Calculadoras nas portas do inferno

Sai até o final deste mês, pela Tusquets, a edição em português de “L’ordre du jour”, do escritor e cineasta francês Érick Vuillard. “A Ordem do Dia” foi o vencedor de 2017 do Goncourt – o mais importante das letras francesas – e aborda os dias iniciais e a ascensão do nazismo na Alemanha dos Anos 30. O Ilustríssima, da Folha, traz na edição do final de semana um trecho da obra onde é relatada reunião de nomes como Adolf Hitler e Hermann Goering com 24 grandes empresários alemães em busca de apoio ao regime. Um acontecimento bastante banal, afinal, lembra o autor, “políticos e industriais costumam se frequentar”, que nesse caso, porém, acabou por se revelar um momento único na história patronal. O nazismo ganhava ali um apoio fundamental dos senhores Basf, Bayer, Agfa, Opel, Siemens, Allianz, Telefunken, Krupp e todo o clero da indústria alemã. Vinte e quatro empresários, impassíveis, “como vinte e quatro máquinas de calcular nas portas do Inferno”. Trecho completo (para assinantes) no link: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2019/07/empresarios-embarcam-no-nazismo-em-livro-frances-premiado-leia.shtml.

Celebrando Castro Alves

Tempo de lembrar de Antônio Frederico de Castro Alves (1847-1871), o “poeta dos escravos” Castro Alves, cuja morte aos 24 anos, em Salvador (BA), completa amanhã (6), 148 anos. Autor de clássicos como “Espumas Flutuantes” e “Hinos do Equador”, foi o mais célebre nome do período identificado pelos estudiosos como “terceira geração romântica”.

Celebrando Trevisan e Macedo

Tempo de comemorar o nascimento de dois nomes altamente representativos da literatura brasileira, separados por mais de um século de história: o do escritor, jornalista, dramaturgo, tradutor e cineasta João Silvério Trevisan, que completa hoje 75 anos, e o do escritor, médico e político Joaquim Manuel de Macedo, autor de um dos marcos do Romantismo no Brasil, o livro “A Moreninha”, que completaria amanhã 199 anos.

Capanema, do interior de Minas ao centro do poder

Na boa onda de lançamentos de biografias, mais um ilustre personagem brasileiro tem sua vida registrada em um livro, segundo as resenhas, de alta qualidade. Dessa vez é Gustavo Capanema (1900-1985), o polêmico defensor da Revolução de 30, interventor do Estado de Minas Gerais e ministro da Educação e da Saúde no Estado Novo de Getúlio. Entre outras controvérsias envolvendo o político, Capanema é “acusado” de cooptar intelectuais como seu chefe de gabinete, o poeta Carlos Drummond de Andrade e o pintor Cândido Portinari para o regime Vargas. Nascido em Pitangui (MG), formou-se em Direito em 1924, em Belo Horizonte, e foi o mais longevo ministro da Educação da história do país, de 1934 a 1945. “Capanema” é o livro de estreia do historiador Fabio Silvestre Cardoso e saiu pela Editora Record.

Machado faz 180 anos

Amanhã, 21, completam-se 180 anos do nascimento, no Rio de Janeiro, de Joaquim Maria Machado de Assis (1839-1908). Filho do brasileiro Francisco José de Assis e da açoriana Maria Leopoldina Machado de Assis, estreou na literatura em 1855 com a publicação de um poema no jornal Marmota Fluminense. Consagrado ainda em vida pela vasta produção em romance, conto, teatro, poesia, crítica e tradução (obra completa em pdf no site machado.mec.gov.br) tornou-se o mais respeitado e influente escritor brasileiro de todos os tempos.

O escritor e crítico Silviano Santiago comenta seu livro “Machado” em entrevista ao Canal Livre, de abril de 2017, apresentado pelo jornalista Ricardo Boechat

Uma das melhores (e confiáveis) fontes de pesquisa on-line sobre Machado, o site machadodeassis.org.br, da Academia Brasileira de Letras, traz da bibliografia completa à teses e monografias sobre o escritor.