Machado raro

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Machado (segundo da esq. para a direita) na companhia de amigos e intelectuais, entre eles, Joaquim Nabuco.

No mês em que se celebra os 110 anos de sua morte, uma das mais importantes coleções das primeiras edições de obras do Bruxo do Cosme Velho pode ser vista na exposição, aberta esta semana em São Paulo, “Machado de Assis na BBM – Primeiras Edições e Raridades”. São 108 itens pertencentes à Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, hoje sob guarda da Universidade de São Paulo (USP) entre livros, periódicos e edições póstumas. A mostra, com entrada gratuita, prossegue até o próximo dia 22 de novembro na Sala Multiuso da Biblioteca Mindlin, que fica na Vila Universitária da USP.

Mendes da Rocha no Itaú Cultural

Prossegue, até o próximo dia 4 de novembro, no Itaú Cultural, em São Paulo, a “Ocupação Paulo Mendes da Costa”. A iniciativa prevê uma exposição, com curadoria do arquiteto Guilherme Wisnik e do instituto, que reúne croquis, fotografias, maquetes, textos críticos e depoimentos do arquiteto e ainda visitas a construções assinadas por ele na cidade e workshops sobre sua obra.

Mendes da Rocha nasceu em 1928, em Vitória (ES), foi assistente de João Villanova Artigas, com quem compartilhava projetos que enfatizavam a técnica, o uso de concreto armado e a apresentaçao da estrutura. É autor de projetos emblemáticos como o Clube Athletico Paulistano, o Museu Brasileiro de Escultura e Ecologia (MuBE), a Praça do Patriarca, o Poupatempo Itaquera, o Sesc 24 de Maio, o estádio Serra Dourada e as reformas da Pinacoteca do Estado de São Paulo e do Centro Cultural Fiesp.

Nas fotos, edições em português sobre sua obra. No vídeo, do site www.itaucultural.org.br, o arquiteto define seu ofício em menos de 1 minuto.

 

Nosso herói sem nenhum caráter faz 90 anos

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“O Batizado de Macunaíma”, de Tarsila do Amaral

Marco do Movimento Modernista, “Macunaíma – O herói sem nenhum caráter” está completando neste ano de 2018, nove décadas de seu lançamento. Segundo seu autor, o poeta, escritor, crítico literário, musicólogo, historiador da arte, folclorista e ensaísta, Mário de Andrade (1893-1945), o livro foi escrito em seis dias. Lançado em tiragem inicial de apenas 800 exemplares – um deles hoje no acervo de obras raras da Biblioteca Nacional, foi já em sua origem visto como o carro-chefe do primeiro movimento literário genuinamente brasileiro.

O presente sombrio

Para quem, como eu, foi privado para sempre de conhecer parte importante da nossa História, da nossa Ciência e da nossa Cultura, um pouco do lugar, das pessoas e das histórias que só aprofundam o sentimento de tristeza pela perda, na noite do domingo passado, do Museu Nacional.

Localizado na Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro e abrigo de uma coleção de 20 milhões de itens, o museu foi quase que totalmente consumido pelas chamas do absoluto descaso e da total irresponsabilidade das autoridades públicas do país. Ficamos irremediavelmente mais pobres e mais obscuros.

Tristeza e descrença

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Da série porque me envergonho do meu país. Estamos conseguindo destruir, em média, um grande acervo da nossa memória e cultura a cada ano. Nos últimos dez anos foram sete e agora, com o incêndio na noite de domingo (2/9) do Museu Nacional, no Rio, a estatística atinge oito grandes tragédias. Sem falar na situação de penúria das outras (poucas) grandes instituições culturais do país, como a Biblioteca Nacional, no mesmo Rio de Janeiro, ou o Museu do Ipiranga, fechado há cinco anos, em São Paulo, ou ainda o caso do Museu de Arte Moderna em 1978. O incêndio do MAM reduziu um acervo de mais de mil peças a apenas 50 e foi tão emblemático que, além de queimar telas de Picasso e Miró, entre centenas de outros artistas, colocou o Brasil na lista negra das grandes instituições internacionais, que só nos Anos 90, voltaram a confiar no país como capaz de sediar exposições de grande porte.

A lista da vergonha nacional:

Teatro Cultura Artística (2008) – Inaugurado em 1950 com um concerto de Heitor Villa-Lobos, foi consumido pelas chamas e até hoje não se sabe o que causou o incêndio.

Instituto Butatan (2010) – Mais de cem anos de história e de conhecimento acumulado foram destruídos pelo fogo, bem como um dos principais acervos de répteis do mundo.

Memorial da América Latina (2013) – Um curto-circuito provocou um incêndio que destruiu, entre outros patrimônios, o auditório Simón Bolívar e uma tapeçaria de 800 metros de Tomie Ohtake.

Museu de Ciências Naturais da PUC Minas (2013) – Outro prejuízo científico e cultural incalculável atingiu réplicas, cenários e pisos de uma instituição dona de um dos maiores acervos de fósseis e mamíferos do país.

Centro Cultural Liceu de Artes e Ofícios (2014) – Fundado em 1873, em São Paulo, teve seu galpão centenário destruído pelas chamas e só reabriu suas portas, como centro cultural, no mês passado.

Museu da Língua Portuguesa (2015) – Inaugurado em 2006 e um dos museus mais visitados do continente, teve seus três andares completamente destruídos pelo fogo. Ainda em reconstrução e com previsão de reabertura total no ano que vem.

Cinemateca Brasileira (2016) – Um incêndio destruiu de forma definitiva 270 títulos do acervo da instituição, localizada na capital paulista. Os rolos de filme feitos de nitrato de celulose contribuíram para a tragédia.