Dia de Paulo Mendes Campos

Paulo Mendes Campos e o escritor Antônio Maria. Foto do acervo do Instituto Moreira Salles

Dia de reverenciar o cronista, poeta, jornalista e tradutor Paulo Mendes Campos, nascido há 97 anos, em Belo Horizonte. Campos faleceu no Rio de Janeiro aos 69 anos e além de cronista de destaque, se notabilizou também pela tradução de obras de nomes como Júlio Verne, Oscar Wilde, Jane Austen, Shakespeare, Yeats, Dickens, Flaubert, Maupassant, Neruda, Verlaine, Eliot, Joyce e William Blake.

74 anos sem Mário

Mário por Tarsila do Amaral, em quadro de 1922

No dia 25 de fevereiro de 1945 morria, em São Paulo, vítima de um ataque cardíaco, o poeta, ensaista , crítico de arte e romancista Mário de Andrade. Nascido na capital paulista em 9 de outubro de 1893, foi um dos pioneiros do movimento modernista no Brasil e um expoente da Semana de Arte Moderna de 1922. É autor, entre outros clássicos, de Macunaíma.

Algumas obras do autor:

Há uma Gota de Sangue em Cada Poema – 1917

Pauliceia Desvairada – 1922

A Escrava que não é Isaura – 1925

Losango Cáqui – 1926

Primeiro Andar – 1926

Clã do Jabuti – 1927

-Amar, Verbo Intransitivo – 1927

-Macunaíma – 1928

Ensaio sobre a Música Brasileira – 1928

Compêndio da História da Música – 1929

Modinhas e Lundus Imperiais – 1930

Remate de Males – 1930

Música, Doce Música – 1933

Belazarte – 1934

O Aleijadinho – 1935

-Álvares de Azevedo – 1935

Namoros com a Medicina – 1939

Música do Brasil – 1941

Poesias -1941

O Baile das Quatro Artes – 1943

Aspectos da Literatura Brasileira – 1943

Os Filhos da Candinha – 1943

O Empalhador de Passarinhos – 1944

Lira Paulistana – 1946

O Carro da Miséria – 1946

C-Contos Novos – 1946

Padre Jesuíno de Monte Carmelo – 1946

Poesias Completas – 1955

Danças Dramáticas do Brasil – 1959

Música de Feitiçaria – 1963

O Banquete, Ensaio -1978

Quintana por Kobra

O celebrado grafiteiro paulista Eduardo Kobra acaba de retratar mais um grande nome da literatura nacional. Depois de pintar murais com Ariano Suassuna e Ferreira Gullar, foi a vez de Mario Quintana (1906-1994). O poeta ganhou um painel de 14 metros quadrados na parede externa do Colégio Farroupilha, na capital gaúcha. E vem mais. O próximo personagem do artista é Jorge Amado, que deve ganhar mural próprio ainda este ano, em Salvador.

Notícias de Millôr para Otto

Millôr Fernandes em foto do acervo do IMS
Otto Lara Resende em foto do acervo do IMS

Carta do desenhista, humorista, dramaturgo, escritor, tradutor e jornalista carioca Millôr Fernandes (1923-2012) para o também escritor e jornalista, mineiro de São João del-Rei, Otto Lara Resende (1922-1992), quando este era adido cultural na embaixada brasileira em Portugal. A carta faz parte do arquivo de Otto sob guarda do Instituto Moreira Salles (IMS).

Rio [de Janeiro], 16 de dezembro de 1967

Otto, meu caro, a situação que você me descreve é calamitosa: eu sou popular em Portugal! Você vê que não tem jeito, não; a gente acaba tendo o castigo que merece. Eu, por exemplo, que me venho furtando à popularidade (não por virtude, mas por timidez que, pouco a pouco, vai-se tornando doentia), acabo de receber um golpe. Essa do Vão Gôgo Boite*, então, é inacreditável – eu tinha ouvido falar, mas pensava que era brincadeira. Contudo, não importa. Isto é, já não importa. Tava tudo errado mesmo, Otto, mas quando eu fui apanhar a borracha era tarde. Alguém me disse, com malícia, que você era quem chovia aqui no Rio e levou as chuvas daqui aí pra Lisboa. Mas logo a pessoa teve que engolir o que disse, inclusive a parte líquida, porque aqui o dilúvio se tornou constante neste início de verão. Sol, quase nenhum. Tempo baço, sem ânimo, nada dos verões doutrora.

Que esta te encontre, porém, no mais sadio dos mais humores. Pois essa, sei, é tua fonte de brilho literário e de alegria de viver. Os portugueses já te entenderam?

Aqui a turma em geral vai bem. Vejo-os pouco, ou nada, mas sei deles. Fernando [Sabino], agora, anda de avião para baixo e para cima, vendendo a si próprio e aos amigos na Editora do Autor (Sabiá). Vai acabar numa figueira, o judas, assessorado pelo Rubem Braga. Noutro dia vi os dois fazendo a féria de uma noite de autógrafos, a qual dava exatamente 3300 dólares. (Veja a atualização, não só no tipo da moeda, como no valor fiduciário, dos 33 dinheiros). Rubem, entre um gole e outro, rosna lá de cima do seu terraço uma maldição bíblica. Paulinho [Mendes Campos] erudita na Manchete. E Hélio [Pellegrino] inflama. Quando há uma nesga de sol, as garotas passam na rua e nos amarguram a todos. A mais simples garota nos amargura a todos, com uma simples não olhada. (Vira. Você não, o papel!) Vou parar aqui, já que o papel acabou. Um dia destes te escrevo mais e te digo mais. Só posso te dizer (repetir) a minha velha história do homem (otimista) que se atirou do décimo andar e, ao passar pelo oitavo, murmurou: “Bom, até aqui, tudo bem!” Pois não tinha razão? Boa luz, ar fresco, boa paisagem, ainda faltavam oito andares, pra que se aborrecer e amargurar antecipadamente?

E quando ele foi passando pelo primeiro andar e o chão foi se aproximando, de novo ele refletiu: “Bem, se não me aconteceu nada nesses nove andares, não é nesse pedacinho que falta que eu vou me machucar”.

Enfim, meu caro Otto, há que ser otimista, nem que seja à porrada. Beijos às crianças, sobretudo as do sexo feminino, e aí por volta dos 18 anos de idade. Que Portugal te dê o que você merece, isto é, carinho e bons tratos gerais, ou de nada vale esse país. Dê meu grande abraço à Helena, minha mineira preferida. Que eu possa vê-lo dentro em breve.

Do velho amigo,

Millôr

*Casa noturna em Lisboa que tinha como nome a personagem criada por Millôr na revista A Cigarra, em 1939.