Um outro lado de Dickens

Imagem: greatestbritons.com

Uma face pouco lisonjeira de Dickens é comentada em matéria de Rafa de Miguel, de Londres, para o El País. O principal romancista da história da literatura inglesa foi também um marido cruel, que depois de 20 anos de casamento teria movido céus e terra na tentativa de internar a mulher, Catherine, em um manicômio para assim desfrutar com mais liberdade do seu romance com a atriz Ellen Ternan.

Segundo John Bowen, professor de Literatura da Universidade de York, entrevistado na matéria, traços sombrios da personalidade do escritor podem ser reconhecidos em personagens de clássicos como “Grandes Esperanças”. Para ele, “um romance cheio de culpa, de vergonha. Seu personagem principal (Pip) se sente incompreendido e é alguém que magoou muito gente”.

Matéria na íntegra no link: https://brasil.elpais.com/brasil/2019/03/01/cultura/1551475506_900644.html.

Compêndio grego

Literatura-grega

Um livro de fôlego e uma produção brasileira capaz de divulgar o vasto legado da literatura grega no ocidente. Assim é apresentado, pela Ilustrada, o livro “Literatura Grega: Irradiações”, do escritor, professor e tradutor Donaldo Schüler. Lançamento da Ateliê Editorial, o título reflete a trajetória de leituras de Schüler, que comenta mais de 80 autores e obras em grego. São quase 3 mil anos de produção literária, do período arcaico grego até escritores consagrados mais recentemente, como Kazantzákis, Kaváfis e Seféris, comentados numa linguagem leve, sem pedantismo e afetação.

Em entrevista ao blog da editora, Schüler afirma que “os gregos estão presentes mesmo quando  nossa atenção não está voltada a eles. Quando pensamos, afirmamos ou negamos o que eles pensaram. Eles são nossos interlocutores. Assim os preservamos vivos. O mundo se amplia quando ultrapassamos o que nos cerca. Nunca somos herdeiros passivos. O que não conquistamos não nos pertence”.

O hino de Machado

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Para quem acha que já se sabia tudo sobre Machado de Assis, o repórter Maurício Meireles revela, em matéria da Folha, um achado inédito do escritor. Uma letra de hino nacional escrita em 1867 em homenagem ao aniversário de 42 anos do monarca Dom Pedro II e encontrada pelo pesquisador Felipe Risssato no arquivo da Biblioteca Pública de Florianópolis. Segundo a matéria, o hino é composto de sete estrofes em redondilhas maiores (versos de sete sílabas poéticas). “Das florestas em que habito/Solto um canto varonil:/Em honra e glória de Pedro/ O gigante do Brasil” é o trecho inicial e refrão da música.

Dicas de Clarice

Clarice

Um lado menos conhecido da celebrada romancista e contista Clarice Lispector, que atuou como jornalista, inclusive em momentos de dificuldades financeiras, chegou às livrarias em edição da Rocco. “Correio para Mulheres” traz os conselhos e dicas de da autora pubicados em colunas e suplementos femininos de 1950-60, organizados pela professora Aparecida Maria Nunes. São dois volumes – “Correio Feminino” e “Só para Mulheres”, lançados anteriormente em separado, agora juntos num único livro.

Conforme o site da editora, um singular retrato de época, que revela os hábitos e as inquietações da mulher brasileira de classe média das décadas de 50 e 60 do século passado.

O conteúdo, publicado em periódicos como Comício e Correio da Manhã, e sob pseudônimos como  Tereza Quadros e Helen Palmer, tem um tom de conversa entre amigas e dá dicas e conselhos sobre etiqueta, relações amorosas, educação dos filhos e cuidados domésticos.

Um toque de Clarice para as mulheres dos anos 50/60

DOSAR DEFEITOS

“Ser sedutora não consiste em não ter defeitos – mas dosá-los. Quem resiste à caceteação de uma mulher, por mais bonitinha que seja? A pessoa devia fazer de vez em quando uma revisão de si mesma: estou repetindo demais as mesmas histórias? Falo demais? Faço perguntas sem parar? Lamento-me demais? Estou me tornando dessas pessoas que grudam? Vivo pedindo desculpas (…)”

Babel digital

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Detalhe da Torre de Babel, de Pieter Brueghel, o Velho

Uma biblioteca que disponibiliza tesouros culturais do mundo inteiro – manuscritos, filmes, gravuras, fotografias, livros raros, desenhos arquitetônicos e vários outros itens a qualquer um que tenha acesso à internet. Assim é a Biblioteca Digital Mundial, um projeto de colaboração entre a Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos e a Unesco.  O site (www.wdl.org) oferece, gratuitamente e sem cadastro, pesquisas por lugar, período, tema ou pesquisa aberta, inicialmente em sete idiomas, português incluso.

São 193 países e 145 idiomas representados em mais de 360 mil páginas de conteúdo. Por itens, são mais de 9.400 imagens e fotografias, 3.500 jornais, 2.100 livros, 1.600 manuscritos, mil diários, mil mapas e dezenas de registros fonográficos e filmes. Há ainda links para museus e outras bibliotecas.