A natureza efêmera de Frost

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Nature’s first green is gold
Her hardest hue to hold.
Her early leaf’s a flower;
But only so an hour.
Then leaf subsides to leaf.
So Eden sank to grief,
So dawn goes down to day.
Nothing gold can stay.

O primeiro verde da natureza é dourado,
Para ela, o tom mais difícil de fixar.
Sua primeira folha é uma flor,
Mas só durante uma hora.
Depois folha se rende a folha.
Assim o Paraíso afundou na dor,
Assim a aurora se transforma em dia.
Nada que é dourado fica.

Do poeta norte-americano, Robert Frost (1874-1963)

Centenário João Cabral

Os 100 anos do nascimento do poeta e diplomata João Cabral de Melo Neto , completados hoje (9/1), prometem ser celebrados à altura da sua importância para a cultura nacional. Na edição do último dia 4 do jornal Folha de SP, um admirador igualmente célebre, Caetano Veloso, publicou um poema em homenagem ao escritor (abaixo) e já estão anunciados fotobiografia, livro de entrevistas e novas edições de sua obra em prosa e em poesia. Cabral é autor, entre outros clássicos da literaturan nacional, de “O Cão sem Plumas” (1950), “Morte e Vida Severina” (1955), “A Educação pela Pedra” (1966) e “Museu de Tudo” (1975). Falecido aos 79 anos, no Rio de Janeiro, se junta à Clarice Lispector e José Mauro de Vasconcelos nas comemorações de 100 anos em 2020.

O Poeta em Dacar

Cabral ombreia o grou coroado:
Sumário confronto sobre a grama
Em frente ao palácio oficial.
Alguns toureiros trazem socorro:
Vêm de seus versos. Muito econômicos,
Nenhum ostenta cores ou cheiros;
Nenhum, sensualidade; embora
Aceso tenham o sexo. Nenhum
Senegaliza. Porém a cola
Que não mascam é como se fosse
A fibra mesma, o osso-poeta
Que sustenta o corpo pequenino
Desse homem desembaraçado
Em sua angústia. Expositivo,
Ele apenas informa —e é um coan—
Sobre a particularidade deles,
Os grous, de, macho ou fêmea, terem
Reações opostas à chegada
De outro animal aqui, este homem
Em seu território: a fêmea avança,
O macho, muito tímido, esquiva-se.
Ou será o contrário, pergunta-nos
O poeta sério e buster keaton.
E conclusivo: um ou outro é
O que ataca; um ou outro, o que foge.
Volta à lajota da varanda sem
Olhar para as aves no gramado
Atrás de si. E muda de assunto. 

A esperança em Drummond

VIVER

Mas era apenas isso,

era isso, mais nada?

Era só a batida

numa porta fechada?

E ninguém respondendo,

nenhum gesto de abrir:

era, sem fechadura,

uma chave perdida?

Isso, ou menos que isso,

uma noção de porta,

o projeto de abri-la

sem haver outro lado?

O projeto de escuta

à procura do som?

O responder que oferta

o dom de uma recusa?

Como viver o mundo

em termos de esperança?

E que palavra é essa

que a vida não alcança?

Do livro “As Impurezas do Branco”.

A poesia de Thomas Stearns Eliot

IV

They eyes are not here

There are no eyes here

In this  valley of dying stars

In this hollow valley

This broken jaw o four lose kingdoms

In the last of meeting places

We grope together

And avoid speech

Gathered on this beach of the tumid river

Sightless, unless

The eyes reappear

As the perpetual star

Multifoliate rose

Of death’s twilight kingdom

The hope only

Of empty men.

Foto: The British Library

Os olhos não estão aqui

Não há olhos aqui

Nesse vale de estrelas moribundas

Neste vale oco

Mandíbula partida de nossos reinos perdidos

Neste último dos pontos de encontro

Tateamos unidos

E calamos a fala

Reunidos na praia do túmido rio

Sem ver, a não ser

Que os olhos ressurjam

Como estrela perpétua

Multifoliada rosa

Do reino crepuscular da morte

Esperança apenas

De homens vazios.

Trecho do poema “Os Homens Ocos” (1925), do livro “T.S.Eliot – Poemas”, em edição da Companhia das Letras e tradução de Caetano W. Galindo.