A democracia depende de argumentos

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O casal Assmann. Foto/Südkurier

Os escritores e acadêmicos alemães, Aleida e Jan Assmann, receberam no domingo, 14, na Feira do Livro de Frankfurt – um dos mais importantes eventos literários mundiais, o Prêmio da Paz do Comércio Livreiro Alemão. O casal é reconhecido pelos seus estudos e contribuição para o debate internacional sobre conflitos religiosos e culturais.

O prêmio tornou-se ainda mais simbólico num momento de crescimento da extrema direita no país e de ascensão do nacionalismo mundo afora. Segundo trechos publicados na Folha de SP, os Asmann defenderam, em discurso na cidade, que “nem toda voz contrária merece respeito”. Para eles, aqueles que ameaçam as bases da diversidade de opiniões perdem o respeito.

Na edição do ano passado, o Prêmio foi para a canadense Margaret Atwood. Na lista dos já laureados estão também nomes como Albert Schweitzer, Hermann Hesse e Mario Vargas Llosa.

 

Os finalistas do Jabuti 2018

Jabuti IA Câmara Brasileira do Livro (CBL) anunciou na semana passada os finalistas de uma das mais tradicionais distinções literárias nacionais, o Prêmio Jabuti. Os vencedores da 60ª edição da premiação serão conhecidos em 8 de novembro. São 18 categorias (já foram 29) e o primeiro lugar de cada uma delas leva R$ 5 mil. O “Livro do Ano” leva R$ 100 mil.

Abaixo, os finalistas nas categorias Romance e Poesia.

ROMANCE

“Acre”, Lucrecia Zappi – Todavia

“Adeus, cavalo”, Nuno Ramos – Iluminuras

“Machamba”, Gisele Mirabai – Nova Fronteira

“Nigredo: estudos de morte e dulia”, Joaquim Brasil Fontes – Cultura e Barbárie

“Noite dentro da noite”, Joca Reiners Terron – Companhia das Letras

“O clube dos jardineiros de fumaça”, Carol Bensimon – Companhia das Letras

“Oito do sete”, Cristina Judar – Reformatório

“Pai, Pai”, João Silvério Trevisan – Companhia das Letras

“Roupas sujas”, Leonardo Brasiliense – Companhia das Letras

“Última Hora”, José Almeida Júnior – Record

POESIA

“À Cidade”, Mailson Furtado Viana – Autor Independente

“À Sombra do Iluminado”, Pollyanna Furtado Lima – 7letras

“Câmera Lenta”, Marília Garcia – Companhia das Letras

“Mecânica Aplicada”, Nuno Rau – Patuá

“Mugido [ou diário de uma doula]”, Marília Floôr Kosby – Edições Garupa

“Naharia”, Guilherme Gontijo Flores – Kotter Editorial

“O Teatro do Mundo”, Catarina Lins – 7Letras

“QVASI: segundo caderno”, Edimilson de Almeida Pereira, Editora 34

“Ser Quando”, Samarone Marinho – 7Letras

“Vento do Oitavo Andar” – Íris Cavalcante – Premius

Nossas melhores distinções

Abaixo alguns dos principais prêmios de literatura do país, conforme pesquisa em blogs e sites da internet. Nas fotos dois títulos premiados recentemente pelo Jabuti e pela Fundação Biblioteca Nacional, respectivamente.

Prêmio Sesc de Literatura – Lançado em 2003, premia obras nas categorias Conto e Romance. Além de incluir os autores em programações literárias da entidade, o prêmio também abre uma porta do mercado editorial aos estreantes: os livros vencedores são publicados pela editora Record e distribuídos para a rede de bibliotecas e salas de leitura do Sesc em todo o país. (http://www.sesc.com.br/portal/site/premiosesc)

Prêmio São Paulo de Literatura – Criado em 2008 pela Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, seleciona anualmente os melhores livros de ficção, no gênero romance. Segundo o site https://premiosaopaulodeliteratura.org.br/, as inscrições são gratuitas e abertas a autores lusófonos e editoras brasileiras. O prêmio de R$ 400 mil, dividido para três categorias, é o mais alto pago atualmente no país.

Prêmio Oceanos – A partir de 2015 o Prêmio Portugal Telecom de Literatura foi cancelado pelos antigos patrocinadores, passando a ser chamado de Oceanos – Prêmio de Literatura em Língua Portuguesa, patrocinado pelo Itaú Cultural. A premiação é focada nas obras de poesia, prosa e crônicas em língua portuguesa. Não há informação clara sobre a edição 2018 no site do patrocinador.

Prêmio Jabuti – Mais tradicional e antigo dos prêmios do gênero no país, o Jabuti é organizado pela Câmara Brasileira do Livro  e teve sua primeira edição em 1959. Na edição desse ano passou por uma série de reformulações. Saiu de 32 categorias para as atuais 18, elegeu o leitor como foco e facilitou a participação permitindo agora arquivos em Pdf.  (www.premiojabuti.com.br)

Prêmio Fundação Biblioteca Nacional – Também anual, premia autores, tradutores e projetistas gráficos brasileiros em nove categorias: poesia, romance, conto, ensaio social, ensaio literário, tradução, projeto gráfico, literatura infantil e literatura juvenil. De acordo com o site do prêmio (www.bn.gov.br/explore/premios-literarios/premio-literario-biblioteca-nacional), as obras devem ser inéditas e podem ser inscritas em, no máximo, duas categorias. Nesse caso, uma delas será obrigatoriamente, ‘Projeto Gráfico’.

Prêmio Governo de Minas Gerais de LiteraturaPor aqui, um dos prêmios de destaque destina R$ 212 mil para as melhores obras nas categorias Poesia, Ficção, Conjunto da Obra e Jovem Escritor Mineiro. Promovido pela Secretaria de Estado de Cultura (http://www.cultura.mg.gov.br), o homenageado pelo Conjunto da Obra leva a maior fatia do prêmio, R$ 120 mil.

Terceira edição do Prêmio Kindle

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O Prêmio Kindle de Literatura anunciou o poeta Antonio Carlos Secchin como o principal nome do júri que, juntamente com profissionais da Amazon e da editora Nova Fronteira, definirá o melhor romance da terceira edição do prêmio. Podem concorrer autores independentes residentes no Brasil e os romances devem ser inéditos. O período de inscrições vai de 15 de agosto a 15 de outubro e para participar, o autor deve ter seu original publicado no Kindle Direct Publishing, plataforma de autopublicação da Amazon. O melhor romance será conhecido na segunda quinzena de janeiro e o autor ganha um contrato para publicar a obra premiada na versão impressa pela Nova Fronteira, mais R$ 30 mil. Criada em 2016, quando o vencedor foi Mauro Maciel, com seu “Memorial do Desterro”, a premiação foi, em sua segunda edição, para Gisele Mirabai, com “Machamba”.

 

Nobel paralelo

 

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Depois do anúncio da Academia Sueca de que não entregará o principal prêmio mundial de literatura em 2018 – em função de uma série de acusações de assédio envolvendo pessoas ligadas a membro da Academia, um grupo de intelectuais do país anunciou que vai promover uma premiação alternativa, cujo vencedor deverá ser divulgado em outubro, no mesmo período do anúncio do Nobel em outras categorias.

“Formamos uma nova academia para lembrar às pessoas que a literatura e a cultura deveriam promover a democracia, a transparência, a empatia e o respeito, sem privilégios, arrogâncias ou sexismos”, diz um trecho do comunicado oficial do grupo.

A Nova Academia, segundo noticiou o diário britânico The Guardian, pediu às pessoas do meio literário e bibliotecas que indiquem autores, que, entre outros critérios, tenham escrito no mínimo dois livros. A partir da lista de indicados, uma votação pública será aberta. Ao final, entre os quatro mais votados, um júri de acadêmicos escolherá o vencedor.