg&Pag em Belo Horizonte, uma loja sem vendedores e com livros a preços populares. A nova unidade da rede funciona em um centro de compras da capital mineira e tem um acervo de cerca de 5 mil exemplares. Hoje, são 16 lojas Peg&Pag implantadas nos estados de São Paulo e Paraná. Em Minas, conforme noticia o portal Uai, há uma unidade em funcionamento em Betim e outra em fase de implantação na cidade de Sete Lagoas. Ainda segundo o portal, a meta da rede é abrir nove lojas nesse formato em BH ainda esse ano.

Com preços únicos, de R$ 10 na maioria das lojas da empresa, as livrarias possuem duas formas de pagamento: dinheiro ou cartão de crédito. Diariamente, um responsável encerra as operações da máquina de cartão e recolhe o dinheiro. Sobre o modelo pouco usual de negócios, o gerente comercial da empresa, Jorge Gonzaga, comentou que “infelizmente, calculamos que um a cada 20 livros colocados à venda é furtado. Esperamos mudar essa mentalidade, mostrando que confiamos nos clientes e motivando-os a não trair essa confiança”.

A rede não comercializa lançamentos e costuma ter disponíveis obras de autores que vão de Machado de Assis ao francês Julio Verne.

Livros flutuantes

Foto: logoshope.org

Segundo informação divulgada recentemente, o Logos Hope terá o Brasil na sua rota deste ano. Autointitulado, a maior livraria flutuante do mundo, o navio – hoje atracado no Uruguai, chega aos portos brasileiros com mais de 5 mil livros a bordo a partir de agosto. O roteiro brasileiro inclui as cidades de Santos, Rio de Janeiro, Vitória, Salvador e Belém. Segundo os responsáveis pela iniciativa, a empresa alemã GBA Ships, a meta ao atracar nos portos mundo afora é promover projetos sociais e de ajuda humanitária com o apoio de 400 voluntários. A empresa afirma ainda que cerca de 47 milhões de pessoas em 150 países já visitaram a embarcação em quase quatro décadas de atividades do hoje conhecido como Logos Hope. A maioria das obras disponíveis é em inglês.

Mercado de livros encolhe no primeiro trimestre do ano

Suporte para livros Designboom

Conforme pesquisa conduzida pela Nielsen e divulgada pelo Sindicato Nacional dos Editores, o faturamento com as vendas de livros no país encolheu 25% no primeiro trimestre deste ano, quando comparado com o mesmo período de 2018. A pesquisa revela ainda que, em número de exemplares, as vendas caíram 30% no período, ou 1,2 milhão de livros a menos. No epicentro da crise estão as duas principais redes de lojas do setor, a Cultura e a Saraiva, ambas em processo de recuperação judicial. Com relação aos preços médios dos livros no país, a tendência apurada é de alta, com os preços médios subindo de R$ 42,77 para R$ 45,73.

Como abrir uma livraria

A livraria parisiense em foto da Vanity Fair

Para quem sonha em ter a sua própria “Shakespeare and Company” – a mítica livraria parisiense, a Câmara Brasileira do Livro tem em seu site um guia completo (http://cbl.org.br/site/wp-content/uploads/2018/10/Guia-CBL-WEB.pdf) para orientar a empreitada. Abaixo, algumas dicas do guia.

PROPOSTA DE VALOR

-O primeiro passo a ser dado é saber claramente qual o tipo de público que você pretende atender e qual o público que circula próximo ao local onde deseja abrir sua livraria.

-A partir desta definição, você pode pensar no mix de produtos e serviços que oferecerá.

-O conceito “proposta de valor” como ideia central na construção de um negócio, indica a mensagem que deve ser percebida pelo público, ou seja, ela deve ser capaz de sintetizar tudo que sua livraria agrega ao consumidor, algo que o consumidor deve experienciar em todo contato que tiver com seu negócio, desde o atendimento por telefone, até o contato com os colaboradores, no ambiente da loja ou no site.

-Para elaborar a proposta de valor de uma livraria, é preciso definir os principais diferenciais que irão caracterizar a compra de produtos na sua loja. O principal destaque é a experiência de atendimento. Mais do que comprar um livro, o consumidor deverá ter contato com um atendimento personalizado, capaz de entender o que o cliente está buscando.

-Além disso, deve fazer recomendações de outros títulos, oferecer serviços como entregas, promoções específicas, proporcionando assim, uma experiência de encantamento. Para que isso ocorra é importante conhecer o cliente, para identificar sua necessidade.

FINANCIAMENTO

-Para abrir e manter sua livraria, será necessário um investimento inicial e um valor de reserva para eventuais imprevistos

-Dentre os custos iniciais, considere:

aluguel do imóvel; compra de imóvel (como última opção, não se deve imobilizar um valor inicial elevado); uso de um imóvel próprio (deve-se considerar como um aluguel, entrando como despesa para a livraria e receita para o empreendedor); registro de sua loja e marca; aquisição do estoque em consignação; água, luz, telefone, internet, produtos de limpeza, higiene e escritório; reformas, decoração e mobiliário; impostos e tributos; contratação de colaboradores; ações de divulgação e marketing online e off-line.

LOCALIZAÇÃO

A escolha de uma boa localização, que favoreça o acesso das pessoas é fundamental e certamente consolidará um público com interesse em leitura. Portanto, este ponto deve ser o foco.

Recomenda-se considerar:

Indicadores sociais e econômicos da região; nível médio de renda da população local – acima de 2,5 salários mínimos; número de habitantes – maior que 200 mil; PIB per capita local; taxa de analfabetismo – a menor possível; IDH – Indice do Desenvolvimento Humano.