A poesia de Thomas Stearns Eliot

IV

They eyes are not here

There are no eyes here

In this  valley of dying stars

In this hollow valley

This broken jaw o four lose kingdoms

In the last of meeting places

We grope together

And avoid speech

Gathered on this beach of the tumid river

Sightless, unless

The eyes reappear

As the perpetual star

Multifoliate rose

Of death’s twilight kingdom

The hope only

Of empty men.

Foto: The British Library

Os olhos não estão aqui

Não há olhos aqui

Nesse vale de estrelas moribundas

Neste vale oco

Mandíbula partida de nossos reinos perdidos

Neste último dos pontos de encontro

Tateamos unidos

E calamos a fala

Reunidos na praia do túmido rio

Sem ver, a não ser

Que os olhos ressurjam

Como estrela perpétua

Multifoliada rosa

Do reino crepuscular da morte

Esperança apenas

De homens vazios.

Trecho do poema “Os Homens Ocos” (1925), do livro “T.S.Eliot – Poemas”, em edição da Companhia das Letras e tradução de Caetano W. Galindo.

Mistral para todo mundo

Primeira personalidade da América a ganhar o Nobel de Literatura, em 1945, e presença rara nas livrarias brasileiras, a chilena Gabriela Mistral ganha destaque nas prateleiras com uma obra que, segundo a crítica, além de agradar os leitores adultos é uma oportunidade de aproximação do público infanto-juvenil com a obra da escritora. Seu recém-lançado “Balada da Estrela e Outros Poemas” reúne 19 poemas tendo a infância como tema comum. O livro, da Edições Olho de Vidro, tem tradução de Leo Cunha e ilustrações da também chilena Leonor Pérez.

Fé de Adélia

Imagem: Schneible Fine Arts

Casamento

Há mulheres que dizem:
Meu marido, se quiser pescar, pesque,
mas que limpe os peixes.
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,
de vez em quando os cotovelos se esbarram,
ele fala coisas como ‘este foi difícil’
‘prateou no ar dando rabanadas’
e faz o gesto com a mão.
O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fim, os peixes na travessa,
vamos dormir.
Coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva.

De Adélia Prado (1935)

Os versos eternos de Bilac

Foto de Jheison Huerta no Salar de Uyuni, na Bolívia, eleita pela Nasa como “foto astronômica do dia”, em 22 de outubro, e publicada pelo site do El País

Via Láctea

Ora, direis, ouvir estrelas, certo

Perdeste o senso; e eu vos direi, no entanto

Que, para ouvi-las, muita vez desperto

E abro as janelas, pálido de espanto

E conversamos toda a noite, enquanto

A via-láctea, como um pálio aberto

Cintila; e, ao vir do Sol, saudoso e em pranto

Inda as procuro pelo céu deserto

Direis agora: Tresloucado amigo!

Que conversas com elas? Que sentido

Tem o que dizem, quando estão contigo?

E eu vos direi: Amai para entendê-las!

Pois só quem ama pode ter ouvido

Capaz de ouvir e de entender estrelas

Olavo Bilac (1865-1918).