Tesouros de grandes colecionadores

Parte do acervo da BMA, em foto publicada no site do Projeto São Paulo City

Para quem estiver em SP até o próximo dia 12 de dezembro a dica é a exposição “Grandes Colecionadores”, aberta hoje (3/10) na Biblioteca Mário de Andrade. A mostra reúne exemplares da trajetória pessoal de bibliófilos que doaram ou venderam suas coleções para a instituição e pode ser vista diariamente das 10h às 19h. Entre outras inúmeras raridades, os visitantes poderão conhecer acervos de nomes como o Barão Homem de Mello (1837-1918), Paulo Prado (1869-1943) e Otto Maria Carpeaux (1900-1978). Conforme notícia de ” O Estado de SP”, do jornalista e ensaista Carpeaux, por exemplo, estará em exibição a edição bilíngue com poemas de Carlos Drummond de Andrade organizada por Hans Magnus Enzensberger e publicada em 1965 pela alemã Suhrkamp.

Fundada em 1925 a partir do acervo da Câmara Municipal, a “Mário de Andrade” é a principal biblioteca pública da cidade de São Paulo e conta com um patrimônio de cerca de 3,3 milhões de títulos, além de um amplo conjunto de manuscritos, incunábulos (obras que imitavam manuscritos e foram impressas nos primórdios da impressão com tipos móveis), gravuras e mapas, entre outros itens raros.

Machado raro

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Machado (segundo da esq. para a direita) na companhia de amigos e intelectuais, entre eles, Joaquim Nabuco.

No mês em que se celebra os 110 anos de sua morte, uma das mais importantes coleções das primeiras edições de obras do Bruxo do Cosme Velho pode ser vista na exposição, aberta esta semana em São Paulo, “Machado de Assis na BBM – Primeiras Edições e Raridades”. São 108 itens pertencentes à Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, hoje sob guarda da Universidade de São Paulo (USP) entre livros, periódicos e edições póstumas. A mostra, com entrada gratuita, prossegue até o próximo dia 22 de novembro na Sala Multiuso da Biblioteca Mindlin, que fica na Vila Universitária da USP.

Mendes da Rocha no Itaú Cultural

Prossegue, até o próximo dia 4 de novembro, no Itaú Cultural, em São Paulo, a “Ocupação Paulo Mendes da Costa”. A iniciativa prevê uma exposição, com curadoria do arquiteto Guilherme Wisnik e do instituto, que reúne croquis, fotografias, maquetes, textos críticos e depoimentos do arquiteto e ainda visitas a construções assinadas por ele na cidade e workshops sobre sua obra.

Mendes da Rocha nasceu em 1928, em Vitória (ES), foi assistente de João Villanova Artigas, com quem compartilhava projetos que enfatizavam a técnica, o uso de concreto armado e a apresentaçao da estrutura. É autor de projetos emblemáticos como o Clube Athletico Paulistano, o Museu Brasileiro de Escultura e Ecologia (MuBE), a Praça do Patriarca, o Poupatempo Itaquera, o Sesc 24 de Maio, o estádio Serra Dourada e as reformas da Pinacoteca do Estado de São Paulo e do Centro Cultural Fiesp.

Nas fotos, edições em português sobre sua obra. No vídeo, do site www.itaucultural.org.br, o arquiteto define seu ofício em menos de 1 minuto.

 

Nosso herói sem nenhum caráter faz 90 anos

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“O Batizado de Macunaíma”, de Tarsila do Amaral

Marco do Movimento Modernista, “Macunaíma – O herói sem nenhum caráter” está completando neste ano de 2018, nove décadas de seu lançamento. Segundo seu autor, o poeta, escritor, crítico literário, musicólogo, historiador da arte, folclorista e ensaísta, Mário de Andrade (1893-1945), o livro foi escrito em seis dias. Lançado em tiragem inicial de apenas 800 exemplares – um deles hoje no acervo de obras raras da Biblioteca Nacional, foi já em sua origem visto como o carro-chefe do primeiro movimento literário genuinamente brasileiro.

O presente sombrio

Para quem, como eu, foi privado para sempre de conhecer parte importante da nossa História, da nossa Ciência e da nossa Cultura, um pouco do lugar, das pessoas e das histórias que só aprofundam o sentimento de tristeza pela perda, na noite do domingo passado, do Museu Nacional.

Localizado na Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro e abrigo de uma coleção de 20 milhões de itens, o museu foi quase que totalmente consumido pelas chamas do absoluto descaso e da total irresponsabilidade das autoridades públicas do país. Ficamos irremediavelmente mais pobres e mais obscuros.